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                                                                                               QUE REINO É ESTE? 

INTRODUÇÃO

 (O referido artigo é de resposabilidade única de seus respectivos autores)

          Cremos que existem pessoas nesta igreja pessoas que serão salvas e abençoadas por Deus. Entretanto, como servo de Deus, não posso me calar diante de tantos abusos e desrespeitos contra a Igreja de Jesus, a qual não é uma determinada denominação, mas um povo que se chama pelo nome do Senhor. Não posso me assentar em um trono de juiz para julgar se uma obra é de Deus ou não.  Meu alerta, nesse estudo, é para que a referida denominação não entre pelo mesmo caminho. As minhas observações serão feitas com bases no que eu mesmo tenho observado nesta denominação e o que tem sido vinculado pelos meios de comunicação. Alguns me disseram que tanger comentários negativos contra a referida seria pecado, pois só uma obra de Deus cresce tanto. A minha pergunta é a seguinte: Toda religião que cresce é de Deus? E os centros de macumbas são de Deus? Eles têem crescido. E o espiritismo moderno que tem se alastrado pelo mundo afora, é de Deus? E o que dizer do crescimento dos muçulmanos? Nem tudo que cresce pode ser definido como de Deus. Só que não estamos colocando a “Universal” no mesmo patamar das religiões citadas, mas tentando mostrar que obras de Deus tornaram-se malignas e que há muitas seitas que também estão crescendo. Acredito que, se alguém não tiver coragem de exortá-los, eles se tornarão como outras obras que começaram bem, mas terminaram na carne (Gl.3:3). Não estamos escrevendo este artigo para ser o tal que irá repreendê-los, mas para abrir os olhos de nossos irmãos.       João Flávio Martinez 

         Segue abaixo uma relação de motivos que, de acordo com a Palavra de Deus, nos deixa preocupados com esta denominação: 

SECTARISMO 

         Sectarismo significa: partidarismo ou espírito de seita (dicionário Língua Portuguesa – Carvalho). Observamos esse partidarismo  quando um membro sai da sua denominação, as vezes excluído, e vai para “Universal”, não há a preocupação em saber do estado que aquela pessoa saiu de sua igreja e muito menos mandam a pessoa voltar lá e se consertar, obedecendo assim a determinação da Bíblia (Ap.2:5). Convidam descaradamente membros de outras denominações para participarem dos seus cultos. Outro dia, ouvia um programa de rádio e o pastor dizia: “Meu amigo e minha amiga venha à “Universal” não importa qual seja a religião; católico, espírita, macumbeiro ou até mesmo evangélico. É isso mesmo meu amigo e minha amiga, você que tem freqüentado até mesmo uma igreja evangélica e a sua vida não tem mudado (falava isso como que se a culpa fosse da outra igreja evangélica) vem para a Universal que  nós garantimos que a sua vida vai mudar”. 

Veja, isso passa e extrapola a casa do sectarismo e chega a ser proselitismo. Se isso não é falta de respeito com os demais eu não sei mais o que seria ética. 

CONVERSAS COM OS DEMÔNIOS 

         A Bíblia é clara, o Diabo e seus demônios são mentirosos e neles não há verdade (Jo.8:44) e que nos últimos dias, alguns religiosos, dariam ouvidos a espíritos de demônios. Leiamos: “Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”. (ITm4:1)

“Mas Jesus o repreendeu ( o demônio), dizendo: Cala-te, e sai dele”.(Mc.1:25)

         Ficar conversando com demônios não é recomendável e nem neo-testamentário.  Há sempre o perigo de estarmos sendo enganados pelo inimigo. Veja, o próprio Senhor Jesus não dava lado para esses espíritos imundos e os mandava sair logo de uma vez. Quando oramos pela libertação de uma pessoa quanto mais rápido melhor. Devemos entender que para o possesso aquela situação é constrangedora e sofrível. O que vemos, entretanto na prática, é muito triste. Pessoas sendo arrastadas por corredores enormes e as vezes até de joelhos, iniciando assim o diálogo com o demônio. Nesse período a pessoa fica cansada e até machucada pela luta corporal que acontece. Muitas vezes tudo isso poderia ser resolvido com o uso de uma frase determinada pelo pastor, que é: “Deixai-o em o nome de Jesus”(Mc.16:17) e pronto, o sofrimento terminaria. Fico pensando como fica a pessoa possessa diante da família e dos amigos que vão com ela ou até mesmo assistem pela TV. Tudo isso poderia ser evitado com amor e carinho e sem abuso da autoridade que Deus nos dá, mas preferem o sensacionalismo.

         Muitos, dos que vão até lá, nem vão para ouvir a Palavra de Deus, mas para ver os demônios se manifestarem com se fosse um espetáculo.  

INVOCAÇÃO DE DEMÔNIOS 

Em seu culto o pastor muitas vezes passa a dizer: “Exu-caveira, pomba-gira, tranca-rua, venham aqui e se manifestem. Manifestem agora, saiam da encruzilhada e manifestem-se nesse corpo agora”. Eu comecei a sentir uma aproximação de algo ruim perto de mim e como sou serva de Deus e aprendi que todos os filhos de Deus tem autoridade, levantei as minhas mãos e disse que não aceitava aquilo na minha vida. De repente a mulher ao meu lado caiu possessa. Fiquei pensando que se eu não tivesse conhecimento da Palavra de Deus aquilo ia me pegar”.

         Quando ouvi esse testemunho de nossa irmã fui lá algumas vezes para ver se era assim e confirmei a história. A Bíblia nos mostra que devemos evitar o nome dessas entidades e procurarmos nem mencioná-los em nossas bocas. 

         Leiamos:  “Aqueles que escolhem a outros deuses terão as suas dores multiplicadas; eu não oferecerei as suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes nos meus lábios”.(Sl.16:4).  O pior disso tudo é que isso é invocação a demônios praticado por centros de macumba e exorcismo  (diferente de libertação, pois exorcismo é a manipulação de espíritos malignos).

         Veja o que fala, sobre este assunto, o Dr. Romero:

“Em alguns círculos evangélicos, os pregadores da libertação chegam a instigar os demônios para que se manifestem, dando-lhes ordens como: “Comece a manifestar aí, Exu Tranca-rua, comece a manifestar, Exu Caveira”,(...) e uma lista de nomes de orixás da umbanda e do candomblé são mencionados. Parece até ser uma reunião de invocação aos demônios. Não vemos tal modelo na Bíblia. Nem Jesus nem os discípulos mandaram os demônios se manifestarem. As manifestações demoníacas na Bíblia foram espontâneas (veja: Mc.1:23,24: 3:11). A simples presença de Jesus era o bastante para que o inimigo se manifestasse. O mesmo acontecia com os discípulos. Quando esteve em Filipos, Paulo não mandou que o espírito que possuía uma jovem se manifestassem. Muito ao contrário, sentiu-se incomodado com as declarações e o demônio foi expulso (At.16:17-18). Basta a presença do Senhor na Igreja ou na vida do cristão para o inimigo ficar incomodado. O culto cristão deve ser centralizado no Senhor. O objetivo principal do povo de Deus ao se reunir é adorar a Deus em espírito e em verdade”. 

