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O QUE É O RACIONALISMO CRISTÃO?
 

Por Natanael Rinaldi

INTRODUÇÃO

Racionalismo Cristão (RC) é um grupo religioso formado do espiritismo kardecista no Brasil. Enquanto no espiritismo kardecista se dá lugar ao curandeirismo, o RC se distingue dele pela não aceitação de qualquer tipo de manifestação sobrenatural no campo das chamadas curas psíquicas. Afirma que não admite o sobrenatural nem o misticismo. De certo modo, o RC não passa de um espiritismo com as práticas e ensinos fundamentais do kardecismo, apenas com nova nomenclatura.

Auto definindo-se, assim declara, "Ao Racionalismo Cristão cabe uma grande e sublime missão, ainda que bem árdua e por muitos não compreendida: restabelecer a Verdade e reimplantar os magníficos ensinamentos de Jesus na Terra."
 

Tentando justificar o título de cristão, freqüentemente se vale do nome de Cristo para dar consistência de se tratar um grupo religioso autenticamente cristão. Então lemos mais: " O RACIONALISMO CRISTÃO explica que Cristo não foi um 'milagreiro', mas apenas se utilizou das leis naturais e imutáveis que regem o Universo."
 

Justificando o título Racionalismo, assim explica a razão desse vocábulo ao lado da palavra Cristão, dizendo: "Sempre ensinamos no RACIONALISMO CRISTÃO que ninguém deve agir na vida sem antes raciocinar, mesmo nas coisas mais insignificantes, nem tomar resoluções, por menores que sejam, sem submeter o assunto a análise do raciocínio."(Ibidem)
 

Diz mais: "Ele assenta seus princípios não na 'fé', mas no raciocínio no entendimento racional da vida, procurando emancipar a criatura humana do fanatismo, preconceitos e superstições." (Ibidem)

No estudo do RC iremos verificar a procedência das palavras de Paulo, quando afirma: " Ora o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (1 Co 2.14) Quando o homem natural usa o seu raciocínio para entender as coisas espirituais, estas lhe parecem loucura e então os absurdos surgem como no seu ensino básico de "serem Força e Matéria os dois únicos princípios de que se compõe o Universo. " Dois únicos princípios- afirmam- Força e Matéria (espírito e corpo), excluindo de suas cogitações a idéia na existência de Deus como o Criador dessa força e matéria.(Gn 1.1) A propósito diz o mesmo Paulo em Rm 1.22: "Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos."

HISTÓRIA

Em 1910, Luiz José de Mattos e Luiz Alvez Thomaz, portugueses e comerciantes bem sucedidos, radicados em Santos, verificando ser a Doutrina Espírita, praticada no Brasil, mal compreendida e deturpada, resolveram fundar um Centro para estudo e prática do Espiritismo, alugando para tal fim, um sobrado à Rua Amador Bueno, 190, em Santos.
 

Assim, em 26 de janeiro de 1910, na referida casa, realizou-se a reunião para elaborar o Estatuto, eleger diretoria e escolher o nome que deveriam dar ao Centro, o qual ficou sendo Centro Espírita Amor e Caridade. Em virtude do crescimento da obra, Luiz de Mattos e Luiz Alves Thomaz resolveram construir uma sede própria e no dia 21 de junho de 1912 deu-se a inauguração. A data de 21 de junho fora escolhida alegremente para a inauguração por ser o dia da desencarnação do Patrono São Luiz Gonzaga.
 

Em 1916 todos os Centros praticantes da Doutrina Racionalista Cristã se filiaram ao Centro Redentor do Rio de Janeiro, presidido por Luiz de Mattos. A palavra Racional foi introduzida em 3 de fevereiro de 1946 por obra de Antônio do Nascimento Cottas, tomando a designação atual de Racionalismo Cristão. Como afirmam, o berço do racionalismo cristão se deu na cidade de Santos. Para esses espíritas racionalistas, Luiz de Mattos foi um profeta; afirmam até que ele 'foi maior que o próprio Cristo' e o 'mestre dos mestres.' (Crenças, religiões, igrejas, & seitas: quem são?,p. 117)

OBRAS BÁSICAS

Indicam como obras básicas para todos aqueles que quiserem familiarizar-se com as doutrinas do RC os livros:
RACIONALISMO CRISTÃO
PRÁTICA DO RACIONALISMO CRISTÃO
A VIDA FORA DA MATÉRIA
CARTAS DOUTRINÁRIAS
ESCOLA ESPIRITUALIZADORA

RELIGIÃO SIM OU NÃO?

