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AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

O dicionário Aurélio define mentira como:

 1.Afirmar coisa que sabe ser contrária à verdade, dizer mentira(s);

 2.Errar no que diz ou conceitua;    

 3.Dar uma indicação contrária à realidade; induzir em erro; ser causa de, ou dar margem a engano, iludir;   

 4.Não revelar; ocultar, esconder.

O corpo governante [os líderes das TJs] explica a posição de Jeová sobre a mentira:

“Nosso criador, cujo nome é Jeová, odeia o mentir, conforme expressa claramente Provérbios 6:16-19 (...) Este Deus veraz exige de nós que vivamos segundo as suas normas para receber sua aprovação. (...) Os que se apegam a negar o hábito de mentir não lhe são aceitáveis; não receberão dele a dádiva da vida eterna. Deveras, o Salmo 5:6 diz francamente que Deus ‘destruirá os que falam mentira’.(...) De modo que aceitarmos o conceito de Deus sobre a mentira dá-nos um motivo forte para falar a verdade.” (a Sentinela, 15/12/1992,pág. 23) 

Será que as TJs praticam realmente o que pregam em suas revistas? Ou estarão seus líderes a enganar de modo proposital as pessoas?

As Testemunhas de Jeová tentam projetar nas pessoas a visão de uma religião superior, tentam passar uma imagem de pureza e lealdade à Bíblia sagrada. Chegam a dizer que é a única religião verdadeira na face da terra e que fora da organização não pode haver salvação. Dizem ainda que sua religião é o único canal de comunicação entre Deus e o homem. 

Mas vale a pena perguntar: estarão sendo sinceras as Testemunhas de Jeová com as pessoas? Os fatos indicam que não!

  • SOBRE O AMOR AO PRÓXIMO -

A Verdade Dos Fatos: A verdade é que a crueldade das tjs para com as pessoas é deverás repugnante. Se porventura você abandonasse a religião das TJs por descobrir suas falsidades, faz idéia de como seria tratado? Vejamos como elas são incentivadas a tratar tais pessoas:

 

As TJ’s odeiam aqueles que têm pontos de vista diferente e se apartaram da Organização? Como elas os tratam?

“nunca os receba em seu lar nem os cumprimente...Estas são palavras enfáticas, orientações claras.” (A Sentinela 15 de Março de 1986 pág.13)

Então ela é ensinada a odiá-los?

“Queremos ter a lealdade que o rei Davi evidenciou ao dizer: “Acaso não odeio os que te odeiam intensamente, ó Jeová...?Odei-os com ódio consumado...” (A Sentinela 15 de Março de 1996 pág.16)

Agora preste atenção na hipocrisia:

“É verdade que as pessoas talvez discordem veementemente entre si nas suas crenças religiosas, mas não existe base para odiar uma pessoa só porque ela tem um ponto de vista diferente...” (o Homem em busca de Deus, pág. 10)

Então porque elas ensinam a odiá-los?

“Não tem sido culpadas de representar uma farsa por dizerem ‘amamos a Deus’ ao passo que odeiam seus irmãos de outra nacionalidade, tribo ou raça.” (Poderá Viver para sempre no Paraíso na Terra, pág. 189/90)”

O que temos lido acima pode ser chamado de amor ao próximo?

  • SOBRE IMORALIDADE -

 A Mentira: Dizem que sua religião não se mistura em imoralidades como acontece com os clérigos da cristandade.

 A Verdade dos Fatos: O caso é que todos os anos milhares são desassociados de sua organização por se relacionarem com casos de imoralidade. A propósito, as TJs não hesitaram em explorar a questão da pedofilia no meio do catolicismo romano. Mas neste ano [2002] estourou o que estava encoberto no meio das TJs, qual seja, casos de pedofilias envolvendo anciãos das TJs. Veja ainda estes depoimentos:

“...todo ano milhares são desassociados da congregação por causa de imoralidade sexual” (a Sentinela, 15/12/1989, pág. 18)

“Lamentavelmente, todos os anos, milhares sucumbem à imoralidade. Alguns aumentam esta deslealdade por levarem uma vida dupla, persistindo num proceder de transgressão ao passo que fingem ser cristãos fiéis.” (A Sentinela, 01/08/1997, pág. 11)

Mostramos aqui apenas algumas das muitas mentiras propaladas pelas TJs, em especial seus líderes, que são os verdadeiros mentores desta parafernália. Não cuidamos em mostrar uma lista exaustiva de tais mentiras para provar que as TJs faltam com a verdade de maneira vergonhosa para com as pessoas.

Paulo Cristiano da Silva

                                               SUA HISTÓRIA

O fundador da seita que conhecemos hoje como Testemunhas de Jeová, foi Charles Taze Russel. Russel nasceu em 1852, e teve ensinamento religioso em uma Igreja Congregacional. Russel porém, ainda bem jovem,  dirigiu-se  para o adventismo. Russel mais tarde também abandonou o adventismo, e em 1870 fundou uma classe de estudos bíblicos, em Pittsburgh, Pensilvânia, EUA, da qual, em 1876, elegeu-se "pastor".

 

Russel passou a fazer discípulos e a publicar, em julho de 1879, uma revista chamada A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo, com uma tiragem de 6.000 exemplares. Em 1884, Russel registrou a organização Zion´s Watch Tower Tract Society, que em 1886 publicou o primeiro de uma série de livros, cujo autor dos primeiros seis foi o próprio Russel. Hoje estes livros têm o nome de Estudos das Escrituras, mas primeiramente foram chamados de Aurora do Milênio. Para que você tenha uma idéia dos ensinamentos de Russel, observe este trecho da revista Watctower, de setembro de 1910, p. 298:
 

"Os seis tomos de Estudos das Escrituras constituem praticamente a Biblia. Não são meramente um comentário acerca da Bíblia, mas praticamente a própria Bíblia... Não se pode descobrir o plano divino estudando a Bíblia. Se Alguém coloca de lado os Estudos, mesmo depois de familiarizar-se com eles e se dirige apenas à. Biblia, dentro de dois anos volta às trevas. Ao contrário, se lê os Estudos das Escrituras com as suas citações, ainda que não tenha lido sequer uma página da Bíblia, ao cabo de dois anos estará na luz"

Aqui nós vemos a afirmação assombrosa de que não se pode ser salvo lendo a Bíblia. Os livros de Russel são postos acima da Bíblia. Hoje em dia não é muito diferente, pois as Testemunhas de Jeová (todas elas) lêem A Sentinela, e Despertai!, e aqueles que não fazem parte da Organização de Deus, segundo ela própria, serão destruídos. Esta é uma característica típica de seita exclusivista.

 Neste contexto, surgiu o mito de 1914.


 

Beth Sarim - Casa dos Profetas?
 

    Em antecipação à breve ressurreição dos profetas bíblicos e patriarcas, Joseph Rutherford, presidente da Torre de Vigia Bíblias e Tratados comissionou a construção de uma casa em San Diego, Califórnia. Esta, deveria ser a casa para Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Davi, Samuel e todos os mencionados em Hebreus capítulo 11. Porém, como a festa bíblica não ocorreu, o vergonhoso incidente Beth-Sarim teve que ser abafado.
 

    Começando em 1920, Rutherford declarou, "Como nós já declaramos anteriormente, o grande ciclo de jubileu começará em 1925. Neste tempo a fase terrestre do reino será reconhecida". Como seria reconhecida? Que evento introduziria o reino?
 

    Rutherford explicou, "nós podemos esperar confiantemente que 1925 marcará o retorno de Abraão, Isaac, o Jacó e os profetas antigos e fiéis, particularmente os citados pelo apóstolo em Hebreus capítulo onze, sob condições humanas perfeitas " (Millions Now Living Will Never Die, pp. 89-90).
 

    Esta era uma profecia excitante. As Testemunhas de Jeová espalhavam a notícia ao redor do mundo da manifestação física destes patriarcas bíblicos. Quando chegou 1925, mas Abraão e os demais não, alguns seguidores de Rutherford abandonaram a seita. Outros ainda continuaram acreditando, e que eles se atrasariam um pouco, mas chegariam, e que a tripulação de hebreu 11 regressaria brevemente. Embora o fato não tivesse acontecido, ainda em 1929 era um assunto de muita excitação.
 

    Por isto, Rutherford, percebendo que o espetáculo de Abraão e companhia finalmente chegava, e etes iriam precisar de um lar, deu instruções para construir uma casa para eles. No seu livro, Salvação, Rutherford menciona esta casa e seu propósito de construção:

"Em San Diego, Califórnia, há um pedaço pequeno de terra no qual, no ano 1929, foi construída uma casa que é chamada e conhecida como Beth Sarim. As palavras hebraicas Beth Sarim significam "Casa dos Príncipes" e o propósito de adquirir esta propriedade e construir a casa era uma prova tangível que haviam pessoas na terra hoje que acreditam plenamente em Deus e Cristo Jesus e no seu reino, e que acreditam que os homens fiéis serão ressuscitados em breve pelo Senhor, e regressarão à terra, e se encarregarão dos negócios visíveis da terra "
(pág. 311).
 

    Com a casa agora construída, não havia nada que fazer senão esperar. E eles esperaram, até 1942.
 