A ÊNFASE EXAGERADA SOBRE DOAÇÕES 

         Gostaria de deixar claro que as doações são necessários. Essas contribuições são tiradas em todas as Igrejas que realmente crêem na Palavra de Deus. A “Universal” de maneira alguma erra em ensinar isso ao povo, entretanto tudo o que é em demasia foge do propósito e padrão divino (Ec.7:16). Certo pastor disse com razão que: “heresia não é totalmente uma mentira, mas um exagero da verdade”. Há, com certeza, fundamentos nessa afirmação fazendo com que nos preocupemos com nossas igrejas e seu nível espiritual. É como nos alimentarmos só com um tipo de comida, por melhor que ela seja, trará prejuízos a nossa saúde, ficaremos sem as vitaminas e proteínas necessárias. Certa feita foi dito por um dos líderes dessa igreja, algo parecido como: “Temos que saber tirar as ofertas, ou dá ou desce, mas tem que dá”. Suas reuniões, na maioria das vezes, se resumem na mensagem das “doações”. Devemos ensinar essas coisas sem se esquecer das demais. Veja o que o Senhor Jesus fala: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas” (Mt.23:23).   O Senhor mostra nesse versículo que não basta só pregarmos doações, temos que falar sobre a justiça, sobre a misericórdia e sobre a fé. Não basta termos uma igreja que só dízima, mas temos que ter uma Igreja santa (Ef.5:27) que conheça o juízo e exerça misericórdia com fé no seu coração. Espero que um dia, a referida igreja, consiga atingir todos os seus alvos e tenha temperança nessa área, pois Jesus está a porta e vem buscar a sua Igreja, pior do que a situação financeira do nosso país é o estado espiritual que nos encontramos. 

         Que possamos nos levantar e espremermos a ferida do pecado que tanto nos assola e traz miséria. (Leia: Is.1; ITs.5:23; Heb.12:14). 

A CONFIANÇA EM AMULETOS 

         Acreditamos que a fé das pessoas deve e tem que ser estimulada. Infelizmente, vemos que nessa tentativa a “Universal” está usando um sistema não ensinado pela Bíblia. Sistema este cuja a base é a troca da fé genuína, pela fé no visível e palpável. Somos conhecidos por crer no Deus invisível e não aceitar o palpável (Jo.20:29). Como aceitar essa doutrina dos amuletos? Cornetas, espadas, sal grosso, arruda, rosa, enxofre e muito mais. Isso tudo é inaceitável, visto não ter bases bíblicas e nunca ter sido praticado pela Igreja primitiva. Devemos ter em mente o nosso verdadeiro alvo, a fé viva em Cristo Jesus, invisível, mas real (ITm.1:17).

“...fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé...”(Hb.12:2). Esse desvio de alvo tornou-se tão sério que as pessoas da “Universal” precisam quase sempre de um objeto para que sua fé funcione. Certo dia encontrei um irmão, amigo meu, que lá congregava. Nesse nosso encontro ele mostrou-me uma corneta e tocou bem forte. Após isso me perguntou: “Você sentiu?”. “Senti o que?”. “O poder” - disse ele. Demonstrei na minha fisionomia que não havia entendido nada e então ele explicou-me: “É uma corneta ungida e o pastor nos disse que tem poder, poder tão forte que expulsa até demônios.” Chocado eu lhe expliquei que só no nome de Jesus havia poder para tal(Mc.16:17) e que eu não sabia que a “Universal” estava dando aquilo para seus membros. Ele, um tanto chateado, disse: “Dando não, eu paguei cem reais!”. Depois  dessa conversa, disse até logo e fui embora. Relatei esse fato para mostrar que se não for feito nada a coisa não vai ficar  boa. Uma vez ou outra nos deparamos com estes amuletos dependurados nas casas dos seus membros.        

OVELHAS QUE NÃO CONHECEM SEU PASTOR 

         As ovelhas da “Universal” não conhecem os seus pastores; como vivem, se são casados e vivem bem no casamento; onde moram e o que faziam antes... Enfim, as ovelhas desconhecem quem está ministrando. É vetado às suas ovelhas a mesma dedicação que os irmãos de Beréia tinham ao examinar aquilo que lhes era ministrado, isto é, quando o Apóstolo Paulo pregava aos irmãos na cidade de Beréia, eles tinham a liberdade de examinarem nas escrituras se estas coisas eram mesmo assim como era pregado (Atos 17:10 e 11). Isto inclui a vida moral e social que Paulo tinha, pois como crer na palavra de alguém que eu nem sei quem é? Não digo que deva se fazer uma investigação, chamar um detetive para saber da vida do pastor, mas tenho que saber pelo menos o básico. Essas ovelhas são como ovelhas que não têm pastor, pelo fato de não conhecê-los, pois a Palavra de Deus nos diz que “... a ovelha conhece o seu pastor” (Jo.10:4 e 14) .A “Universal”, mais poderia ser comparada a uma empresa, assim também  como a um banco. Você reconhece que aquele homem, da mesa mais bonita, é o gerente. Sabe que  o gerente esta ali para te ajudar, ainda que pensando no seu dinheiro e naquilo que você pode dar como lucro, só que você não o conhece além do balcão do banco. Será que é assim que a Igreja de Jesus deve ser pastoreada? Claro que não! Acreditamos que deve haver um relacionamento concreto entre as ovelhas e o pastor, pois foi isso que o Senhor Jesus, o supremo pastor, nos ensinou. Ainda assim afirmam que seus membros têm que se firmar na Igreja e não no pastor, tirando de si todo o compromisso pastoral. (Leia: Jr.3:15; Jo.10:4) 

ESCÂNDALOS

(Escrito por Pr. Afonso Martins) 

“Jesus, porém, disse: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens” (Mt.16:23).

         Temos visto inúmeros escândalos que deturpam e envergonham o nome do Senhor Jesus, é  claro que os servos de DEUS são perseguidos e injuriados, mas seria ridículo usar desta desculpa para encobrir os escândalos. No Congresso Nacional surgiu o pedido de CPI para investigar como a “Universal” se enriqueceu. Estima-se que seu faturamento gira em torno de 800 milhões de dólares, são comparados a uma empresa de grande porte como  Pirelli e Alcoa (Veja - Ano 28/N 43). O ex-pastor Carlos Magno, afirmou que chegou a receber cerca de 40 mil dólares por mês por bonificações geradas pelas igrejas de sua responsabilidade, e podem receber algo em torno de R$ 5 mil por mês, mais percentual de acordo com o crescimento das ofertas. E aqueles que conseguem aumentar a arrecadação utilizando-se de várias campanhas, passam a ter seu trabalho recompensado também com aparições em programas de Rádio e TV (Vinde - Ano 3/n33). Tudo isto nos dá a entender que, para se crescer como pastor nesta denominação tem que se produzir, mas produzir o quê? Ovelhas? Não!, dinheiro mesmo, e muito dinheiro ! O ex-pastor Mário Justino, desta Igreja, recebeu asilo político do governo dos EUA, ao declarar-se ameaçado pela cúpula da denominação, ele escreveu o livro NOS BASTIDORES DO REINO fazendo graves denuncias contra líderes desta Igreja, inclusive escândalos sexuais e desvios de recursos oriundos das ofertas dos fiéis(Vinde).  Um dos seus Bispos afirmou que o diabo é um sujeito barbudo, que fala com a língua presa e tem um dedo a menos numa das mãos, arrebentando contra o presidente Lula.  

         É assim que devemos tratar as pessoas?(Ex-Revista Vinde) Você já notou como eles tem o poder de abafar aqueles que saíram do seu reino? Onde se encontram hoje o bispo Renato Suet , o bispo Ronaldo Didini, e muitos outros que deixaram aquele reino. E o escândalo do chute na imagem da Aparecida? E muitos outros escândalos que dia a dia surgem e atrapalham aqueles que querem fazer a obra com sinceridade. Leiamos:“Disse Jesus: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos” (Lc.17:1,2).

CONCLUSÃO

Não queremos ser polêmicos, nem causar controvérsias, nem ferir alguém ou alguma instituição, mas apenas alertar os mais incautos. Apesar da IURD ser uma igreja com uma doutrina correta suas práticas deixam muito a desejar. Oramos para que Deus possa iluminar a liderança desta denominação para que possamos servir a Deus num espírito fraterno e humilde. O que não é o caso na referida igreja que possui um orgulho denominacional em detrimento as outras denominações. Que possamos unir nossas forças para ganharmos almas para o reino de Deus - o céu.