Seguindo a mesma linha de raciocínio do espiritismo Kardecista, o RC nega sua condição de religião ou seita religiosa.
 

"Por não ser religião, mas escola espiritualizadora, não possui esta doutrina deuses nem adoradores."(Racionalismo Cristão, p. 63). Afirma mais que não combatem as religiões mas somente combatem os erros das religiões. Para justificar sua condição de não ser uma religião, declaram:
"A Doutrina Racionalista Cristã, portanto, é apenas uma filosofia de cunho espiritualista, sem nenhuma conotação de caráter religioso, místico e sobre-natural. Nela não há lugar para mistérios, nem dogmas, nem milagres, pois tudo no universo, tudo na vida, tem explicação racional e científica."(O Que é o Racionalismo Cristão,folheto) Para amenizar suas declarações atrevidas, entretanto, afirmam que o RC "ensina a respeitar todas as religiões, bem como a maneira de pensar dos semelhantes."(Ibidem )
Procuram porém alertar que ter qualquer sentimento religioso, não passa de tolice. Afirmam que o RC ajuda as pessoas a se "desfazer e libertar, à luz da razão, de seculares erros, preconceitos, crenças e crendices, fanatismos e sectarismos religiosos." (Ibidem)

CONCEITOS RELIGIOSOS

Embora oficialmente procurem demonstrar que o RC não é uma entidade religiosa, não deixam de emitir conceitos religiosos. E, quando vamos considerar os conceitos religiosos dos espíritas racionalistas, não devemos estranhar suas declarações absurdas e até blasfemas, sabendo de quem parte esses ensinos. Os espíritas racionalistas explicam a origem dos seus ensinos.

ESPÍRITOS ENGANADORES

Falando sobre as dezessete classes de espíritos que fazem sua evolução aqui na terra, considerada por eles um mundo escola, dizem: "Milhões de outros, de igual categoria, embora não encarnando, se dedicam - principalmente por intermédio das Casas Racionalistas Cristãs - a auxiliar astralmente o progresso dos seus semelhantes menos evoluídos, encarnados neste planeta." (Racionalismo Cristão, p. 75) Se milhões desses espíritos se dedicam, por meio das casas racionalistas cristãs a auxiliar astralmente o progresso de seus semelhantes, quem são eles e o que podemos esperar desses milhões de espíritos? O que eles podem fazer em se tratando de quem são? Os racionalistas cristãos não ignoram a natureza desses milhões de espíritos.

Dizem deles: "A perversidade com que podem agir os espíritos do astral inferior, é quase ilimitada." (Ibidem, p. 122) Informam mais sobre eles: "Como os espíritos do astral inferior não ignoram que todos os seres possuem mediunidade intuitiva, dela se aproveitam para incutir no mental dos mesmos idéias absurdas e disparatadas."(Ibidem, p. 123). Ora, nós sabemos, à luz da Bíblia, que nossa luta espiritual não é contra o sangue e a carne, mas contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais: "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais."(Ef 6.12) Na análise dos ensinos desse grupo religioso, verificaremos que se tratam de sutis ensinos de demônios apontados por Paulo em 1 Tm 4.1: "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a d doutrinas de demônios."