    Rutherford escreveu o último livro da sua vida, mencionando novamente Beth-Sarim e Abraão. Ele escreveu, " esses homens fieis podem ser esperados de volta mais dia menos dia. As Escrituras dão boas razões para acreditar que isto deve acontecer em breve, pouco antes do Armagedom começar".

 

"Com a expectativa a casa em San Diego, Califórnia ganhou muita publicidade pela ação maliciosa do inimigo, a qual foi construída, em 1930, e nomeada "Beth-Sarim" significando "Casa dos Príncipes" e é agora guardada a confiança da ocupação por esses príncipes no seu retorno"
(The New World, pág. 104).
 

    Note que Rutherford disse que foi "guardada a confiança". De fato, a ação tem vários pontos muito interessantes. Explica, que o reino de Deus terá os representantes visíveis na terra, os quais tocarão os negócios das nações sob a supervisão do governante, Cristo invisível, e que os representantes fiéis e os governadores visíveis o mundo serão Davi, Israel, Gideão, Sansão, José, Samuel o profeta e outros homens fieis que foram nomeados com aprovação na Bíblia em Hebreus 11."
 

     "A condição aqui é que a Torre de Vigia Bíblias e Tratados terá perpetuamente o título de confiança para o uso de qualquer ou todos os homens como representantes do reino de Deus na terra, e tais homens possuirão e usarão as propriedades descritas como eles quiserem para o melhor interesse pelo trabalho no qual eles são comprometidos".
 

    Porém, havia uma cláusula condicional colocada na ação. Até Davi, Abraão ou outro chegar, "Joseph F. Rutherford terá o direito e privilégio de residir na dita "casa" até a mesma ser tomada na chegada de Davi ou alguns dos outros homens citados, e esta propriedade é dedicadas a Jehovah para o uso do Seu reino, e será usada como tal para sempre" (ação datou de 24 de dezembro de 1929).
 

    A ação que foi assinada por Rutherford tem três artigos:
Primeiro, Beth-Sarim foi construído para o propósito expresso de moradia para os patriarcas.
Segundo, entretanto Rutherford poderia morar na casa, ele só poderia fazer assim até alguém de hebreus 11 chegar.
Terceiro, Beth-Sarim permaneceria no perpétuo uso de reino de Jeová. Assim, a STV teria certamente esta propriedade sempre.
 

    Talvez não é necessário explicar, mas ninguém de hebreus 11 chegou para ocupar Beth-Sarim. Como resultado, Rutherford passou os últimos anos da vida dele nesta mansão bonita enquanto seus seguidores sofreram em pobreza durante a Grande Depressão dos anos 30.
 

    Mais adiante, alguns anos depois da morte de Rutherford, Beth-Sarim era vendida. Em 1948 esta casa estava vendida, e o ensinando relativo ao "retorno dos antigos" foi quietamente abafado em 1950 (Millions Now Living Will Never Die: A Study of Jehovah's Witnesses, Alan Rogerson, p. 48).
 

    Há um epílogo a esta história. Em 1975 a STV publicou um livro que mencionou Beth-Sarim. Porém, a informação só contida em suas páginas serve complicar a credibilidade histórica da STV. Desde seu início, era dito que Beth-Sarim tinha sido construída para Abraão e amigos. Este livro parece contar uma história completamente diferente:
 

"Naquele tempo, uma contribuição direta foi feita com a finalidade de construir uma casa em San Diego para o uso do Irmão Rutherford. Isto não foi construído às custas da STV. Relativo a esta propriedade, declarou o livro Salvação, de 1939: Em San Diego, Califórnia, há um pedaço pequeno de terra no qual, no ano 1929, foi construída uma casa que é chamada e conhecida como Beth-Sarim"
(1975 Anuário das Testemunhas de Jeová, pág. 194 (em inglês)).
 

    Há dois problemas com esta declaração do Anuário.
 

    Primeiro, a STV disse que foi construída para uso do Irmão Rutherford quando de fato, de acordo com o próprio Rutherford, a casa foi construída para os patriarcas de Hebreus!
 

    Segundo, o escritor das citações do Anuário cita Rutherford falsamente, fazendo com que Rutherford diga o oposto do que ele disse de fato. O autor do Anuário cita o livro Salvação, escrito por Rutherford que menciona Beth-Sarim. Porém, o autor do Anuário só conta parte da história. Mais acima neste artigo, a citação completa do livro Salvação foi exposta. Comparando as duas citações, vemos que claramente a STV mentiu.
 

    Embora Rutherford reivindicasse ter sabedoria profética, ele fez muitas falsas profecias. Um destas profecias concerniu a predição de 1925, relativa ao retorno de Abraão e outro patriarcas bíblicos. O encobrimento destes problemas embaraçosos do passado na época atual tem dado trabalho a STV, pois são falsas profecias, mas a fim de abafar os fatos, a Sociedade mente novamente. Talvez pior de tudo, é o fato que fazendo assim, a STV está mentindo agora aos próprios seguidores.

Profecia: A "Geração" de 1914

    Parece que a "nova luz" é cada vez mais nova, e contraditória. Eu concordo que os profetas e os apóstolos também tinham uma revelação progressiva das verdades bíblicas, porém nunca estes profetizaram falsamente, nunca negaram algo que outrora afirmavam, e nunca atribuíram algo que era pensamento meramente humano a Jeová.
 

O Tempo é o Maior inimigo dos Falsos Profetas.
 

    O Corpo Governante parece estar pisando em ovos. Veja a que ponto chegam as contradições:
 

"Até se presumirmos que se os jovens de 15 anos teriam suficiente percepção mental para discernir a importância do que aconteceu em 1914, isso ainda faria com que os mais jovens desta geração tivessen quase 70 anos atualmente. Assim, a grande maioria da geração a que Jesus se referia já havia desaparecido na morte. Os restantes atingem a velhice. E, lembre-se, Jesus disse que o fim deste mundo iníquo viria antes de tal geração desaparecer na morte. Isto em si nos informa que não podem ser muitos anos antes de chegar o fim predito." Despertai!, 22/09/1969, p 14-15
 

    Veja que parece que o fim será na década de 70. Será?
 

    Mas a geração, se refere aos bebês nascidos em 1914, ou aos que já tinham certo "discernimento"?
 

"Assim, tratando-se da aplicação ao nosso tempo, a 'geração', logicamente, não se aplicaria aos bebês nascidos durante a Primeira Guerra Mundial. Aplica-se aos seguidores de Cristo e a outros que puderam observar aquela guerra e as outras coisas ocorridas em cumprimento ao 'sinal' composto indicado por Jesus. Algumas destas pessoas 'de modo algum passarão até' que tenha ocorrido tudo o que Jesus profetizou, inclusive o fim do atual sistema iníquo." A Sentinela, 15/01/1979, p 32

    Sim, a geração se refere às pessoas que já percebiam as coisas, ou seja, cerca de 15 anos em 1914. Então, em 1999, estas pessoas têm 100 anos, certo? Mas então o dia está chegando... É melhor arranjar mais tempo, fazendo assim:

"Se Jesus usou a palavra 'geração' nesse sentido, e se aplicarmos a 1914, então os bebês daquela geração têm agora 70 anos ou mais." A Sentinela, 15/11/1984, p 05

    Ufa! Agora temos um pouco mais te tempo, pois não mais se refere às pessoas de 15 anos, mas sim aos bebês nascidos em 1914. Mas estes já estão novamente envelhecendo! O que o Corpo Governante poderá fazer para não perder a credibilidade, e ficarem expostas suas falsas profecias? É fácil: É só atribuir as suas próprias especulações aos seguidores, e mudar "um pouquinho" o modo de interpretação. Veja como ficou fácil:

"O povo de Jeová, ansioso de ver o fim deste sistema iníquo, às vezes tem especulado sobre quando irromperia a 'grande tribulação', até mesmo relacionando isso com cálculos sobre a duração da vida duma geração desde 1914. No entanto, 'introduzimos um coração de sabedoria', não por especular sobre quantos anos ou dias constituem uma geração, mas por refletir em como 'contamos os nossos dias' em dal alegre louvor a Jeová. (Salmo 90:12) Em vez de estabelecer uma regra para a medição do tempo, o termo 'geração', conforme usado por Jesus, refere-se principalmente a pessoas contemporâneas de um certo período histórico, com as características indicadoras delas." A Sentinela, 01/11/1995, p. 17

    Agora sim o Corpo Governante conseguiu prolongar sua "credibilidade". Atribuiu suas velhas "verdades" às Testemunhas de Jeová, e deu uma desculpa esfarrapada. Assim é que agem os falsos profetas! E o pior não é tudo: O Corpo Governante atribui suas falsas profecias a Jeová!

"A palavra profética de Jeová mediante Cristo Jesus diz: 'Esta geração [de 1914] de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram.' (Lucas 21:32) E Jeová, que é a fonte de profecias inspiradas e infalíveis, fará com que as palavras de seu Filho se cumprir num prazo de tempo relativamente curto. - Isaías 46:9, 10; 55:10,11." A Sentinela, 15/11/1984, p. 07

    Falsa Profecia usando o nome de Jeova! O que a Bíblia diz sobre isso?