        Autores: João Flavio Martinez e Afonso Martins

 

IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS
 

 


 

                                                                        INTRODUÇÃO

 Um dos fenômenos ocorridos na América Latina, e que tem chamado a atenção dos estudiosos no mundo todo, é o surgimento nas últimas duas décadas de novas igrejas pentecostais enfatizando a teologia da prosperidade e os ministérios de "libertação". Denominações inteiras têm surgido, e o crescimento do movimento, por vezes chamado de "neopentecostal", não mostra sinais de esmorecimento. Entre as que têm chamado a atenção mundial destaca-se a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), surgida em 1977 sob a liderança de Edir Macedo, que por sua vez, havia pertencido a outra denominação neopentecostal, Nova Vida, no Rio de Janeiro.

O crescimento rápido da IURD colocou em evidência suas práticas ministeriais e litúrgicas controvertidas, bem como seus ensinos polêmicos, levantando questões de cunho teológico e prático entre as denominações evangélicas históricas, organizações religiosas, e mesmo a imprensa secular.

O número de brasileiros que professa pertencer à IURD é de mais de três milhões. Não poucos destes, após abandonarem a IURD por motivos vários, têm procurado ingressar nas igrejas históricas, entre elas, igrejas presbiterianas. Esse fato tem criado problemas de ordem doutrinária e prática para os conselhos dessas igrejas.

Método de Trabalho

A pergunta central, da qual dependem as respostas para os problemas acima, e outros ainda, é: podemos considerar a IURD como parte da Igreja de Cristo neste mundo? Para responder a esta pergunta faz-se necessária a adoção de critérios claros que, segundo o nosso entendimento, estão expressos nas Escrituras como interpretados na Confissão de Fé de Westminster (CFW), em seu capítulo sobre a Igreja (capítulo 25). Assim, nossa abordagem será teológico-comparativa e não sociológica. Já existem estudos que procuram entender e avaliar a IURD do ponto de vista sociológico. Em nosso estudo comparativo analisaremos a IURD tanto em termos da sua credenda quanto da sua agenda. Ou seja, procuraremos responder à pergunta inicial abordando o que a IURD crê, e o que ela faz.

                                          Fontes utilizadas neste estudo

Uma das maiores dificuldades em um estudo comparativo de teologia é exatamente achar as fontes primárias adequadas. A IURD não tem uma confissão de fé explícita e escrita. Obviamente, ela tem uma confissão de fé implícita, que é refletida nos escritos de seus líderes, nos artigos da Folha Universal (publicação oficial da denominação), nas palavras dos bispos e pastores nos programas de televisão e rádio assim como em reportagens e entrevistas a periódicos seculares. São estas fontes que usamos para reconstruir a credenda e a agenda da IURD. Mesmo assim, confessamos que, por vezes, é difícil afirmar com exatidão o que a IURD crê sobre um determinado aspecto ou prática, visto existirem informações conflitantes ou destoantes nessas fontes.

Uma outra dificuldade para se conhecer a credenda iurdiana é a aversão que Edir Macedo (fundador e lider maior da IURD) tem pelo que entende ser "teologia". Em seu livro A Libertação da Teologia, ele procura desmoralizar todas as tentativas feitas pela Igreja Cristã, ao longo da sua existência, de compreender logicamente e sistematizar o ensino cristão como encontrado nas Escrituras. Afirma Macedo:

Todas as formas e todos os ramos da teologia são fúteis. Não passam de emaranhados de idéias que nada dizem ao inculto; confundem os simples, e iludem os sábios. Nada acrescentam à fé.

Num ambiente onde a formulação teológica é desprezada, é evidente que não há qualquer estímulo para que se sistematize e organize de forma lógica ou coerente aquilo que se crê. A ojeriza de Macedo, bem como a dos demais líderes da IURD, pela formulação teológica sistemática, tem deixado as portas abertas para a confusão, a incerteza, e a contradição que marcam suas fontes. Um exemplo da confusão teológica de Macedo é a dicotomia entre a Lei e o Evangelho, em que ele parece afirmar que a Escritura ensina dois caminhos de salvação, um pela Lei e outro pelo Evangelho. Outro exemplo: enquanto parece crer na condenação eterna dos ímpios, afirma no mesmo fôlego que "... todos os homens são de um mesmo sangue, e se destinam todos à eternidade em um Reino celeste".

Macedo, obviamente, vê a IURD como parte de um pequeno setor da Igreja onde a "libertação" da teologia está ocorrendo. Seu livro A Libertação da Teologia, entretanto, demonstra que essa libertação ainda não ocorreu de fato: Macedo tem claramente seus próprios pressupostos, a sua própria teologia e seu sistema de pensamento. Este livro, eivado de erros históricos, exegéticos e teológicos, longe de demonstrar que a teologia é realmente perniciosa e desnecessária, demonstra como a falta do verdadeiro conhecimento dela produz homens arrogantes que pretendem possuir a "verdade" que permanecera oculta através dos séculos — um sinal característico de seita.

A linguagem usada pelos protestantes históricos para referir-se a estes pontos está presente no ensino da IURD, embora nem sempre com o mesmo conteúdo. Isto é verdade especialmente no seu entendimento do conceito de salvação. No conceito iurdiano, salvação praticamente se identifica com libertação de males particulares, enquanto que conceitos bíblico-reformados como justificação, propiciação, expiação, e reconciliação com Deus estão, via de regra, ausentes, tanto na pregação quanto na praxis religiosa deles.

Na denúncia da idolatria, tomados de zelo sem entendimento, alguns obreiros da IURD revelam falta de sabedoria em seus ataques, como no famoso episódio do "chute na santa". Também é verdade que, ao fim, terminam por adotar a nomenclatura e algumas das práticas espíritas. Entretanto, a condenação da idolatria e do espiritismo, comum às igrejas protestantes históricas no passado, tem sido retomada em alguma medida pela IURD.

Ainda em comum com as igrejas protestantes históricas, a IURD é crítica com relação a algumas práticas pentecostais, como por exemplo, o conceito pentecostal de profecia, as reações físicas no contexto do batismo com o Espírito Santo (como quedas, tremores, etc.); a IURD critica ainda o movimento católico carismático, e o falar línguas estranhas como praticado em alguns segmentos pentecostais.

É preciso observar que Macedo critica duramente os Reformadores e os que criaram uma "teologia protestante"; possivelmente, Macedo não consideraria a IURD como uma igreja protestante.

               Pontos em comum com os pentecostais

Macedo parece considerar a IURD como sendo, além de evangélica, uma igreja pentecostal, ao inclui-la entre os 70% dos evangélicos que assim se denominam. A IURD tem crenças e práticas que a aproximam das igrejas pentecostais. Afinal, Edir Macedo foi membro de igreja pentecostal antes de iniciar a IURD em 1977. Macedo trouxe daí a crença no batismo com o Espírito Santo como uma segunda bênção, a prática das línguas, a cura divina, e particularmente a cosmologia pentecostal, que percebe o mal no mundo como resultado da atuação direta dos demônios.

Ainda em comum com alguns segmentos pentecostais, Macedo nutre profundo desprezo pela teologia. Ele acusa os Pais da Igreja, os Reformadores, e os teólogos em geral, de terem desviado a Igreja do rumo certo, causando divisões e separação entre cristãos:

Quem desviou o cristianismo dos seus princípios nos primeiros séculos? Acaso não foram os teólogos? Foram eles também quem causaram a reforma protestante e que criaram as grandes divisões do "cristianismo restaurado" que deram origem às denominações evangélicas que hoje existem.