Considerando que o RC se propõe restabelecer "os magníficos ensinamentos de Jesus na Terra" é lógico admitir que precisamos examinar onde se encontram esses "magníficos ensinamentos" para confrontá-los com os ensinamentos do RC para sabermos se realmente procede essa afirmação. Nada melhor para isso do que examinarmos a Bíblia onde se acham, fidedignamente, os ensinamentos de Jesus. E, sem dúvida nenhuma, esses ensinamentos estão exarados nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. O próprio Jesus se referiu a esses ensinos dizendo: " Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."(Jo 8.3l,32). O RC ensina a remissão de pecados pela morte e ressurreição de Cristo na cruz? Certamente que não! Esses ensinos bíblicos são ridicularizados. Permanecer nos ensinos de Jesus, registrados na Bíblia, é conhecer a verdade que liberta. Enquanto falam dos magníficos ensinos de Jesus e, como dissemos, eles se encontram na Bíblia, na parte denominada Novo Testamento, os da RC falam da Bíblia com desdém, com escárnio como se ela tivesse sido adulterada e não merecesse o menor crédito. Que incoerência! Falam dos magníficos ensinos de Jesus e ao mesmo repelem o livro no qual esses ensinos se encontram. 

BÍBLIA

Falso

"Na Bíblia, todos o sabem, foram alterados diversos textos originais, com o fim de favorecer a um vantajoso sistema capaz de propiciar fundos suficientes para o sustento da legião sacerdotal, mantenedora do sistema." Para provar a alteração de textos originais é citado o seguinte: "Durante muitos séculos... as seitas religiosas que introduziram na Bíblia este versículo repleto de malícia: 'Bem-aventurados os pobres de espírito, porque dos tais é o reino dos céus."(Racionalismo Cristão, p. 59,60) Para justificar sua rejeição qa Bíblia e que como tal deve ser repelida se alega "textos originais" alterados; fala-se da Bíblia nos seguintes termos "Veja-se como esta revelação da vida (os ensinos racionais), transmitida ao conhecimento humano, é diferente da que as sectaristas apresentam, cheia de incoerências, absurdos e contradições, porque baseada nas sandices bíblicas..."(Ibidem, p. 163)

Verdadeiro

Quem diria, o texto de Mt 5.3 é espúrio! Alguém já leu algo de Mt 5.3 ser um texto espúrio? Qual o erudito no grego que apontou esse texto como espúrio? Afirmação própria de alguém que desconhece inteiramente do que está falando. É realmente um "versículo repleto de malícia"? Ser pobre de espírito significa ser cônscio de sua necessidade espiritual e não petulante como os espíritas racionalistas . Enquanto afirmam que esse texto é espúrio, perguntam: "Por que Jesus, o Cristo, ensinava: 'Não as faças que as pagas?'" Alguém que conheça a Bíblia já leu isso alguma vez, Jesus dizendo: "Não as faças que as pagas"? Os racionalistas cristãos deviam pelo menos ler uma vez a Bíblia antes de começaram a falar dela. Falam do que não entendem. Deviam ser mais cristãos e menos racionalistas. Que incoerências registra a Bíblia? Quais são os absurdos e contradições? Onde encontramos "sandices" na Bíblia? Ao contrário dessas afirmações absurdas e não provadas, devemos ter presente o que diz Hb 4.12: "Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração." Da forma como Jesus se dirigiu aos seus contemporâneos dizendo: "Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus."(Mt 22.29), nós podemos afirmar para os racionalistas que eles falam da Bíblia sem conhece-la. Disse mais Jesus "Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens." (Mt 15.8,9) Se fosse preceito dos homens os ensinos dos racionalistas ainda não seriam tão perniciosos, mas podemos ir um pouco além e dizermos que se tratam de ensinos de demônios.