"Mas o profeta que tiver a presunção de falar em meu nome alguma palavra que eu não tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conheceremos qual seja a palavra que o Senhor falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás." Deuteronômio 18:20-22

    O Corpo Governante está em uma situação difícil: ou elimina todas as publicações antigas, que evidenciam suas falsas profecias, ou assume que é um falso profeta. É isso que eles chamam de "orientação teocrática"? Será que Deus é que passa tais falsas profecias ao Corpo Governante? Claro que não! Todas as profecias não cumpridas e todas as contradições revelam que a religião do Corpo Governante não passa de pensamentos meramente humanos. Deus não pode ter parte em uma organização que se auto-intitula "canal de comunicação entre Deus e os homens", a qual profetiza falsamente, e mente para encobrir o seu passado.

CORPO GOVERNANTE

HOMENS FALÍVEIS OU FALSOS PROFETAS?

Amigo TJ, antes de qualquer coisa gostaria que soubesse que não estamos atacando sua religião, mas apenas demonstrando amor pela verdade. Antes, porém, convém lembrar que as TJ’s são orientadas a “Fazer  citações baseadas nas publicações oficiais duma organização, a fim de  mostrar no que eles crêem”(Qualificados para ser Ministros Pagina 184)

NÃO É PERSEGUIÇÃO

A própria Watchtower declara:

“Não é forma de perseguição religiosa alguém dizer e mostrar que a religião de outrem é falsa. Não é perseguição religiosa uma pessoa informada expor publicamente uma religião falsa, permitindo assim que outros vejam a diferença entre a falsa religião e a verdadeira”. ( A Sentinela, 15/05/1964 Pagina 304)

A propósito, a Despertai de 8 Julho de 1988 na página 28, responde a pergunta de um leitor que indagava da organização porque elas criticavam tanto as outras religiões, a qual respondeu nos seguintes termos: “sentimos interesse bondoso e amoroso pelas pessoas de todas as religiões, mas, quando as crenças e praticas religiosas delas são falsas e merecem a desaprovação de Deus, trazer isto à atenção delas, pois por expor à falsidade, significa mostrar amor à elas”.

“Daí suscitou a pergunta: ‘É a exposição de falsas religiões uma perseguição dos seus aderentes? É isso intolerância anticristã?’ A resposta foi; ‘Não; de outro modo Jesus Cristo teria sido perseguidor intolerante dos judeus” (A Sentinela, 01/04/1988, pág. 24)

“ISTO NÃO SIGNIFICA ATACAR PESSOAS, MA SIM O SISTEMA QUE AS ESCRAVIZA.”   (ibdem, pág. 25)  

 

VOCÊ TEM MENTE ABERTA?

“... Se não pudermos defender nossos conceitos religiosos, talvez verifiquemos que atacamos implacavelmente os que questionam nossas crenças, não com argumentos lógicos, mas com termos depreciativos ou com insinuações. Isto sabe a preconceito e uma mente fechada.” 

“Ter mente aberta, por outro lado, significa ser receptivo a novas informações e idéias. Significa dispor-se a examinar e avaliar informações sem atitude preconceituosa.”(Despertai 22/03 – 1985 pág. 3/4).

“A samaritana não permitiu que o preconceito impedisse de ouvir a Jesus. Tem você também uma mente aberta?” (A Sentinela, 01/08/1989, pág. 6)

Devemos prezar sabiamente a orientação de Romanos 2:21 “Tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo?”. Isto pode ser aplicado a nós? Certamente que sim.

 

TEM VOCE CUIDADO COM OS FALSOS PROFETAS?

 

A revista A Sentinela de 01 de Fevereiro de 1992 traz como título: “Cuidado com os falsos Profetas!”, e mostra na capa um homem segurando uma Bíblia aberta na mão, certamente representando um pastor evangélico. Mas vale a pena perguntar: As Testemunhas de Jeová têm realmente cuidado com falsos profetas?

 

O QUE É UM FALSO PROFETA?

O Corpo Governante define da seguinte maneira um falso profeta: “Indivíduos e organizações que proclamam mensagens que atribuem a uma fonte sobre-humana, que não se originam do verdadeiro Deus e não estão em harmonia com a sua vontade revelada” (Raciocínios à Base das Escritura, pág. 158)

 

A ORGANIZAÇÃO SE CONSIDERA UM PROFETA?

 Sim, a organização não tem feito questão de esconder que são profetas. Eles se identificaram como profetas de Deus nos seguintes termos: “Saberão que houve um profeta no seu meio” (A Sentinela de 01/10/1972), referindo-se às Testemunhas de Jeová. Também no livro “Revelação Seu Grande Clímax está Próximo” no capítulo 24 e 25 diz que a organização foi prefigurada por “Ezequiel, Moisés, Elias e as duas testemunhas”.

“Similar derramamento do espírito sobre ungidos tem-nos habilitado a “profetizar” com grande vitalidade e eficiência hoje em dia” (a Sentinela 01/06/1990, pág. 12)

 

Mas advertem que quem nomeou-as como profeta foi Deus: “Como Ezequiel, que não se apresentou ou nomeou a si mesmo como profeta, a organização visível de Deus não criou ou nomeou a si mesma.” (A Sentinela, 15/03/1991, pág. 14) 

 

O TESTE DUM FALSO PROFETA SEGUNDO A BIBLIA 

O teste fundamental para se saber se um indivíduo é um falso profeta é este:

“E, se disseres no teu coração: Como conheceremos qual seja a palavra que o Senhor falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás.” (Deuteronômio 18:21,22). É claro que o contrário demonstra que o tal profeta é verdadeiro!

 

O TESTE DUM FALSO PROFETA SEGUNDO A ORGANIZAÇÃO

 “Jeová, o Deus dos verdadeiros profetas, envergonhará todos os falsos profetas, quer por não cumprir a predição falsa de tais pretensos profetas, quer por cumprir suas próprias profecias de modo oposto ao que os falsos profetas disseram. Os falsos profetas procurarão ocultar seus motivos de sentir vergonha por negar quem realmente são.”(O Paraíso Restabelecido para a Humanidade, pág. 354/5)

Temos ai dois testes para um profeta, um segundo a Bíblia; o outro segundo o corpo governante. Em resumo é basicamente isto:

1.      A palavra não se cumpre.

2.      A palavra se cumpre inversamente do predito.

3.      Os falsos profetas procurarão negar o que profetizaram

4.      Não admitirão que são falsos profetas. 

 

A PERGUNTA MAIS IMPORTANTE

Já dizia o pastor Esequias Soares: “O maior inimigo dos falsos profetas são o tempo e a história”.

Chegamos a pergunta mais importante deste estudo: “As Testemunhas de Jeová através do Corpo Governante, profetizaram falsamente?”. Essas profecias se cumpriram? Eles passaram no teste de fogo de um verdadeiro profeta? Podemos credencia-los como profetas de Deus?

Tudo aponta para o fato de que a organização tem continuamente mostrado através de seus anos de história, sempre como um falso profeta.   

“A história tem provado que se pode confiar neles [os líderes] quanto a seguirem a direção do espírito santo, e que eles não se estribam na sabedoria humana ao ensinar ao rebanho de Deus...” (A Sentinela, 15/12/1989, pág. 7)  Será mesmo? É o que veremos...

 

O QUE REVELA A HISTÓRIA

Ao contrário do que insinuam, a história é uma grande inimiga da organização, pois tem revelado que a organização vem falhando em sua posição ambiciosa como profeta de Jeová. Muitas falsas profecias a respeito do final dos tempos predita pelo corpo governante desde Charles T. Russel (fundador), têm falhado vergonhosamente em seus cumprimentos. Elas mesmas admitem isso, só que amenizam a seriedade do problema por chamar de expectativas erradas tais falsas profecias. Veja:

“Sim, o povo de Jeová, de vez em quando, teve de revisar expectativas. Por causa de nossa ansiedade, esperávamos o novo sistema mais cedo do que consta no cronograma de Jeová.” (A Sentinela, 15/03/1986, pág. 19)

 “As Testemunhas de Jeová, devido ao seu anseio pela segunda vinda de Jesus, sugeriram datas que se mostraram incorretas.”  (Despertai, 22/10/1993, pág.4)

 

FALSA PROFECIA QUANTO AO ARMAGEDOM

Não queremos fazer aqui um comentário extenso e minucioso sobre as “profetadas” da organização, mesmo porque já existem obras abalizadas para este fim, mas tão somente citar ipsis litteris o que a organização tem predito que aconteceria, pois os textos falam por si. Creio firmemente que o maior inimigo das seitas é sem dúvida a sua própria literatura, como diz Salomão: “estás enredado pelos teus lábios; estás preso pelas palavras da tua boca.” (Provérbios 6:2)

 

·        Charles T. Russell - profetizou o Armagedom para 1914 nos seguintes termos.