 Pontos em comum com igrejas de libertação (neopentecostais)

Em vários aspectos a IURD deve ser considerada como uma igreja neopentecostal, cuja prática se aproxima de igrejas como Deus é Amor, Casa da Bênção, e Brasil para Cristo. Essas igrejas, além das crenças e práticas pentecostais, giram particularmente em torno da teologia da prosperidade, dos ministérios de libertar pessoas oprimidas por demônios e da utilização de objetos "ungidos" nos cultos

A estrutura eclesiástica da IURD é também semelhante a das igrejas de libertação. Estas, geralmente organizam-se em torno da figura do fundador. Macedo é o chefe máximo da IURD, embora figure como apenas mais um "bispo" na sua estrutura. Abaixo de Macedo vem um "conselho episcopal mundial" (22 bispos), ao qual estão submissos os "lideres estaduais" (22 bispos ou pastores), que por sua vez comandam os "pastores" (cerca de 7.000 em Janeiro de 1996). A centralização do poder eclesiástico na figura do fundador é característico das seitas neopentecostais surgidas nas últimas décadas, nas quais a IURD se encaixa.

Por causa de elementos na pregação e na prática da IURD, que são comuns aos protestantes em geral, e mesmo a outras igrejas pentecostais, cremos que os eleitos presentes nas igrejas da IURD têm sido chamados à fé, através da atuação do Espírito pela pregação do Evangelho; dessa forma, há nas igrejas da IURD os que professam abertamente que crêem em Jesus Cristo como único Salvador, e mediador entre Deus e os homens.

Levando em conta isoladamente ensinos e práticas genericamente presentes na IURD, pode-se considerá-la como sendo uma igreja cristã, protestante, pentecostal, caracteristicamente neopentecostal. Isso, entretanto, não lhe assegura necessariamente o status de parte da igreja visível de Cristo, já que estão igualmente presentes na sua doutrina e na sua prática elementos estranhos ao ensino bíblico do Cristianismo histórico.

ANÁLISE DA TEOLOGIA E PRAXIS DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS

             A hermenêutica da IURD

A causa da maioria destas crenças e práticas impuras vem de uma hermenêutica deficiente praticada pela liderança da IURD. Citamos aqui o documento anterior da Comissão Permanente de Doutrina sobre interpretação das Escrituras Sagradas:

... é preocupante a forma como alguns vêm interpretando o texto sagrado, partindo de pressupostos da sua própria experiência impondo ao texto sentidos que claramente não fazem parte da intenção original do autor inspirado. Constitui-se prática perigosa atribuir ao Espírito Santo ensino que é produto de interpretação particular de um texto da Escritura, baseado em experiência pessoal, interpretação esta que nada tem a ver com o sentido do texto bíblico. A Igreja entende que na raiz de todas as atuais práticas prejudiciais em seu meio está um sistema de interpretação equivocado.

Interpretações individuais e isoladas que fogem do sentido óbvio e original do texto e que apelam para a autoridade da experiência individual para validar o entendimento das Escrituras devem, na verdade, ser rejeitadas. As Escrituras devem ser interpretadas por si mesmas, ou seja, uma passagem bíblica deve ser interpretada à luz de todas as partes, sem se desprezar a iluminação que o Espírito Santo vem concedendo à Igreja através dos séculos, que faz parte da tradição interpretativa acumulada até o presente. As Escrituras foram endereçadas à Igreja, e o Espírito que as inspirou foi dado ao Corpo de Cristo para que o iluminasse no entendimento delas. Assim, a Bíblia não é propriedade de um membro individual, mas da Igreja; portanto, a sua interpretação deve ser feita em consonância com a sabedoria da Igreja acumulada através dos séculos. Nenhum membro tem o direito de ter a sua própria interpretação particular das Escrituras — não foi este o direito que Lutero e os demais Reformadores recuperaram na Reforma.

Os que atribuem a sua compreensão individual das Escrituras ao Espírito, deveriam igualmente reconhecer e receber a compreensão que o mesmo Espírito concede aos demais membros da Igreja no decorrer da história. Esta é uma verdade incontestável: se as profecias das Escrituras não foram fruto da interpretação individual dos profetas, muito menos hoje pode-se aceitar interpretações particulares daquilo que já nos foi revelado nas mesmas Escrituras.

O método de interpretação das Escrituras utilizado por bispos e pastores da IURD consiste em geral numa atualização ou transposição das experiências religiosas de personagens bíblicas para os dias atuais. Isto ocorre em virtude do que entendem ser a Bíblia. Macedo não parece ver a Bíblia como a revelação proposicional de Deus, mas como um livro de experiências religiosas, que começa com Israel no Velho Testamento, e termina com a humanidade em Apocalipse, experiências estas que podem ser repetidas nos mesmos moldes, nos dias atuais.

Assim, a repetição ou re-encenação de episódios e eventos bíblicos é utilizada como ferramenta hermenêutica, que lhes permite usar as Escrituras como base da sua prática. Nesta tentativa de repetir os episódios bíblicos, existe uma grande dose de alegorização dos textos bíblicos, e total desrespeito pelo contexto histórico dos mesmos, bem como a falta de distinção entre o que é descritivo na Bíblia, e o que é normativo para as experiências dos cristãos.

Por exemplo, assim como Noé fez uma aliança com Deus, podemos nós também faze-la. Assim como Josué cercou as muralhas de Jericó e ao som das trombetas elas caíram, assim podemos "cercar" as muralhas das dificuldades e problemas e derrubá-las em nome de Jesus (usando uma trombeta de plástico e uma muralha de isopor). A vara que Moisés usou, o cajado de Jacó, os aventais de Paulo — todas estas coisas, e muitas outras tiradas das histórias bíblicas, se tornam tipos da utilização de apetrechos semelhantes, aos quais é atribuído (apesar de negações em contrário) algum valor espiritual na resolução dos problemas.

Concordamos com a avaliação de Leonildo S. Campos:

A ênfase nos símbolos, metáforas e alegorias levou a IURD a se distanciar do fundamentalismo e de sua leitura literal da Bíblia. Esse livro,  ocupa um lugar secundário em toda dramatização iurdiana, justamente porque para a Igreja Universal a Bíblia é muito mais um depósito de símbolos, alegorias e cenas dramáticas ou até um amuleto para exorcizar demônios e curar enfermos do que a "palavra de Deus", encarada por outros grupos protestantes como "regra única de fé e prática" e para os fundamentalistas "regra infalível".

               A doutrina da salvação

A IURD, crê na doutrina da graça preveniente, ou seja, que existe uma capacidade latente nas pessoas, sem exceção, de crer na mensagem do Evangelho. Diz Macedo:

Em todos os seres humanos, quer religiosos ou não, existe no mais profundo de suas almas uma pequena chama de fé, a qual focalizada no Deus Vivo, certamente fará fluir uma vida sadia sob todos os aspectos. Essa pequena chama de fé é colocada pelo próprio Espírito Santo.

Essa pressuposição leva Macedo a afirmar a capacidade humana de determinar a sua própria salvação, como transparece da citação abaixo: "Quem define a vida ou a morte eterna não é Deus, mas nós, quando fazemos a nossa própria opção!"

O conceito de salvação, entendido pela fé reformada, refere-se primariamente à salvação da culpa, poder e presença do pecado nas vidas dos eleitos, mediante a obra redentora de Cristo. Inclui a santificação e a ressurreição final. Aparentemente, na teologia iurdiana, o termo salvação é usado como sinônimo de libertação das drogas, dos problemas, das doenças e da opressão causada pelos demônios.