DEUS

Falso

"Na bíblia, no Velho Testamento - livro sagrado e intocável para tantos adoradores - existem várias referências ao deus de temperamento iracundo e vingativo da época. Esse vergonhoso sentimento, especialmente em um deus, nada mais é do que o reflexo do sentimento do próprio povo que o imaginou." Racionalismo Cristão, p. 53)
Continuando nas suas afirmações arrogantes, atrevidas, blasfemas, entendem que manifestar crença na existência de um único Deus verdadeiro não passa de atraso espiritual: ai". "Os que hoje rendem culto a um deus abstrato, acharão - ao cabo de tantas encarnações quantas precisarem para atingir o necessário esclarecimento - tão tolo esse culto, quanto ridícula os civilizados entendem, agora, ser a idéia, que também já alimentaram, de adorar deuses representados por elementos da natureza ou animais inferiores." (Ibidem, p. 53)E, por fim, chegam ao cúmulo da blasfêmia em falar de Deus como "o hipotético deus-pai(Ibidem, p. 75)
"O Racionalismo Cristão substituiu a palavra 'deus' por termos mais condizentes e adequados à realidade, tais como Força Universal, Força Criadora ou Grande Foco, do qual fazemos parte integrante como partículas em evolução, possuindo, em estado latente, todos os atributos, poderes e dons dessa Força, dessa Inteligência Universal. O Grande Foco ou Força Universal ocupa todo o Espaço infinito, não existindo um só ponto no Universo que não acuse a sua presença vital, inteligente e criadora. Assim, o racionalismo Cristão, evidentemente, não admite a idéia de Deus como terceiro elemento no Universo, além de Força e Matéria."(O que é o Racionalismo Cristão, folheto)

Verdadeiro

O racionalismo considera um atraso intelectual a crença na existência de um Deus pessoal. Cabe muito bem aqui as palavras bíblicas de Paulo, "Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos". Deveriam eles antes de escrever tais absurdos, ler Is 45.9: "Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? Ou a tua obra: Não tens mãos?" Se não bastar tal texto bíblico pode ser lido Dn 4.35: "Não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?" Se crer num Deus pessoal é atraso intelectual, por que lemos ao contrário na Bíblia, que o ateísmo sim é um atraso mental? Lemos no Sl 14.1, "Disse o néscio no seu coração: Não há Deus." Dizendo que "O Racionalismo Cristão... assenta seus princípios não na 'fé' mas no raciocínio" se coloca ele totalmente contra o modo pelo qual podemos declarar nossa crença na existência de Deus. "Ora, sem fé é impossível agradar-lhe (a Deus); porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam."(Hb 11.6) Pior do que os demônios é a crença dos espíritas racionalistas, porque, enquanto os demônios crêem que Deus existe e estremecem na sua presença (Tg 2.19), os adeptos desse grupo religioso zombam da crença na existência de um Deus pessoal e transcendente ao próprio universo criado por Ele. Paulo não era assim tão atrasado intelectualmente e, no entanto cria que Deus é o Criador do Universo e que dependemos dele até para a nossa respiração (At 17.24-31)
Os racionalistas cristãos chegaram muito tarde para fazer afirmação tão absurda da inexistência de um Deus pessoal. Existe uma crença universal na existência de Deus, que não pode ser desprezada. Paulo se refere a essa crença universal na existência de Deus em Rm 1.19-21,28.
A personalidade de Deus é contrária ao panteísmo ensinado pelo espiritismo racionalista que fala de Deus como "o Grande Foco, Força Universal que ocupa o Espaço infinito". Esse conceito é também denominado monista panteísta. Ao contrário, Deus é um ser que revela autoconsciência ao dizer: "EU SOU O QUE SOU" Em Ex 3.14 se lê: "Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros."

ORAR E ADORAR

Falso

"Almas libertas da escravidão sectárica, os estudiosos do Racionalismo Cristão aprenderam a confiar em si mesmos, na sua capacidade espiritual e no poder da vontade para lutar e vencer. Não são, por isso, adoradores, nem pedinchões, nem lamuriosos, nem farrapos mentais. Ibidem, p. 63)

Verdadeiro

Quanta altivez religiosa: um homem, adorador do Deus vivo e verdadeiro e tido na linguagem de Jesus como aquele a quem Deus procura para adorá-lo em espírito e em verdade, é considerado pelos racionalistas como um "farrapo mental". Diz o profeta Jeremias: "Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor! Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor."(17.5,7) Não se pode negar que essa altivez religiosa dos espíritas é resultante do engano do seu coração: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?"(17.9)
Os racionalistas são, repetimos, mais racionalistas do que cristãos. Que tipo de cristianismo é esse que ensina a não adorar e nem orar? Jesus ensinou sobre a necessidade de orar, sempre orar e nunca desanimar (Lc 18.1) Com isso contou várias parábolas, destacando por fim: "E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á."(Lc 11.10,11)