“...a batalha do grande dia de Deus Todo poderoso (Apocalipse 16:14), a qual terminará no ano de 1914 A.D. através da destruição completa do atual governo da terra, já tem sido iniciada.” (Estudos das Escrituras, 1889,Vol. II, pág. 101-em inglês)

Mas como o tempo é o maior inimigo dos falsos profetas, 1914 veio e foi sem acontecer o Armagedom. Russell é desmentido pela própria STV em um livro intitulado “Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos, 1943, pág. 206,211- em inglês”

 

·        J.F.Rutherford – o segundo presidente da organização (STV), vendo que as profecias de seu antecessor haviam falhado, profetizou;

“No futuro próximo a ira de Deus Todo-Poderoso contra toda a iniqüidade será expressa no Armagedom na mais devastadora tribulação que o mundo jamais conheceu” (Filhos, 1941, pág. 199) 

É importante salientar que este livro foi escrito enquanto explodia a 2ª grande guerra. Segundo os cálculos dele, o “futuro próximo” seria naqueles anos. Eles mesmos admitem isso, “A Segunda Guerra Mundial estava no auge, e muitos achavam que ela aumentaria progressivamente até levar ao Armagedom. Mas Jeová pensava de modo diferente” (a Sentinela, 15/04/1989). Realmente Rutherford não era guiado por Jeová! Para fortalecer ainda mais sua convicção, Rutherford, proibiu casamentos entre as TJ’s. Em outro livro “Salvação”, escrito por ele em 1939 na página 287é dito que o casamento é inviável:

“Surge, pois, a pergunta: Desde que o Senhor está agora ajuntando suas “outras ovelhas”, que hão de formar a grande multidão, devem eles começara a casar agora e ter filhos em cumprimento ao mandamento divino? Não, é a resposta, apoiada plenamente pelas escrituras”    

Testemunhos da Época: Alguns testemunhos trazidos pela A Sentinela sobre a vida de alguns TJ’s da época, reflete exatamente o conceito que possuíam sobre o cumprimento da profecia a respeito do Armagedom.

Em A Sentinela de 01/11/1991 na pág. 29 traz o depoimento de um pioneiro da época, já na gestão de Knorr, o 2º presidente da STV. Diz ele: “Muitos deixaram de nos cumprimentar, tratando-nos como desassociados, embora fossemos pioneiros. Sabíamos, contudo que não era antibíblico casar...” Ainda naquela época (1949-1951) as TJ’s continuavam obedecendo ao mandamento de Rutherford de não se casarem por causa do Armagedom.

Um outro testemunho é contado por Lloid, uma TJ que se casou às escondidas, veja;

“Finalmente, em fevereiro de 1942, ele me levou discretamente – junto com dois casais, Testemunhas de Jeová, que haviam prometido guardar segredo –ao cartório e nos casamos. Naquela época, as Testemunhas de Jeová não eram autorizadas a oficiar casamentos na Austrália. (a Sentinela, 01/04/2001, pág. 26)

Parece que esta idéia absurda foi retomada em 1988 com a variante de “não ter filhos”,  impulsionados talvez pela expectativa do fim deste “sistema de coisas” para 1994, quando então estava previsto o cálculo para o Armagedom, pois a geração que segundo eles era de 80 anos, baseando-se em Salmos 90:10 teria se esgotado. Falando do tempo do dilúvio na época de Noé afirmam que os filhos de Noé não tiveram filhos por dois motivos: 1) porque tinham que pregar antes que o dilúvio [o fim daquela época] viesse e 2) não queriam ter filhos num mundo violento. E então concluem dizendo: “Não obstante, visto que Jesus comparou os dias de Noé com o período em que nós agora vivemos, o exemplo deles pode ser algo em que pensar ( A Sentinela, 01/03//1988, pág. 22)  

 Um outro TJ, Albert. D. Schroeder, que atualmente é membro do Corpo Governante, conta que  Rutherford queria envia-lo para Betel [o seminário das TJ’s], incentivando-o por causa do Armagedom, o qual prontamente respondeu:

“ ‘Essa é uma decisão e tanto!’ eu disse. ‘Além do mais, isso significa uma passagem só de ida, ou seja, concordar em ficar lá até depois do Armagedom.” (A Sentinela, 01/03/1988)             

Como os fatos mostram, realmente os dois primeiros presidentes da organização das Testemunhas de Jeová foram reprovados como falsos profetas. Não passaram no teste bíblico. A falha é tão gritante que eles mesmos admitem isso:

“Houve uma medida de desapontamento da parte dos fiéis de Jeová na terra concernente aos anos 1914,1918 e 1925, cujo desapontamento durou por um tempo...e aprenderam também a deixar de fixar datas.” (Vindicação, livro I, pág. 338/339, 1931- em inglês) e mais recentemente: 

 “O ano de 1925 chegou ao término, mas ainda não chegara o fim! Desde a década de 1870, os Estudantes da Bíblia (antigo nome das TJ’s) tinham servido com uma data fixa na mente – primeiro 1914, depois 1925.” (A Sentinela, 01/11/1993, pág. 12)

Isto não é verdade pois continuaram fixando datas, queremos abrir um parênteses aqui e mostrar que o sucessor de Rutherford, também seguiu nas mesmas pisadas dele marcando datas que se mostraram incorretas.

·        N.H.Knnor apresentou também o ano de 1975 como o termino dos 6.000 anos de duração da

humanidade no qual Jeová, estabeleceria o reino (cf. A Sentinela, 15/02/1969, pág. 110). Veja que muitos TJ’s começaram a vender casas com a esperança de que isto realmente aconteceria “Receberam noticias a respeito de irmãos que venderam sua casa e propriedade e que planejam passar o resto de seus dias neste velho sistema de coisas empenhados no serviço de pioneiro. Este é realmente um modo excelente de passar o pouco tempo de resta antes de findar o mundo iníquo” (Nosso Ministério do Reino, Julho de 1974, pág. 3/4)

Mas voltando ao ano de 1925...porque será que ele foi uma decepção para as TJ’s? Pasmem!!! Simplesmente, porque Rutherford, havia profetizado, nada mais nada menos, que a ressurreição de  Abraão, Isaque, Jacó e outros fiéis da antiguidade para aquele ano de 1925.

No livro “Milhões que Agora Vivem Jamais Morreram” lançado por ele em 1920 trazia a certeza de que isto aconteceria realmente.

 “Portanto, podemos seguramente esperar que 1925 marcará a volta às condições de perfeição humana de Abraão, Isaque, Jacó e os antigos fiéis, especialmente esses mencionados pelo apóstolo no capítulo onze de Hebreus” (página 112)   

“Baseados nos argumentos até aqui apresentados...1925 será a data marcada para a ressurreição dos anciões e fiéis, e o princípio da reconstrução, chegar-se à conclusão razoável de que milhões que agora vivem na Terra, ainda estarão vivos no ano 1925” (página 122)

Bem, já se passou 83 anos depois desta previsão, e muitos milhões que Rutherford disse que não morreriam, já morreram. Sem falar, é claro, que ninguém daquele grupo de fiéis apontado por ele; foi ressuscitado.

Sua expectativa quanto a isto era tão forte e clara que chegou a comprar uma mansão a qual chamara de “Beth Sarim”, que quer dizer, “Casa dos Príncipes” para receber estes fiéis da antiguidade. Mas como ninguém ressuscitou, a mansão serviu mesmo para morada de Rutherford até sua morte em 1942. 

Isto deixa claro que Rutherford não era homem de Deus e sua organização não era guiada teocraticamente sob a orientação do espírito santo. E olha que eles basearam aquilo tudo numa suposta lei de Deus;  “A data de 1925 é ainda muito mais distintamente indicada pelas escrituras porque foi fixada através da lei que Deus deu a Israel” (a Sentinela, 01/09/1922, pág. 262 – em inglês) e  “O nosso pensamento é que o ano de 1925 tem sido definitivamente estabelecido pelas Escrituras...” (A Sentinela, 01/04/1923, pág. 106 – em inglês)

Hoje, porém, depois de tantas profecias não cumpridas quanto ao Armagedom, o corpo governante joga-o para o futuro: “Em breve haverá um fim súbito de toda a iniqüidade e de todas as pessoas iníquas no armagedom” (Poderá Viver para..., pág. 154 ed. 1989) e

“Como este sistema acabará? A Bíblia prediz uma “grande tribulação” que começará com um ataque desferido pelo elemento político deste mundo contra ‘Babilônia, a Grande’...” (Conhecimento que Conduz..., pág. 106, ed.1995)

 

RESSURREIÇÃO, QUANDO AFINAL?

A questão da ressurreição sempre foi um problema para os líderes das TJ’s.

Russell dizia que a ressurreição aconteceria em 1878 “Ele veio para a terra em 1874 e os santos foram ressuscitados em 1878” (Estudos das Escrituras, vol. 1, pág. 188,189,196 – em inglês)

Mas o “Anuário das Testemunhas de Jeová” de 1976 na pág. 148 desmente Russel e afirma que isto não se deu em 1878: “Foi em 1927 que a Torre de Vigia apontou que os membros fiéis do Corpo de Cristo que dormiam não foram ressuscitados em 1878” e hoje afirmam que isto aconteceu em 1918: “Toda a evidência indica que essa ressurreição celestial começou em 1918” (Revelação seu Grande Clímax...; pág. 103, ed.1989 )

 

A GERAÇÃO DE 1914 QUE NÃO PASSARÁ.

 “Naturalmente, não fazemos nenhuma predição sobre quanto tempo ainda resta, e não estamos fixando nenhuma data específica. Deixemos isto para o grande Cronometrista, Jeová Deus.” (a Sentinela 01/11/1991, pág. 13)

Como vimos, depois das decepções dos anos 1914,1918,1925 e posteriormente 1975 dizem que deixaram de fixar datas, mas isto simplesmente não é verdade. O que eles não fixaram mais foi uma data especifica DO ANO, mas ao invés disso jogaram o fim do mundo para o final do século vinte. Observe atentamente que após dizerem que não mais marcaram datas acrescenta:

“Contudo, a geração que, conforme predito, testemunharia e passaria pela ‘terminação do sistema de coisas’ está agora bem avançada em anos” (ibdem)

Que geração é esta? E qual a sua importância para a organização?