Macedo ensina que há dez passos a serem dados que levarão os sinceros ao caminho da salvação:

Aceitar de fato o Senhor Jesus como único Salvador;

Participar das reuniões de libertação da IURD;

Buscar o batismo com o Espírito Santo;

Andar em santidade;

Ler a Bíblia diariamente;

Evitar as más companhias;

Ser batizado;

Freqüentar reuniões de membros da IURD;

Ser fiel nos dízimos e nas ofertas;

Orar sem cessar e vigiar.

Não é claro se Macedo está ensinando que o perdão dos pecados e a reconciliação com Deus ocorrerão apenas após estes passos, ou durante os mesmos. Também não é claro se a aceitação de Cristo (passo 1) traz a salvação e perdão, enquanto que os demais passos estão relacionados com o crescimento cristão. Embora a aceitação de Cristo figure como o passo 1, Macedo orienta o leitor a não considerar a ordem dos passos.

Quase todos esses passos são definidos em relação à atuação dos demônios: o fiel deve freqüentar as reuniões de libertação para se ver livre do diabo; deve procurar o batismo com o Espírito Santo para escapar da habitação dos espíritos malignos. Andar em santidade significa ser libertado de Satanás e seus demônios e não ter qualquer ligação com eles. Deve ler a Bíblia para usá-la como arma eficaz no combate à Satanás. A freqüência às reuniões da IURD alimentará as almas dos fiéis com a palavra da verdade, a qual os arma contra as ciladas de Satanás.

 Macedo tem substituído as obras da Lei por obras evangélicas — em última análise, a salvação do ser humano depende da observância destes preceitos:

Nossa experiência nos leva a crer que um dos pontos fundamentais para a libertação e salvação está no fato da pessoa se desligar totalmente das companhias que não professam a mesma fé ... este item é de suma importância para a salvação de alguém.

Afirma Macedo a necessidade categórica de se freqüentar as reuniões da IURD para "uma libertação completa". Segundo ele, o próprio Deus ficará sem poder atender as orações, caso o fiel não especifique o que deseja.

Não somente a salvação vem através do esforço humano, mas a própria manutenção desta salvação:

Procure amizade com pessoas que tenham a mesma fé e evite a todo custo conversas, discussões ou contatos que possam colocar em jogo a sua salvação.

Se a salvação e a manutenção da mesma dependem do esforço humano, não é de admirar-se que no ensino da IURD encontremos indicações de que aceitam a possibilidade da perda da salvação por parte de um crente verdadeiro. Em seu livro Apocalipse Hoje Macedo parece sugerir esta possibilidade:

É muito comum ao ser humano abraçar a fé em Jesus, de todo coração, de todas as suas forças, recebendo em resposta do Senhor a plenitude do Espírito Santo, e por desleixo, ir cedendo aos apelos da carne, do orgulho pessoal e da simpatia para com este mundo ... sua vida acabará por encontrar o deserto espiritual... É ai onde estão os perigos espirituais, vindo a advertência de Hebreus 6.4-6...

Ao citar Hebreus 6.4-6 em conexão com a decadência espiritual de alguém que teve uma verdadeira experiência com Cristo, Macedo parece sugerir que o verdadeiro cristão pode vir a decair definitivamente do estado de graça inicial. A mesma idéia está presente em sua mensagem "Encontro com Jesus", onde ele afirma:

Mas aqueles que conheceram Jesus, tiveram um encontro [com ele], experimentaram um dom espiritual, o dom glorioso de Deus, tiveram a presença d’Ele ou um encontro verdadeiro com Deus, e hoje estão vivendo como vivem os gentios. Para esses é muito pior. A Bíblia diz que é impossível outra vez renová-los, porque estão crucificando Jesus para si mesmos; aliás, em Hebreus 6.4-6 diz assim...

Nota-se também, no "plano de salvação" da IURD, a ausência de pontos cruciais como regeneração, justificação, perdão dos pecados, adoção, reconciliação com Deus e perseverança dos santos. Salvação é vista primariamente em termos horizontais, no que concerne a vida do homem na terra, enquanto que os aspectos verticais são, via de regra, ignorados.

Batismo com o Espírito Santo e as línguas

O ensino da IURD é bastante confuso quanto à doutrina do batismo com o Espírito Santo, à semelhança de outros grupos neopentecostais. Inicialmente, existe uma confusão na terminologia, onde termos como "batismo com o Espírito Santo", "selo do Espírito Santo", "plenitude do Espírito Santo" são usados alternativamente para uma mesma experiência ocorrida após a conversão.

No geral, seguem o ensino pentecostal clássico acerca do batismo com o Espírito Santo: é visto como uma experiência de crise, a qual deve ser buscada, utilizando-se os meios apropriados que induzem ao estado emocional necessário. Os passos que um candidato ao batismo com o Espírito deve dar são estes, em resumo: 1) libertação de demônios presentes no seu corpo; 2) perdoar quem o feriu; 3) não andar na mentira; 4) não deixar que seus pensamentos se envolvam com as coisas deste mundo; 5) confessar a Deus tudo que o acusa diante de Deus; 6) desligamento das preocupações; 7) louvar a Deus em voz audível; 8) não interromper este louvor com pedidos de cura ou libertação; 9) não se deixar distrair por barulhos ou coceira, mas continuar louvando cada vez mais forte; se estes passos forem seguidos, o candidato sentirá grande alegria e passará a falar em línguas, como sinal de que foi batizado e selado com o Espírito Santo.

Para Macedo, o batismo com o Espírito Santo habilita o cristão a ser participante da natureza do próprio Jesus.

O falar em línguas é entendido como evidência necessária do batismo com o Espírito Santo. Diz Macedo: "O que acontece de fato, é que quando alguém é batizado com o Espírito Santo, recebe logo, o dom de línguas, como uma evidência de seu batismo". Entretanto, contradiz-se na mesma obra, ao afirmar: "Embora a Bíblia não ensine que para receber o batismo com o Espírito Santo a pessoa precise falar em línguas estranhas..." A mesma incerteza e confusão se percebe nos escritos do teólogo principal da IURD, J. Cabral:

A orientação de Macedo ao que deseja falar em línguas (ser batizado com o Espírito) inclui relaxamento dos lábios, pronunciar intencionalmente palavras sem sentido que estão "no coração", e respiração funda. Para Macedo, as línguas estranhas têm como alvo "chamar a atenção do próprio Deus", e têm um efeito "purificador, elevador, e até transformador, e isso beneficia a pessoa envolvida". Também, servem para autenticar a fé dos que falam.

O ensino da IURD sobre o batismo com o Espírito Santo e as línguas contém as mesmas deficiências do ensino pentecostal clássico sobre o assunto. 

A Escritura dirige-se a todos os que já são crentes como tendo já sido batizados com o Espírito. Em nenhum lugar ela encoraja os que já são crentes a buscar esse batismo, quer por preceito, quer por exemplo.

Em nenhum lugar do Novo Testamento as línguas são mencionadas como a evidência normal do batismo com o Espírito Santo, ou da Sua plenitude, para os crentes, após o Pentecoste. A evidência inconfundível da plenitude espiritual, segundo Paulo, é o fruto do Espírito (Gl 5.22-23). Portanto, o falar em línguas não deve ser considerado como a evidência de nenhuma destas duas experiências.

                        Cura Divina

Macedo entende que as doenças são resultado direto da operação de espíritos malignos. A epilepsia, a AIDS, e tumores malignos, por exemplo, são encaradas como sendo causadas por essas entidades. Macedo vê a atuação dos espíritos especialmente nas doenças mais difíceis de sarar:

Há pessoas que têm feridas nas pernas que não cicatrizam nunca. Por que? Aquilo é um espírito que está alojado ali. Aquilo é um espírito. Aqueles que têm dor de cabeça constante, daquelas que não há médico que descubra a causa... pois bem, isso é o espírito.