PERDÃO

Falso

"Não existem perdões no plano espiritual nem deuses para perdoar." (Ibidem, p. 174) "Dentre os mais graves erros das religiões, ocupa lugar de destacado relevo o perdão para as faltas e, até mesmo, para os crimes cometidos por seus adeptos."( Ibidem, p. 60) "A mística do perdão para os crimes, falcatruas e prevaricações, não tem qualquer sentido na vida espiritual."(Racionalismo Cristão Responde, p. 136)

Verdadeiro

É conhecido de todos o episódio registrado em Jo 8.11,12 quando Jesus perguntou à mulher pecadora: "Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais." Como dizer que seguem os magníficos ensinos de Jesus e não ter lido na Bíblia sobre esse perdão tão magnânimo de Jesus ao dizer a mulher, "Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais." Será que os espíritas racionalistas não leram as palavras da Oração Dominical que ensina a pedir: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores"? (Mt 6.12) Será que o Racionalismo é mais racional do que cristão? Parece que sim. Estava Jesus errado, gravissimamente errado ao conceder perdão à mulher pecadora? Estava errado quando ensinou a orarmos e pedirmos perdão a Deus? Grave erro cometido por Jesus? E não foi essa a única ocasião em que Jesus outorgou perdão a alguém. Outra vez, sofreu até um protesto silencioso dos escribas e fariseus presentes, que julgaram, como os racionalistas, estar Jesus blasfemando ao declarar perdão a quem lhe procurara para apenas receber cura do corpo. " E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados." ... "Ora para que saibais que o filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa."(Mc 2.5,10,11)

REENCARNAÇÃO

Falso

"Porque negar a reencarnação?"

"Por que as religiões ocidentais tanto se empenham, tanto se obstinam em negar a reencarnação?"... "A resposta é fácil: reencarnação e salvação são idéias que se atritam, que se agridem, que se chocam, porque antagônicas e irredutivelmente inconciliáveis. Ora, no conceito de salvação - intimamente ligado aos favores do perdão - está, precisamente, a base em que se apóiam essas religiões." ... "Quando o indivíduo se convencer de que se praticar o mal, terá, inapelavelmente, de resgatá-lo; que numa encarnação se prepara para a encarnação seguinte... que não poderá contar com o auxílio de ninguém para libertá-lo das conseqüências das faltas que cometer e que terá de resgatar com ações elevadas - qualquer que seja o número de encarnações para isso necessárias - por certo pensará mais detidamente, antes de praticar um ato indigno."(Ibidem, p. 62)
"O espírito, quando encarna, isola-se do seu passado, esquecendo-se, por completo, das anteriores encarnações."((Ibidem, p. 94)

Verdadeiro

Uma das assertivas da doutrina reencarnacionista é que, para haver justiça, deve o homem resgatar as suas próprias faltas da existência em que vive e das existências anteriores. Ora, como isso pode dar-se se como ponto principal deve ele esquecer-se do seu passado, ou melhor dizendo, "das anteriores encarnações"? Que tipo de melhora pode ele obter se todo o passado de erros está esquecido. Em que ele falhou para melhorar nesta vida? Quando Jesus perdoava os pecadores, eles sabiam do que estavam se arrependendo e consequentemente abandonando seus erros passados. Paulo confessa seus erros do tempo da sua ignorância dizendo que tinha sido blasfemo, perseguidor e opressor, mas tinha alcançado misericórdia e afirmava então que não vivia mais para si, mas vivia para Cristo, chegando ao ponto de recomendar que o imitassem porque por sua vez imitava a Cristo (1 Tm 1.13; Gl 2.20; 1 Co 11.1). Pedro, quando negou Jesus, chorou amargamente (Mt 26.75). Como podem melhorar os tidos como reencarnados se não têm a mínima lembrança dos feitos da vida anterior ou anteriores? Melhorar no quê? Arrepender-se dos pecados da vida atual ou dos pecados das vidas anteriores? Quem rege a lei do carma para impor castigo ou recompensa se Deus não existe? Quem determina o que está certo ou errado desta vida e das vidas anteriores?