“Assim também vós, quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que o reino de Deus está próximo. Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo isso se cumpra.” (Lucas 21:31,32)

A organização sempre associou a geração da parábola da figueira com a geração de 1914, isto desde Russell! Esta “geração” é o grande marco na cronologia das TJ’s. Através dela fixaram datas para o fim do mundo por todo esse tempo. Não vou aqui procurar mostrar o esquema que eles fizeram para chegar ao ano de 1914, pois é complicadíssimo. Num malabarismo fraudulento de trocar dias por anos nas profecias de Daniel e Apocalipse, usaram e abusaram dos textos bíblicos que falam dos “sete tempos”, dos “1260 dias” e os “tempos designados das nações”. Tudo isso em cima do que chamam de “regra bíblica”, que nada mais é do que outra invenção, algo fictício para fundamentar e construir suas profecias heréticas. “A gora se fizermos cada dia virar um ano segundo uma regra bíblica, os “sete tempos” equivalem a 2.520 anos.” (Poderá Viver para...,pág. 141)

 

A GERAÇÃO NA CONCEPÇÃO DA ORGANIZAÇÃO

As TJ’s adotaram a idade de 70 a 80 anos para uma geração, baseando-se em Salmos 90:10.

A definição sobre quem faria parte da “geração” de 1914 é outro exemplo dos malabarismos criado pela STV, pois conforme foi passando o tempo a concepção de “quem” fazia parte dessa geração foi mudando. Uma verdadeira confusão, mas não sem propósito, é claro! 

1ª Concepção – Eram os jovens.      

“Até se presumirmos que os jovens de 15 anos teriam suficiente percepção para discernir a importância do que aconteceu em 1914” (Despertai, 22/04/1969)

2ª Concepção – (Não eram bebês) Eram os servos de Cristo que puderam observar os eventos da 1ª guerra mundial.

“Assim, tratando-se da aplicação ao nosso tempo, a geração, logicamente, não se aplicaria aos bebês nascidos durante a Primeira Guerra Mundial. Aplica-se aos seguidores de Cristo e a outros que puderam observar aquela guerra e a outras coisas ocorridas em cumprimento do sinal composto indicado por Jesus” (A Sentinela, 15/01/1979, pág. 32)

3ª Concepção – Eram os bebês.

“Se Jesus usou a palavra ‘geração’ nesse sentido e se aplicarmos a 1914, então os bebês daquela geração têm agora 70 anos ou mais.” (A Sentinela, 15/11/1984, pág. 5)

 4ª Concepção – São pessoas que vêem (atualmente) o sinal.

 “Portanto, hoje, no cumprimento final da profecia de Jesus, ‘esta geração’ parece referir-se aos povos da terra que vêem o sinal da presença de Cristo, mas que não se corrigem.” (A Sentinela, 01/11/1995)

É realmente um descaso o que a STV faz com seus adeptos, mente de forma descarada e depois tenta contornar suas erratas teológicas com frases piegas. Isso é brincar com a inteligência humana, é menosprezar essas pobres almas, vítimas que são, que por falta de conhecimento (pois a STV proíbe que elas tenham contato com qualquer literatura que revele esses engodos tachando-os pejorativamente de “apóstatas”) são presas fáceis nas garras duma organização mentirosa como essa.

Mas é fácil ver o estica-encolhe da organização na questão da geração de 1914.

Primeiro, diziam que a geração se aplicaria aos que viam os sinais e não aos bebês, depois voltaram atrás e os bebês entraram na contagem, agora aplicam a “geração” indiscriminadamente, a qualquer pessoa.

Preste atenção: Se uma geração conforme acreditavam eram composto por aqueles que viam os sinais então eles não poderiam ser a geração que não passaria, pois naquela época muitos deles já estavam morrendo de velhice e como o ano de 1975 chegou e não veio o armagedom pregado por Knnor estava descartada esta hipótese. Então resolveram prolongar a vida desta “geração” apelando para os jovens de quinze anos, mas mesmo assim ainda não era uma idade muito boa. Muito bem, contrariando o que disseram, voltaram atrás e afirmaram que aquela geração se aplicaria aos bebês nascidos. Ora, isto era um ganho enorme em termos de tempo. Somando 1914 (o ano base) mais 80 (duração da geração), chegaremos ao ano de 1994. O fim do mundo viria neste ano então? Ao que parece sim. Mas, 1994 veio e foi, sem contudo a tão sonhada guerra sanguinolenta de Jeová, que iria matar a todos os humanos desobedientes, que não quiseram aceitar a pregação das boas novas do reino pregado por elas, acontecer. No entanto, isto trouxe mudanças significativas na literatura das TJ’s.

 I) Como já vimos, depois da derrocada escatológica aplicaram o termo “geração”, a qualquer pessoa de nossa época, e não mais àquela da geração de 1914. “Também, a Bíblia disse que todas essas coisas sobreviriam à geração que vivia em 1914.” (Poderá Viver..., pág. 154)

II) Também outro fator de suma importância foi que antes de 1994, em todas as revistas “Despertai”, aparecia no rodapé da página o seguinte aviso: “Importantíssimo é que esta revista gera confiança na promessa do Criador sobre uma nova ordem pacífica e segura antes que a geração que viu os acontecimentos de 1914 EC desapareça”.Entretanto, depois de 1994, esta mensagem foi modificada sem qualquer explicação. Atualmente o aviso ainda aparece, no entanto, a última parte foi mutilada, como segue: “Importantíssimo é que esta revista gera confiança na promessa do Criador de estabelecer um novo mundo pacífico e seguro, prestes a substituir o atual sistema de coisas perverso e anárquico.”

III) Os livros “A Verdade que Conduz a Vida Eterna” e “Poderá Viver para Sempre no Paraíso na Terra”, traziam um cronograma mostrando o esquema da geração de 1914 até nossos dias. Mas como a “profecia” para 1994 falhou, lançaram o livro “Conhecimento que Conduz a Vida Eterna”. Neste livro não aparece mais o cronograma sobre 1914. Nem mais nas “A Sentinela” quando falam da pregação do reino de Mateus 24:14 não usam mais expressões como “a geração que viu os acontecimentos de 1914” ou “de modo algum passará” expressões estas que eram corriqueiras até pouco tempo atrás.            

 O ano de 1994 chegou e mais uma vez as profecias do corpo governantes não se cumpriram mostrando assim que eles não são profetas, e muito menos de Jeová. Mas o interessante é que eles disseram que esta geração NUNCA iria passar sem que tudo acontecesse, veja:

 “ ‘Esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas [incluindo o fim deste sistema] ocorram’. A que geração se referia Jesus? Ele se referia-se à geração de pessoas que viviam em 1914. As pessoas ainda remanescentes daquela geração são agora bem idosas. Contudo, algumas delas ainda estarão vivas de modo a presenciar o fim deste sistema iníquo.” (Poderá Viver..., pág. 154

 “Antes de a geração de 1914 deixar de existir, a obra de pregação do Reino terá alcançado seu objetivo. Então predisse Jesus, ‘haverá grande tribulação’...De fato se não se abreviassem aqueles dias nenhuma carne seria salva; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados” (A Sentinela, 01/05/1992, pág. 7)

“Jesus disse que a geração que viu o começo desse tempo também veria o fim ( A Sentinela, 15/10/1986, pág. 7) 

Preste bem atenção no silogismo esposado por eles:

·        A geração que viu os acontecimentos de 1914 não iria morrer até se cumprir Mateus 24:14;

·        Mas a geração já está bem idosa, ou seja, o fim já está às portas: “A maioria dos que professam ser dos ungidos já é bastante idosa. Portanto, não indica isso também que o fim já está próximo?” (A Sentinela, 15/08/1997, pág. 15);

·        A pregação iria terminar antes da geração desaparecer porque o tempo seria abreviado: “A gora, como nunca antes ‘o tempo que resta é reduzido’. Sim, resta apenas um tempo limitado para o povo de Jeová terminar a obra, que ele lhes comissionou, a saber ‘pregar estas boas novas do reino em toda a terra habitada... e então virá o fim.” (A Sentinela, 01/05/1988, pág. 21) ;

·        Depois que a pregação das TJ’s terminassem viria o armagedom ou A Grande Tribulação. A certeza era tão grande que eles disseram que não precisaria de toda a terra ser evangelizada para acontecer o Armagedom: “Há também a predição de Jesus, de que ‘estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; então virá o fim’...Embora as boas novas certamente serão anunciadas em toda a terra, não atingiremos pessoalmente todas as partes da terra com a mensagem do Reino antes de Jesus ‘chegar’ como Executor”. (A Sentinela, 15/08/1997, pág. 14)  e “O fim completo deste sistema velho de coisas não ocorrerá antes de ‘estas boas novas do reino’ terem sido pregadas...” (A Sentinela, 01/05/1992/, pág. 21)

 

O FIM DO MUNDO NO SÉCULO VINTE?