Partindo desses pressupostos, entende-se porque na IURD a cura de doenças é buscada através da expulsão dos espíritos supostamente causadores das mesmas. A cura divina é vista por Macedo como inerente nas feridas de Jesus e direito de todo crente, que não dever buscar, mas reconhecer e receber. Segundo Macedo, a cura de uma enfermidade é sempre a vontade de Deus.

Em decorrência das pressuposições acima, Macedo conclui:

A cura divina é um direito adquirido através do Senhor Jesus Cristo; não é uma questão de fé, mas simplesmente de aceitação por parte do doente do sacrifício realizado pelo Senhor na cruz do Calvário, isto é, pelas Suas pisaduras fomos sarados (Isaías 53.5). Quer dizer que "já" fomos sarados e não temos necessidade de ficar pedindo uma coisa que já nos foi concedida.

Essa declaração surpreendente de Macedo, de que não há necessidade de se pedir a cura, contradiz a prática de pastores e obreiros da IURD em seus templos, onde a busca da libertação das moléstias físicas é um dos pontos centrais da liturgia.

Macedo também centraliza o poder de realizar curas na pessoa do pastor, ao dizer que:

O dom de curar é concedido ao pastor, afim de que ele possa "exercer" o ministério de cura para aqueles que estão incapacitados de crer por não poderem ouvir a Palavra de Deus, devido à surdez ou por causa de tantos outros fatores que os impeçam de assimilar seus direitos diante de Deus.

Tal declaração vai de encontro ao ensino bíblico quanto aos dons espirituais, e aparentemente, tem como alvo evitar que o poder de curar seja exercido por outros que não os líderes da IURD.

                    Dons de milagres

Macedo acredita na contemporaneidade do dom de milagres, e mais especificamente, que este dom se manifesta na IURD, "que sobrevive exclusivamente pelas operações de maravilhas realizadas pelo Espírito Santo, através de seus servos". Essa abordagem justifica, no pensamento da IURD, a centralidade dos milagres em sua liturgia, já que, também, para Macedo, "todos os demais dons do Espírito Santo estão incluídos neste dom [de operar milagres]".

Macedo corretamente dá como exemplos de milagres os grandes eventos bíblicos como a travessia do Mar Vermelho, a queda das muralhas de Jericó, a água da rocha em Refidim, as águas do Jordão partidas ao meio, o sol e a lua detidos, Elias faz descer fogo do céu, a água transformada em vinho, a tempestade acalmada, Jesus andando sobre as águas, etc. Em seguida, afirma: "Um grande exemplo deste dom [de milagres] realizado atualmente é o caso da Igreja Universal do Reino de Deus." Existe, porém, uma discrepância radical entre os milagres bíblicos mencionados por Macedo, e os "milagres" da IURD, para que se possa concluir que o dom de milagres mencionado nas Escrituras esteja em operação ali.

As crenças e práticas da IURD examinadas aqui são suficientes para que vejamos que se trata de uma igreja onde tem havido grande mistura de verdade e erro.

                          Cosmovisão

Entendemos que a raiz das crenças e práticas da IURD que são contrárias ao Evangelho é a sua cosmovisão, isto é, sua maneira pela qual percebe e entende o mundo ao seu redor. Esta cosmovisão, por sua vez, é fruto de sua hermenêutica falha.

A cosmovisão da IURD é a de um mundo povoado de demônios e anjos maus, que estão procurando achar as mínimas brechas para se apossarem das vidas das pessoas (crentes e descrentes). Macedo, por exemplo, atribui à atividade demoníaca a destruição dos lares e do casamento, a prostituição, o homossexualismo, as enfermidades como epilepsia, AIDS, e feridas incicatrizáveis. Afirma Macedo que "toda sorte de miséria e desgraça, até o desemprego, é sintoma da ação do diabo".

O ensino bíblico é claro, que Satanás ronda os cristãos como leão faminto, e que seus demônios procuram, sempre que possível, nos assaltar, tentar, afligir, e nos levar ao pecado. Biblicamente, porém, espíritos malignos não são a única explicação para os males que ocorrem no mundo. Aviões podem cair, furacões podem destruir, pessoas podem ficar doentes, tomar decisões erradas em suas vidas, estragar seus casamentos, sem que necessariamente haja demônios diretamente responsáveis por estas coisas. Vivemos num mundo decaído, que geme e suporta dores, debaixo do cativeiro da corrupção, por causa do pecado do ser humano (Rm 8.18-25). É uma distorção do ensino bíblico atribuir exclusivamente aos demônios os males que acometem a humanidade.

O modo pelo qual a IURD encara os males do mundo deságua inevitavelmente nos ministérios de "libertação", onde Satanás tem se tornado o centro.  Mas há tanta ênfase aos demônios, ao exorcismo, à libertação de males supostamente produzidos por demônios, que quase só falam, pregam, e escrevem sobre isso. As grandes e principais doutrinas das Escrituras são relegadas a plano secundário.

É claro que a cosmovisão da IURD assemelha-se mais à do antigo mundo pagão, do que à da cosmovisão bíblica. No paganismo grego, influenciado por Homero e pelas religiões de mistério oriundas da Mesopotâmia, Frígia, Egito e Síria, deuses e demônios infestavam o mundo, e o cotidiano; a vida e o destino das pessoas dependiam de seus relacionamentos com essas entidades.

Da forma como alguns líderes da IURD enfatizam e descrevem o poder de Satanás e de seus demônios, tem-se a impressão que, na prática, eles acreditam que estes espíritos têm poder quase igual ao de Deus, muito embora o neguem em seus discursos. Esse ressurgimento do dualismo dentro de círculos evangélicos faz parte do maciço retorno ao paganismo que caracteriza a sociedade ocidental moderna.

Existe assim o risco do retorno à Igreja do Maniqueísmo, uma heresia antiga, rejeitada pela Igreja no início da sua história, que ensinava que o mundo é regido pelo embate de duas forças cósmicas iguais, porém opostas entre si, o bem e o mal, um dualismo entre as forças das trevas e as forças da luz. A Igreja rejeitou e condenou as idéias do Maniqueísmo, pois são contrárias ao ensino bíblico de que Deus é o Senhor absoluto do universo, e que Satanás é apenas uma das suas criaturas, totalmente debaixo do seu controle.

                 Possessão de cristãos

A forma em que o mundo é visto pelo líderes e pregadores da IURD, sua cosmovisão, dá lugar à crença na possessão de cristãos por demônios. Este pensamento é claro no livro Orixás, Caboclos & Guias: Deuses ou Demônios no capítulo 15, "Crentes endemoninhados?" Macedo afirma claramente que o capítulo é fruto de sua observação:

Este capítulo não existira se eu não tivesse visto constantemente pessoas de várias denominações evangélicas caírem endemoninhadas, como se fossem macumbeiras, ao receberem a oração da fé.

Macedo não oferece nenhum texto bíblico argumento para comprovar tal doutrina. A sua observação de casos, como citado no parágrafo acima, é a base da sua crença (a agenda determina a credenda). Segundo ele é um estado e não uma condição. Este estado depende do homem cristão e do que ele faz com sua vida com relação ao pecado, ou seja, o cristão pode estar num estado de vida em que a proteção divina contra as investidas do diabo é suficiente para evitar a sua possessão. Nesse caso, diz Macedo "não há lugar para nenhum demônio em seu corpo ou em sua mente. Isso, entretanto, é um estado e não uma condição." Dependendo de sua conduta, entretanto, este estado é alterado e o crente abre as portas para a possessão. O caráter definitivo da obra de Cristo e do Espírito de DEUS na vida do cristão são completamente ignorados. Dentro desta perspectiva a obra de Cristo tem caráter provisório, não definitivo, e deixa o pecador resgatado sujeito à sua própria vontade e sujeito, em última instância, a toda investida de Satanás, inclusive a possessão. Para Macedo, até mesmo o crente que foi batizado com o Espírito Santo (segundo o conceito pentecostal de batismo com o Espírito Santo como uma segunda bênção) pode sair deste estado e vir a ser possessa.