Até que enfim descobriram que, na verdade, reencarnação e salvação não se conciliam. Conceitos que se atritam, que se agridem. Concordamos plenamente com essa distinção entre reencarnação e salvação. Mas que soberba espiritual a dos espíritas recionalistas! Pensam em resgatar as próprias faltas! Com que? Com dinheiro ou com obras virtuosas mais sofrimentos? Se for com dinheiro é inútil porque a riqueza de qualquer mortal acabaria antes, dado que o resgate de uma alma é caríssimo (Sl 49.6-8). Se for com obras meritórias, então o negócio complica, porque nossas obras de justiça são como trapos de menstruação (Is 64.6) O conceito de reencarnação fala de salvação por esforços pessoais, tais como: arrependimento, boas obras e sofrimentos. É salvação obtida pelo homem, se não numa encarnação, em várias encarnações pensam ser isso possível para se atingir o estado de espírito puro. Agora, salvação no conceito bíblico não é fruto de esforço próprio. É favor imerecido de Deus como se lê em Ef 2.8-10. E por que? Porque o homem é incapaz de, por esforços próprios, conseguir a sua salvação. (Tt 2.11-13) Jesus, explicando sua missão à terra, afirmou que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20.28) Afirmou em casa de Zaqueu que veio buscar e salvar o que estava perdido (Lc 19.10). Ao instituir a Ceia e distribuir o cálice mencionou que o cálice era o seu sangue derramado para remissão de pecados (Mt 26.26-28). Toda a pessoa que recebe o perdão de Deus, pela sua fé na pessoa de Jesus Cristo, não continua no pecado. Os conselhos bíblicos nesse sentido são muito freqüentes (2Co 5.17; Ef 4.17-32; 5.3-16). Ora, a Bíblia fala de regeneração, que é a mudança das disposições íntimas da alma dentro de uma só existência (Jo 3.3,5) e não de reencarnação. Diz a Bíblia que o homem só passa por esta existência uma única vez e depois disso o juízo (Hb 9.27; Ec 12.7)

JESUS CRISTO

Falso

"Grandes espíritos, movidos por ideais reformadores, baixaram à Terra, encarnando, com enorme sacrifício, para ver se conseguiam a desbrutalização da mente humana que se deixara empolgar pelo sentimento do gozo e dos prazeres apenas materiais. Esses valorosos espíritos, porém, além de não haverem sido compreendidos, acabaram divinizados pela massa ignara, como aconteceu com Jesus, Buda, Confúcio e Maomé."
"Negarem a Jesus o valor, o mérito de haver conquistado a sua evolução espiritual à custa de grandes lutas, de trabalhos, de sofrimentos, de desencarnações e reencarnações, atribuírem as qualidades, a nobreza, os altos atributos que possui essa grande espírito ao privilégio de uma suposta filiação divina, é erro grave que cometem, além de demonstração lamentável ignorância relativamente à vida espiritual."
"No Brasil, e em muitos outros países, adora-se a Jesus. Não há entretanto, qualquer diferença, entre tais adoradores e os outros que se voltam para Buda, Confúcio e Maomé."
" Nenhum adorador é capaz de dissociar a idéia de adorar, da de pedir. A razão é óbvia:adorar e pedir são duas muletas iguais, para uma só invalidez mental."(Ibidem, 56,57,74)