A predição do fim do mundo para o século vinte está bem explícita na literatura das TJ’s como segue:

Dentro em breve, no nosso século vinte, começará a batalha no dia de Jeová contra o antítipo moderno de Jerusalém, a cristandade” (As Nações Terão que Saber que Eu Sou Jeová – Como?, 1973, pág. 200)

Em A Sentinela a pergunta sobre quanto seriam cumpridos os acontecimentos em Mateus 24:29 a 25:46, foi respondida assim:

“a conclusão que indicam se dá neste século vinte (A Sentinela, de 01/11/1975 na pág. 659)

 Tratando da expansão dos trabalhos das Testemunhas de Jeová desde Jesus e seus apóstolos, diz que o apóstolo Paulo lançava o alicerce para:

“uma obra que seria terminada em nosso século 20 (A Sentinela, 01/01/1989, pág. 12)

Os textos não deixam dúvidas quanto às predições para o armagedom para o século vinte. O único problema é que já estamos no século 21 e o fim ainda não veio. Novamente a organização das Testemunhas de Jeová se mostrou como um falso profeta.

 

DESCULPAS ESFARRAPADAS

Todas as vezes que o corpo governante percebe que suas profecias falham, tentam se desculpar com respostas estereotipadas. Como de costume, depois que perceberam a furada que entraram sobre a questão da “geração”, então resolveram se desculpar pelo erro:

 “Será que nosso ponto de vista mais preciso sobre ‘esta geração’ significa que o Armagedom está ainda mais longe do que pensávamos? De forma alguma!” (ibdem, pág. 20)

“Será que adianta alguma coisa procurar datas ou especular sobre a duração literal da vida duma ‘geração’? Longe disso!” (a Sentinela, 01/11/1995, pág. 19)

Mas eles mesmos disseram que não fazem especulações! Veja:

 “No entanto, a Bíblia nos aconselha a evitar perguntas tolas e especulativas... A organização segue o exemplo de Jesus. Ele se refreava de comentar perguntas para as quais ainda não chegara o tempo certo de responder”. (A Sentinela, 15/08/1998, pág. 20)

 “O ancião deve ‘falar’ apenas quando sabe a resposta a uma pergunta ou fez suficiente pesquisa para dar uma resposta correta. É sábio deixar sem resposta perguntas especulativas.”  (A Sentinela, 15/10/1991, pág. 19)

Por certo, isto não é o que vemos nas literaturas das Testemunhas de Jeová! Indubitavelmente, elas não seguem o exemplo de Jesus. Mas o pior não é isto, elas não só mente de maneira deslavada, contradizendo a si mesmas, e como isso já não bastasse, jogam a culpa em cima dos discípulos de Cristo. 

 

JOGANDO A CULPA NOS OUTROS

 “As Testemunhas de Jeová tem estado ansiosas de saber quando virá o dia de Jeová. Na sua ansiedade, às vezes fizeram tentativas de calcular quando viria. Mas por fazerem isso, assim como fizeram os primeiros discípulos de Jesus, deixaram de acatar as palavras de cautela do Amo, de que ‘não sabemos quando é o tempo designado’.” (A Sentinela, 01/09/1997, pág. 22)

Pergunto: Quando foi que os discípulos fizeram cálculos errados? Quando profetizaram falsamente? Quando vimos Pedro, Paulo, Tiago ou João remarcando datas e dando explicações esdrúxulas para tapar o erro? A resposta é, NUNCA! Mas elas precisam de uma boa desculpa para explicar suas aberrações teológicas, mesmo que para isto, tenham que jogar até os próprios discípulos na confusão. E ainda com a maior cara de pau afirmam:

“Elas [as TJ’s] sabem quando é hora de falar e quando é hora de aguardar silenciosamente por mais esclarecimentos.” (a Sentinela, 01/10/2000, pág. 32)

Pode você confiar numa organização fraudulenta como esta?

Quando não, afirmam que a culpa foi dos próprios adeptos sendo que na verdade foi a liderança do corpo governante que preparou todos eles através das revistas e livros para estas “expectativas falsas”. Foram eles que induziram as TJ’s a não se casarem, a não terem filhos, a vender as suas propriedades e viver só da pregação, e depois que nada do que profetizaram se cumpriu, aí a culpa não é mais da liderança mas recai sobre os pobres adeptos fiéis escravos da organização. Este povo oferece uma lealdade incondicional à organização. Isto porque, eles passam por uma espécie de lavagem cerebral que consiste em 1) atacar todas as outras religiões 2) acreditar piamente na organização 3) se isolar de outros, até mesmo familiares 4) não ler livros que falem sobre a organização 5) passam por uma bateria de estudos das literaturas da organização durante dia após dia, semana após semana e ano após ano criando assim uma espécie de osmose religiosa. É assim que a lealdade à organização de Jeová é formada e acimentada nas mentes dos escravos TJ’s. Por incrível que pareça o corpo governante chama-os assim: “São homens bastantes atarefados, ‘ESCRAVOS’ dedicados, que não recebem remuneração por estes serviços” (A Sentinela, 01/02/1986, pág. 31)

 

EXEMPLOS CLÁSSICOS

Outros exemplos foram as profecias sobre 1925. Na época Rutherford afirmava que;

1)      Esta data [1925] além de ser indicada pelas escrituras, baseava-se na lei de Deus.

2)      As escrituras estabeleciam o fato de que Abraão, Isaque e Jacó seriam ressuscitados para o paraíso em 1925.

DESCULPAS:

Quando, porém chegou o ano de 1925, Rutherford vendo o erro que cometera começou a preparar a mente das TJ’s dizendo que talvez isto não aconteceria: Muitos tem esperado confiantemente que todos os membros do corpo de Cristo sejam trasladados para a glória celestial durante este ano. Isto talvez seja realizado talvez não.” (A Sentinela, 01/01/1925, pág. 3 – em inglês)

Alguns anteciparam que a obra seria terminada em 1925, mas o Senhor não declarou desta forma.”A Sentinela, 01/08/1926, pág. 232 – em inglês)

 “Ao invés de isso ser considerado uma ‘probabilidade’, leram que era uma certeza.” (Anuário das Testemunhas de Jeová, 1976, pág. 146)

Veja que a ênfase recai sobre “muitos”e “alguns” que leram, mas nunca sobre o verdadeiro culpado que foi  quem fez a previsão, ou seja, o falso profeta Rutherford.

Knnor dizia que 1975 marcaria o começo do novo sistema de Deus para o povo de Jeová:

1)      “Seu interesse foi suscitado pela crença de que 1975 marcará o fim de 6.000 anos da história humana desde a criação de Adão”

2)      Diziam se Basear em uma suposta “fidedigna” cronologia bíblica e diziam que Jeová era o “maior cronologista”.

 DESCULPAS:

 “Quando foi publicado o livro Vida Eterna - na Liberdade dos Filhos de Deus...Criou-se muita expectativa sobre o ano de 1975...Infelizmente, porém, al lado de tal informação cauteladora, publicaram-se outras declarações que davam a entender que tal cumprimento de esperança até aquele ano era mais uma probabilidade  do que mera possibilidade...’Caso alguém tenha ficado desapontado ,...deve agora concentrar-se em reajustar seu ponto de vista...” (A Sentinela de 15/09/80, pág. 17/18)

Novamente a culpa não recai sobre Knnor, mas sobre os leitores TJ’s! 

Na Despertai, 22/04/1969, pág. 14,23, o corpo governante das Testemunhas de Jeová inconscientemente mostra o seu verdadeiro perfil. Tentando alertar seus adeptos contra organizações que marcaram o fim do mundo:

“É verdade, houve aqueles que, em tempos passados, predisseram um ‘fim do mundo’ até mesmo anunciando uma data específica... Todavia, nada aconteceu. O ‘fim’ não veio. Eram culpados de profetizar falsamente. Por que? O que estava faltando? Faltava a plena medida de evidencia exigida em cumprimento da profecia bíblica. O que tais pessoas não tinham eram as verdades de Deus e a evidencia de que Ele as guiava e usava”

 Agora compare com o que disseram no passado de que “OS FALSOS PROFETAS PROCURARÃO OCULTAR SEUS MOTIVOS DE SENTIR VERGONHA POR NEGAR QUEM REALMENTE SÃO.”(O Paraíso Restabelecido para a Humanidade, pág. 354/5)

Não é exatamente isso o que fazem a cada vez que erram em suas previsões e pseudoprofecias? Tentam ocultar os erros por jogar a culpa nos outros? Esta é a organização que exige lealdade de seus adeptos. É este o “escravo fiel e discreto” que alimentam o seu povo com a verdade?

 

LEALDADE DEPOIS DE TUDO ISSO?

Após ter lido tudo isso, se você é Testemunha de Jeová gostaria que considerasse nosso alerta, pense por si mesmo, não deixe que o corpo governante pense por você. Eles exigem lealdade incondicional das TJ’s, mas não retribuem essa lealdade.