              Maldições hereditárias

Como parte de sua cosmovisão, a IURD ensina o que ficou conhecido como "maldições hereditárias", ou seja, a idéia de que existem espíritos familiares que acompanham as gerações de uma família, causando-lhes sempre os mesmos males e infortúnios. Afirma Macedo:

Existe um espírito que só atua na destruição do lar. É o chamado espírito familiar. Você pode verificar isso a partir das etapas que o casal enfrenta na vida. Esse espírito normalmente vem dos pais. Se eles são divorciados, o mesmo espírito que destruiu o lar dos pais vai tentar o lar dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Isso é uma herança maldita... [o espírito familiar] passa de pai para filho por todas as gerações, até que a pessoa tenha um encontro com Jesus. Aí, corta-se a maldição.

Embora possamos concordar com Macedo que "um encontro com Jesus" (entendido como conversão) quebre todas as maldições que pesavam sobre a cabeça de um pecador, rejeitamos a idéia de que hajam espíritos que se transmitam de pais para filhos;  Jesus Cristo pode removê-las pois foi feito "maldição" em nosso lugar (Gl 3.13).

                   Ceia do Senhor

A IURD ensina uma doutrina estranha quanto à Ceia do Senhor. De acordo com Macedo,

[a carne de Cristo] atraiu todas as nossas doenças e enfermidades. Conseqüentemente, nós não mais precisamos ficar doentes. Satanás não tem mais direito de exercer domínio sobre nosso corpo físico, porque este tem a natureza do Senhor Jesus, pela fé, na participação do pão da Santa Ceia.

Macedo ainda afirma que, na Ceia, Cristo confere a sua própria saúde física ao que participa do pão pela fé:

Quando o Senhor Jesus determinou que o pão abençoado e partido para os Seus discípulos era o Seu corpo, estava mostrando o real sentido da Sua vida física, isto é, Seu vigor e Sua saúde, partidos em favor de todos que O aceitam, tal qual Salvador, afim de que venham as ser participantes de Sua própria natureza, gozando de Sua saúde física.

Macedo conclui que assim como o corpo de Jesus dá saúde física, seu sangue dá saúde espiritual. Ele afirma:

Podemos considerar que, da mesma forma pela qual o corpo do Senhor Jesus, simbolizado pelo pão, nos dá a total saúde física, também o seu sangue, simbolizado pelo vinho, nos dá a saúde espiritual.

Macedo afirma ainda que a Ceia anuncia, entre outras coisas, os milagres extraordinários do Senhor, suas curas, e sua vitória sobre os demônios.

Fica claro que o conceito da IURD sobre a Ceia é radicalmente controlado pelas distorções da sua cosmovisão. Longe de "representar Cristo e os seus benefícios, e nosso interesse nele", a Ceia na IURD torna-se primariamente (embora não exclusivamente) um meio de se alcançar saúde, cura e benefícios materiais.  

                          Batismo

Macedo acredita que a perfeição cristã é introduzida após as águas batismais. Para ele, no batismo a velha natureza é crucificada, já que "não podemos ficar com duas naturezas, uma pecaminosa e outra convertida".

Macedo ensina que, os que são batizados por imersão,

... automaticamente, sem forçar a sua vontade, deixam de praticar atos pecaminosos. Por maior que seja o seu "mau gênio", ela, pelo batismo, se torna a pessoa mais dócil e humilde deste mundo. . . Também aquelas pessoas que não conseguiam largar o vício, após terem aceito o Senhor como seu Salvador pessoal, e terem se batizado, instantaneamente, e espontaneamente o abandonam.

Macedo rejeita o batismo infantil argumentando que batismo pressupõe, necessariamente, arrependimento. E conclui: "De que maneira uma criança vai se arrepender de seus pecados, se ela não os têm?" Evidentemente uma criança não pode arrepender-se de seus pecados, mas não porque não os tenha. Macedo aqui parece crer na inocência ou pureza natural das crianças. 

Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito de seus pecados foi imputado aos seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede, por geração ordinária (ver Sl 51.5; 58.3). (CFW, 6:2,3).

O ensino da IURD sobre os pontos acima representam uma degeneração do ensinamento bíblico sobre os sacramentos.

                  Dízimos e ofertas

O sistema e método da arrecadação de dízimos e ofertas é um outros aspecto da vida da IURD que consideramos uma desfiguração do ensino bíblico da mordomia cristã. A idéia que é passada em seus cultos, escritos, programas, concentrações, é que as bênçãos de Deus, quer materiais (prosperidade, saúde, emprego, bens materiais) ou espirituais (libertação e cura, por exemplo) serão derramadas sobre o fiel em proporção ao tamanho da oferta dada. Embora Macedo procure se referir à oferta dos fiéis como uma demonstração de amor a Deus, está ausente o conceito bíblico de que os crentes devem contribuir para a causa do Evangelho e sustento dos pobres e necessitados, sem visar recompensas divinas ou humanas. Indagado acerca da fundamentação teológica para a insistência da IURD em recolher dinheiro de seus fiéis, e se quanto mais dinheiro alguém der, maior será a bênção recebida de Deus, Macedo respondeu, após citar 2 Coríntios 9.6:

Eu ensino isso às pessoas. De acordo com o tamanho da fé, a pessoa faz a oferta. Para que alguém alcance as riquezas de Deus, é preciso manifestar uma fé. A fé no Deus vivo é o melhor investimento que uma pessoa pode fazer na vida.

E comentando o crescimento da IURD (em 1995), afirmou:

Por que a Universal cresce? Porque está trazendo benefícios para as pessoas. Caso contrário, a igreja desapareceria. As pessoas estão recebendo. A IURD identifica a prosperidade financeira como sendo um sinal evidente das bênçãos de Deus sobre a vida de alguém. A transformação que Deus opera nas vidas das pessoas é entendida em termos de cura da AIDS, cura de paralíticos, restauração de casamentos, sucesso financeiro, etc. Estão ausentes os conceitos evangélicos de reconciliação com Deus, perdão de pecados, e adoção, entre outros.

Embora reconheçamos que nas Escrituras existem promessas divinas de retribuição material aos que contribuem generosamente para os pobres, necessitados, e para a causa do Reino de Deus, apontamos para o fato de que, muito mais do que a fé e a quantia de quem dá, a ênfase recai sobre o propósito e a intenção do doador em dar livremente, sem nada esperar em troca. O verdadeiro ofertante não está interessado no que Deus lhe possa dar, mas em agradá-lo, em fazer outros felizes, em fazer o bem, praticar boas obras. Na pregação da IURD, existe forte ênfase no aspectoretributivo, criando em seus membros uma mentalidade de troca com Deus. Consideramos este aspecto uma desvirtuação do ensino bíblico, especialmente porque abre as portas para a manipulação dos fiéis quanto às suas ofertas.

O dinheiro, na teologia da IURD, ganha quase que um status sacramental. Segundo Macedo,

O Espírito Santo nos faz compreender que o dinheiro, na Sua obra, é o sangue da Igreja do Senhor Jesus Cristo, pois que ele, através de um meio qualquer de divulgação, faz pessoas receberem a vida eterna dentro de um hospital, lar, presídio, etc.

Para Macedo, bilhões vão passar a eternidade no inferno "porque não houve quem financiasse, através dos seus dízimos e ofertas, o trabalho missionário".

O dinheiro, na visão de Macedo, torna-se a maneira pela qual a Igreja pode prová-lo de forma exclusiva, tal sua importância.