Verdadeiro

· que de cristão existe no racionalismo? Sem dúvida, de cristão só tem o nome, pois não é possível, à luz igualar fundadores de religião como Buda (budismo), Confúcio (confucionismo) Maomé (islamismo) com a pessoa augusta e divina de Jesus Cristo. O evangelho de João começa com estas palavras: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade."(Jo 1.14) É ignorância, segundo os espíritas racionalistas, admitir que Jesus tinha filiação divina. No entanto, por duas vezes o Pai, do céu, proferiu palavras de reconhecimento de Jesus como Seu Filho, sendo uma no batismo de Jesus , quando disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo."(Mt 3.17) e outra no Monte da Transfiguração, quando repetiu as mesmas palavras. (Mt 17.5) Como ousam os racionalistas afirmar que crer na filiação divina de Jesus não passa de "demonstração de lamentável ignorância espiritual?" Termina João o seu evangelho e dá a razão de tê-lo escrito: "Jesus pois operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome."(Jo 20.31) Isso é ignorância? Como vemos, Jesus não era simplesmente um grande espírito que baixou à Terra. Ele existia na condição de Deus (Fp 2.6) e se humilhou tomando a forma de servo e achado na forma de servo foi até à morte e morte de cruz (Fp 2.7,8) para salvar a humanidade pela sua morte (Mt 20.28). Suas reivindicações o tornaram distinto de todos os demais reformadores religiosos. Declarou ser o caminho, a verdade e a vida, fora de quem ninguém entrará no céu. (Jo 14.6) Durante sua vida terrena recebeu adoração de certas pessoas na condição de Deus-homem e não como homem simplesmente (Jo 20.28), inclusive dos seus discípulos sem que em qualquer ocasião os tivesse repreendido por tal atitude. (Mt 14.33; 28.9,17; Jo 9.35-38) Como racionalmente alguém pode dizer que "adorar "e "pedir" " são duas muletas iguais para uma só invalidez mental. "? Adorar e orar são duas práticas que todos os seres humanos devem prestar a Jesus Cristo (Fp 2.9-11) Uns hoje o fazem voluntariamente, outros, como os racionalistas, um dia terão que prostrar-se aos pés de Jesus para isso fazer, embora hoje entendam ser muletas por causa de invalidez mental de quem assim o faz.

· MILAGRES

Falso

"Os deuses mitológicos, também fizeram milagres, na imaginação fantasista dos adoradores, e daí a autoridade e o prestígio que tiveram junto aos seus fiéis."(Ibidem, p. 59) Não há diferença sensível, por isso, entre os deuses milagreiros da mitologia, e os não menos milagreiros das variadas religiões atuais." (Ibidem, p. 59)

Verdadeiro

Admitir a existência de instituições religiosas falsas que fabricam milagres através de vários médiuns, que, a um só tempo, encarnam o Dr. Fritz fazendo curas espirituais e iludindo os incautos, isso é bem notório entre os brasileiros. Não negamos que isso realmente dá muito prestígio aos espíritas, notadamente em Uberada onde Chico Xavier tem uma grande clientela que vem receber suas mensagens psicografadas como se fossem de parentes mortos. Isso é um milagre falso . Isso - repetimos - não passa de imaginação fantasiosa dos adeptos do espiritismo Kardecista. Paralelamente também se ouve falar muito dos milagres dos orixás dos cultos afro-brasileiros nos centros de terreiro. Como exemplo de um culto sincretista é a entidade mitológica conhecida como Iemanjá dos cultos de Umbanda, e que rivaliza no culto católico com a Virgem Maria. Isso - não negamos - traz um prestígio enorme para os pais de santos e mães de santos espalhados por todo esse Brasil. Concordamos plenamente com essa crítica racionalista. Mas admitir que só existam falsos milagres e não existam verdadeiros, com tal assertiva não concordamos. Jesus, durante o seu ministério, realizou curas milagrosas em coxos, cegos, mancos, leprosos e até ressuscitou mortos como a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim, Lázaro, sepultado há quatro dias.( Mt 11.3-6; 9.18,25; Lc 7.11-15; Jo 11.40-45). E não podemos esquecer-nos de que Jesus é eterno, sendo o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb 13.8), podendo pois realizar através dos seus mensageiros milagres iguais (Mc 16.17; 1 Co 12.7-11).


CONCLUSÃO

Diante do exposto, fica patente que o Racionalismo Cristão não é nem uma coisa nem outra, ou seja, não tem nada de racional e muito menos de cristão. Ser cristão e afirmar que Jesus é igual a Buda, Maomé, Confúcio é revelar completa ignorância de quem é Jesus Cristo na declaração de Pedro em Mt 16.16, "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo."

A pergunta que perdura é: racionalismo ou obscurantismo?

Fonte: "Defesa da Fé"

        

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