 “Todavia nós como dedicadas Testemunhas de Jeová, temos de ser leais a ele e à sua organização. Nunca devemos nem pensar em desviar-nos da maravilhosa luz de Deus...Mas, o que devemos fazer quando achamos difícil de aceitar ou de plenamente entender algum ponto bíblico pelo escravo fiel? Admitamos então humildemente de quem aprendemos a verdade...” (a Sentinela, 15/11/1992, pág. 20)

Veja você que a lealdade exigida tem de ser cega, sem nenhum questionamento. É por isso que eles têm medo que as TJ’s conversem com quem já foi um dia da organização e hoje é cristão. Tais pessoas conhecem a verdade sobre o ‘escravo’ que além de não ser discreto não é nada fiel.

“A lealdade à organização visível de Jeová significa também não ter nada que ver com os apóstatas. Os cristãos leais não ficam curiosos de saber o que essas pessoas dizem” (A Sentinela, 15/03/1996, pág. 17)

‘Quando alguém é desligado ou desassociado não se questiona os motivos tomados pela liderança, pois tal pessoa pode ter descoberto as falcatruas do corpo governante ou pode ter “idéias independentes” das da organização, mesmo que for idéias baseadas na Bíblia.

“Quando há uma desassociação, a lealdade exige que apoiemos os anciãos, sem tentar adivinhar se houve motivos suficientes para a ação tomada.” (A Sentinela, 15/01/1988, pág. 19)  

Mas as Testemunhas de Jeová prosseguem cativas pelo medo do Armagedom, pois vida eterna só se encontra dentro da organização, pois ela se considera a ‘única religião verdadeira’, a organização é a única que pode interpretar a Bíblia por isso dizem “Além do mais, suponhamos que alguém quisesse se separar do povo de Jeová. Para onde poderia ir?” (A Sentinela, 15/063/1988, pág. 18) e “Não teria sido melhor ter permanecido na organização, esperando em Jeová? (A Sentinela, 15/01/1988, pág. 22)”.

Mas isto é só uma maneira disfarçada de continuar controlando as pessoas dentro do sistema desleal do corpo governante.   

UM CONSELHO DE AMIGO

“Precisamos examinar não só o que nós mesmos cremos, mas também o que é ensinado pela organização religiosa com que talvez nos associemos... Se amarmos a verdade, não precisamos temer tal exame” (A Verdade que Conduz a Vida Eterna, p.13).

 “Não tem nada a perder por examinar assim suas crenças religiosas. Na verdade deve querer fazer isso, porque a Bíblia nos exorta...Afinal, não é a aprovação de Deus que realmente importa?” (A Sentinela, 01/04/2001, pág. 6)   

 “Qual deve ser sua reação caso se lhe apresente prova de que aquilo em que crê é errado?... Será que o orgulho e a obstinação lhe impediriam admitir que está na estrada errada? Pois bem, se ficar sabendo pelo exame de sua própria Bíblia, que está seguindo o caminho religioso errado, esteja disposto a mudar”. (Poderá Viver Para Sempre... pág.33).

“Vindo a saber que as crenças tradicionais que você já por anos talvez esteja seguindo conflitam com a verdade, teria a coragem de abandoná-las?” (A Sentinela, 01/12/1995, pág. 7) 

 PENSE NISSO...

JESUS FOI CRUCIFICADO OU ESTACADO

(LC 23.21)

oi de epephonoun legontes,
staurou, staurou auton

oi de epephonoun legontes,
staurou, staurou auton

TNM

Começaram então a berrar, dizendo: "Para a estaca! Para a estaca com ele!"

BÍBLIA SAGRADA

Mas eles clamavam em contrário, dizendo: Crucifica-o crucifica-o.

A palavra grega traduzida por "cruz é staurov" (stauros) e o verbo é staurovw (stauroo). Na literatura grega clássica stauros significa: "empalação, enforcamento, estrangulamento", além de "estaca". Era também um instrumento de suplício: uma viga colocada nos ombros do réu. Não existe uma definição única para o termo, como ensina a STV. A palavra stauros por si não diz a técnica nem a forma exatas da execução. Para saber com mais exatidão sobre essa execução é necessário de antemão saber em que região, em que época e sob que autoridade foi executada a sentença, além de conhecer o ponto de vista do escritor que emprega o referido vocábulo.

No Velho Testamento o termo "estaca" aparece em Êx 35.18; 38.31; Nm 3.37; 4.32; Jz 4.21-22; 5.26; Is 33.20; 54.2; Ez 15.3; Zc 10.4, e em nenhuma delas a Septuaginta traduziu por stauros. O verbo stauroo aparece só uma vez no Velho Testamento, em Et 7.9-10, e é traduzido por "enforcar". A STV não tem autoridade para dogmatizar sobre ser stauros apenas "estaca". Não existe apoio bíblico nem histórico para o ensino da Torre de Vigia.

Stauros podia ser uma viga transversal apenas ou uma estaca, ou ainda os dois juntos. Stauros como "estaca" é apenas uma possibilidade, e não uma afirmação, e isso sem considerar tempo, lugar e governo.

A pena de morte pela cruz era uma prática conhecida na Grécia, mas os romanos trouxeram tal prática dos cartagineses. Só os romanos usaram a cruz como pena capital, e tal prática foi abolida por Constantino, na primeira metade do século IV, na sua reforma social e política. Nos dias de Cristo existiam três tipos de cruz, a saber: cruz de Santo André, do formato de um "X"; cruz comissa, ou de Santo Antonio, da forma de um "T", e a cruz ímmíssa. Pela inscrição posta sobre a cabeça de Jesus, JESUS NAZARENO REI DOS JUDEUS, podendo ser lida à distância, em três línguas (hebraica, grega e latina) Lc 23.38; Jo 19.19 e 20, fica mais claro que o sol do meio dia que Jesus foi crucificado na crux ímmissa.

Ninguém escreveu com detalhes a crucificação de Jesus, mas a evidência do Novo Testamento, os escritos da patrística e o testemunho da história atestam a cruz como pena capital no império romano, sendo o próprio Cristo executado conforme o sistema da época.

Foi encontrado em 1968, numa região de Jerusalém, um ossuário que continha ossos de um jovem que fora crucificado no primeiro século do cristianismo. Um prego tinha sido posto em cada antebraço, atravessando-os, e outro atravessando os dois calcanhares, com as duas pernas quebradas, como as pernas dos dois malfeitores que foram crucificados ao lado do Senhor Jesus, mencionados em João 19.32.

Desde o surgimento do cristianismo, sempre foi apregoada entre as nações a crucificação de Cristo. O argumento de que Cristo foi estacado e de que a cruz é um símbolo do paganismo é improcedente e inconsistente. A STV não apresenta nenhuma prova bíblica e nenhum argumento sólido e convincente. Não é simplesmente pelo fato de stauros ter também o sentido de "estaca" que a STV vai demolir um patrimônio histórico de quase 2.000 anos, para dar lugar à sua tese. Substituir a cruz de Cristo pela estaca de tortura da TNM é um processo arbitrário, imposto pela organização, e um escárnio para tirar o mérito do Senhor Jesus Cristo, como aquele que padeceu de braços abertos para nos salvar e nos libertar das garras de Satanás.

A STV mudou a cruz pela "estaca de tortura" a partir de 1930. Você pode ver a cruz nas obras da organização dos anos 20 e 30. Veja o livro Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, p. 95, publicado, em português, em 1923; o livro Vida, p. 230, 1929; Criação, p. 225, 1927, todos publicados por Rutherford (Influente líder entre as TJ). Até 1930, um dos símbolos da organização era a cruz dentro de uma coroa (símbolo da maçonaria e do ocultismo).

A TNM traduz por "estaca, estaca de tortura" onde quer que a palavra grega stauros apareça. Entretanto, em Jo 20.25, na própria TNM, diz: "A menos que

eu veja nas suas mãos o sinal dos pregos e ponha o meu dedo no sinal dos pregos". Veja a gravura da p. 170, do livro Conhecimento Que Conduz à Vida Eterna, p. 67, o leitor verá que a STV precisa inventar outra gravura, acrescentando mais um prego nas mãos de Jesus.

São contradições que incomodam o Corpo Governante, que deixam as Testemunhas de Jeová em situação desconfortável. Quanto mais procuram falsificar as Escrituras, mais ficam expostas suas contradições. A TNM não se reveste de autoridade, Os cristãos devem rejeitá-la. (

Texto Extraído da Revista  defesa da fé nº 12.

                           As Testemunhas de Jeová e a Transfusão de sangue

Introdução: Baseados em Gen. 9.4, Levíticos 7.27; 17.10-14, e Deut. 12.25-28, as Testemunhas de Jeová (TJ) não permitem que alguém da seita ou da família se submeta a transfusão de sangue para intervenções cirúrgicas ou para salvar a vida de alguém em circunstâncias especiais. Casos graves neste sentido têm surgido, provocando a movimentação da opinião pública e que se tornaram chocantes.

Mas não foi sempre assim com as TJ Seu principal fundador, Charles Taze Russel, por volta de 1892, apenas proibiu comer sangue, mas nada falou de transfusão de sangue. Igualmente, seu grande sucessor, o Juíz Rootherford, em 1939, respondendo a uma indagação por carta de um de seus seguidores, falou que não se deveria comer a carne de animais com o seu sangue conforme a recomendação do Velho Testamento, mas não tratou de transfusão de sangue (Witnesses of Jehovah - A Shocking Expose of What Jehovah's Witnesses Really Believe - Leonard & Majorie Chretien, Harvest House Publishers, Oregon, pag 183).