A validade do dízimo como forma neo-testamentária de contribuição como propagado pela IURD, não difere do ensino de muitas igrejas protestantes históricas e pentecostais. Entretanto, enquanto que algumas delas insistem no aspecto liberal e desinteressado do dizimista, Macedo enfatiza que as ofertas e dízimos são a chave que abre os tesouros da graça e do poder divinos. Diz Macedo:

Quando pagamos o dízimo a Deus, Ele fica na obrigação (porque prometeu) de cumprir a Sua palavra, repreendendo os espíritos devoradores que desgraçam a vida do ser humano, atuando nas doenças, acidentes, vícios, degradação social, e em todos os setores da atividade humana, os quais fazem o homem sofrer. Quando somos fiéis nos dízimos, além de nos vermos livres destes sofrimentos, passamos a gozar de toda a plenitude da Terra, tendo Deus ao nosso lado, nos abençoando em todas as coisas.

Macedo revela falta de compreensão do relacionamento pactual entre Deus e o homem, quando afirma que Deus deseja ser nosso sócio, e que nesta sociedade, o que é nosso passa a ser de Deus ("nossa vida, nossa força, nosso dinheiro"), e o que é de Deus ("as bênçãos, a paz, a alegria, a felicidade") passam a nos pertencer.

Percebe-se ainda uma notável semelhança entre a IURD e a Igreja Católica medieval no que tange às tentativas de se obter a graça de Deus através de esforços humanos: naquela época, pela compra das indulgências; "a compra do sucesso através das intermináveis correntes de prosperidade que demandam do fiel que doe dinheiro em cada culto, sob pena de não alcançar a bênção".

                 Uso de objetos ungidos

A prática pastoral da IURD, em muitos aspectos, também justifica nossa preocupação com a sua descaracterização como igreja cristã. 

O uso dos elementos mágicos dos cultos e das superstições populares do Brasil, entre eles o sal grosso (para afastar maus espíritos), a rosa ungida (usada nos despachos e nas oferendas a Iemanjá), a água fluidificada (usada por credos espiritualistas a fim de trazer a influência espiritual para o corpo humano), fitas e pulseiras (semelhantes na sua designação às fitas do chamado Senhor do Bonfim), o ramo de arruda (usado para afastar coisas más) e uma quantidade enorme de apetrechos aos quais se empresta [sic] supostos valores espirituais que podem ser passados por seus usuários.

Estes objetos mencionados acima (e outros) são empregados pela IURD em sua "batalha espiritual" contra os demônios, dentro da sua convicção de que todos os males existentes no mundo são por eles produzidos. Teoricamente, a IURD não parece crer que exista qualquer poder intrínseco nos mesmos; estes objetos são vistos como "pontos de contato" que têm como alvo "despertar a fé" das pessoas. Mas na sua praxis litúrgica, a idéia é outra:

Muitas pessoas dizem que a angústia e brigas em casa são coisas da época que vivemos. Isso é falso. São coisas resultantes da presença dos demônios. As vezes querem ir à Igreja,. Mas na hora de ir perdem a coragem ou acontece alguma coisa. Tudo o que impede as pessoas de ir à igreja é demônio. Venha, vamos ungir o seu pé direito e desamarrar a sua vida.

Participe da campanha da arruda contra os maus espíritos na última sexta feira do mês. Temos a oração de descarrego com arruda, uma oração forte, muito forte, para a sua vida.

Venha receber o pão da cura, o pão da bênção, o pão do Espírito. Leve um pedaço de pão para um doente. Ele vai ser curado!

Venha à Igreja Universal receber uma fita para colocar no seu braço. Você que hoje está com uma fita vermelha venha na próxima semana receber uma fita azul, em que está escrito: persegui os meus inimigos e só voltei depois que os esmaguei. Venha, pois no domingo você vai receber a fita azul, em todas as igrejas Universal. Largue a fita do Senhor do Bonfim, dos santinhos, e venha receber a nossa fita azul, da cor do céu.

A IURD não somente emprega práticas pagãs supersticiosas; usa também a nomenclatura do baixo espiritismo para se referir às entidades espirituais malignas. Enquanto que as Escrituras silenciam quanto aos nomes dos demônios, mencionando apenas por nome o líder deles, Satanás, a IURD se utiliza da nomenclatura afro-brasileira dos deuses da Umbanda para dirigir-se aos demônios, identificá-los e eventualmente expulsá-los. "Tranca ruas", "pomba gira", "exús", "caboclos", "preto velho", etc., são nomes normalmente empregados nos cultos de libertação.

Contrariando o ensino bíblico do culto ao Deus vivo em espírito e verdade, e introduzindo elementos, nomenclatura e conceitos pagãos na sua liturgia, a praxis da IURD representa uma desfiguração e deformação do culto evangélico, terminando por praticar de outra forma a superstição e a ignorância religiosa que condena no catolicismo e espiritismo brasileiros.

                                           Expulsão de demônios como principal ministério

Uma outra corrupção prática da IURD decorre da sua doutrina fundamental de que todos os males que acometem as pessoas, a sociedade, a Igreja, e os cristãos individualmente, são produzidos diretamente por demônios, os quais se instalam nas vidas destas pessoas (crentes ou descrentes) e nas estruturas sociais, políticas e econômicas. Em decorrência, para a IURD, a estratégia principal da Igreja para ajudar as pessoas é sempre confrontar e expelir essas entidades malignas. Esta visão do mundo e da missão da Igreja é uma característica distintiva da IURD, e de outras igrejas que adotam a "batalha espiritual".

No pensamento da IURD, em sua ação pastoral, missionária e evangelística, a Igreja deve sempre empregar o método de expulsão de demônios para libertar as pessoas e a sociedade destes males. Concordamos com D. Powlison, em sua crítica ao movimento de "batalha espiritual", ao afirmar que o que está por detrás dos ministérios de libertação individual é a crença equivocada de que "os demônios do pecado residem dentro do coração humano". A característica principal dos modernos movimentos de "libertação", entre eles a da IURD, é a expulsão de demônios, o que caracteriza uma profunda distorção do ensino bíblico sobre a prática pastoral. O livro de Macedo, Orixás, Caboclos & Guias: Deuses ou Demônios se propõe a esclarecer este "ministério", ensinando inclusive, como se deve agir na "missão de ajudar as pessoas a se libertarem".

Fonte:  Textos da Reforma -  Franklin Ferreira.

 

 Principáis Erros Doutrinários da Igreja Universal do Reino de Deus, de acordo com a Bíblia Sagrada:

- Imortalidade da Alma: I Tim. 6:15,16, Gen. 2:7, Ex. 12:7, Jó 27:3, Sal. 146:4, 6:5, 115:17, Joa. 11:11-14;

- Santidade do Domingo: Gen 2:1-3, Ex. 20:8-11, Eze 20: 12,20, Luc. 4:16, Mat.24:20, Atos 13:42-44, Apoc. 1:10, Mat 12:8, Luc. 6:5, Is. 66:22,23; Heb 4:4-13;

- Falar em línguas estranhas: I Cor. 12:21, I Cor. 12:27-31, I Cor 13:1-2, Atos 1:6-8, I Cor 14:22, Atos 2:4 -11, I Cro 14: 26 - 27, I Cor 15:28, Atos 5:32, Joa 14: 15 -16;

- Milagres, Curas e Maravilhas: Apoc. 16: 13-14; Apóc. 19:20; Mat. 7:21-23; Mat;24:24; Deut. 13:1-3; Is. 8:20; Luc. 16:31;

- Efetivamente Satanás tem poder para operar milagres: Apoc. 13:14; II Tes.2:9-11; Is. 8:20; Mat. 7:21.

 

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