A proibição começou a ser implantada a partir de 22 de dezembro de 1943, quando saiu um artigo na revista Consolação (Consolation) defendendo a idéia (idem, idem, p. 183). Daí para a frente, vários artigos em várias literaturas, consolidaram a proibição.

Teriam razão as testemunhas de Jeová?
 

Vejamos:

1. Comer não é transfundir.  De qualquer maneira, comer não tem nada a ver com transfundir sangue. O texto bíblico jamais deixa transparecer qualquer outro significado. A proibição é de não comer a carne com o sangue,mas daí, a entender que a proibição de comer carne com sangue significa proibir fazer transfusão de sangue para salvar uma vida, é muito diferente.

2. A proibição é de comer sangue de animal. Jamais esteve em foco a idéia de comer sangue humano. A Bíblia não permite o canibalismo, isto é, o ato de comer carne humana, muito menos o ato de comer sangue humano. Esse critério de interpretação bíblica para acomodar o texto a idéias preconcebidas é tão inconseqüente, que leva seus agentes a cometerem incoerências. 


3. Sangue posto na veia não é a mesma coisa que soro para alimento. A grande argumentação das TJ., citando inclusive conceitos médicos de alimentação endovenosa, que infundir algo na veia é alimentar. Pode até ser "alimentar", mas não é comer. Sabe-se que "comer" faz parte do processo de alimentar, pois quando comemos algo estamos levando para dentro de nós certos elementos que vão ser distribuídos pelo nosso organismo. Mas o ato de comer para alimentar envolve, ao final, o ato de jogar fora, pelos intestinos, aquilo que não presta. E isso seria indigno para a vida que tantas vezes era levada ao altar para servir de expiação pelo pecado. Daí concluímos que o ato mecânico de comer pode ser alimentar, mas o ato de alimentar com soro pela veia não é o mesmo que "comer", pois dispensa os atos mecânicos de mastigar e deglutir (engolir).

4. Sangue injetado na veia, além de não ser de animal, mas de ser humano, é, ainda mais, de pessoa viva e não de pessoa morta. Um morto não pode doar sangue. A pessoa que doa sangue continua viva, em plena saúde. E a Bíblia, no caso, proíbe comer sangue de animal que foi morto para servir de alimento. É muito diferente.

5. Não há nenhuma passagem bíblica que regulamente a questão de transfusão de sangue especificamente, mesmo porque esse maravilhoso recurso médico ainda não era conhecido. Ademais, a própria Bíblia diz que "onde não há lei não há transgressão" (Rom. 4.15). A mesma coisa acontece com o Direito das nações cultas que diz: "Se não há lei, não há crime".

6. Essa proibição, portanto, que tem ceifado tantas vidas inocentes e preciosas provém, data venia, da maneira errada das TJ interpretarem as Escrituras. Felizmente, ao longo dos anos, muitas pessoas conseguiram se libertar desses erros, como é o caso do casal Leonard & Marjorie Chretien, autores do Livro: Witnesses of Jehovah, A Shocking Expose of What Jehovah's Witnesses Really Believe, que abandonaram a seita após 22 anos de serviço fiel à organização, e escreveram um livro, lançado em 1988, que todas pessoas engajadas no sistema Testemunha de Jeová deveria ler.

O PROCESSO DE DOUTRINAÇÃO DA

TORRE DE VIGIA

INTRODUÇÃO

      Neste artigo, tratarei dos seguintes processos:

  • Como  as pessoas são encorajadas a estudar com as Testemunhas de Jeová.

  • Como as pessoas são encorajadas a se afiliar, se batizar e se tornarem membros da congregação.

  • Como as pessoas são desencorajadas a deixar a Sociedade Torre de Vigia.

    Falarei muito pouco acerca da validade da doutrina da Sociedade Torre de Vigia.  Isto é discutido em maiores detalhes noutro lugar.

Público-alvo: Este artigo foi escrito para aquelas pessoas que foram abordadas pelas Testemunhas de Jeová e querem saber o que podem esperar disso.  Também pode ser de interesse para quem já é Testemunha e está começando a se perguntar por que se converteu.  

Agradecimentos: Eu quero agradecer às seguintes pessoas por terem me ajudado neste artigo: Marie Black, K.C.C., Ella Chapman, Regina Kolesa, Jeffery M. Schwelm.

À PORTA DE CASA

   É uma quieta tarde de sábado [ou um belo domingo de manhã].  Você está sentado na sua cadeira favorita, lendo o jornal.  A campainha toca.  Você atende e encontra duas pessoas sorridentes.  Elas estão bem vestidas e cada uma carrega uma pasta.  Por um momento você pensa que elas vão lhe vender um seguro de vida, mas elas parecem alegres demais para isso.

    Você então supõe que elas sejam Testemunhas de Jeová, e, como previsto, elas começam a falar acerca de uma maravilhosa esperança para o futuro.  Elas não dizem, na verdade, que são Testemunhas, mas quando uma saca uma Bíblia você vê que há algumas cópias da revista "A Sentinela" em sua pasta.

    Em seguida elas pedem a sua opinião sobre alguns eventos mundiais e perguntam o que você acha que vai acontecer se as coisas continuarem piorando.  Você pondera que há muitos problemas, e às vezes você realmente se pergunta onde as coisas vão parar.  Aí você as convida para uma conversa.

    Acontece que você normalmente não convida estranhos para entrar na sua casa, mas estas pessoas parecem bastante inofensivas. Além disso, você já ouviu dizer da legendária honestidade das Testemunhas de Jeová e por isso decide não se preocupar com seus bens ou seu dinheiro.

    Mas há uma outra coisa com a qual você deveria se preocupar.

UMA ÚNICA ESTRADA ATÉ A TERRA PROMETIDA

As Testemunhas de Jeová são treinadas para fazer com que as pessoas falem sobre a "condição do mundo" e conduzem a discussão de forma a que a religião delas pareça ser a sua única esperança.  Se você não estiver preparado para o método de doutrinação delas, você pode acabar concluindo que somente as Testemunhas de Jeová poderão dar significado à sua vida e protegê-lo das provas e tribulações da vida.  

    A primeira coisa que elas fazem é cultivar o seu medo.    

    Todos nós tememos o desconhecido.  O que vai acontecer amanhã?  Será que vou ser despedido?  E se houver uma guerra nuclear?  E se eu ficar doente?  Essas perguntas "E se...?" são as fagulhas com as quais as Testemunhas farão uma fogueira.    

    As Testemunhas na sua porta têm um propósito em mente: converter você à religião delas.  Se você lhes perguntar à queima-roupa se é essa a intenção, elas normalmente negam.  Dirão apenas que estão ali para discutir a "condição em que o mundo está" ou "a Bíblia" ou então "uma esperança para o futuro".  Esta evasão é compreensível; se elas dissessem abertamente às pessoas que estão ali para convertê-las, ninguém as ouviria!

    Ao reforçar o seu medo, as Testemunhas podem citar uma infinidade de estatísticas que "provam" que a situação atual do mundo é tenebrosa.  Algumas de suas afirmações são verdadeiras, algumas estão desatualizadas, e outras estão simplesmente erradas.

    Qualquer um pode passar informações erradas sem querer.  No entanto, as Testemunhas passam informações selecionadas com o objetivo de pintar um quadro lamentável.  Embora haja muitas coisas erradas com o mundo, há muitas coisas boas também.  Por exemplo, a maioria das pessoas que estão lendo este artigo vivem mais e melhor do que o mais rico monarca da Antigüidade.    

    Junto com esse retrato sombrio do futuro, as Testemunhas apresentam a imagem de um outro futuro, desta vez glorioso, onde você viverá para sempre num paraíso.  Isto é muito atraente, e é difícil não se sentir tentado.  Todos nós ansiamos por um "Jardim do Éden", e não é à toa que muita gente tira férias regulares em locais exóticos como o Havaí ou o Taiti para experimentar um pouco de boa vida.

EM DESVANTAGEM

Como você pode expulsá-las quando elas lhe oferecem um futuro esplêndido como esse?  Por que você deveria se zangar?  Isso não seria rude?  As Testemunhas fazem seus maiores progressos com gente educada.  Toda a sua pregação fracassaria se as pessoas fossem menos amigáveis com quem batesse à porta sem ser convidado.

    Eu não estou sugerindo que você seja rude com quem o visita sem aviso.  De qualquer forma, se você está pensando em debater com Testemunhas de Jeová, saiba que elas são bem treinadas, tendo inclusive um encontro semanal (a Escola de Ministério Teocrático e a Reunião de Serviço) para ajudá-las a expressar idéias de modo convincente.  Já o indivíduo mediano não está tão bem qualificado para discutir esses assuntos. 

    Mesmo que você seja bem educado e articulado, você provavelmente não é muito versado em assuntos religiosos.  Já as Testemunhas "vivem, comem e respiram" sua religião e podem arrasar a maioria das pessoas num debate.  Elas conhecem muito bem sua doutrina, pois a estudam continuamente.  Elas aprenderam respostas para virtualmente qualquer objeção, o que lembra o credo do vendedor: "Se você puder responder a qualquer objeção, você fará a venda."

O fato de você poder responder a qualquer objeção não significa que você esteja certo (ou que o produto que você esteja vendendo seja melhor que os outros).  Isso apenas quer dizer que você é melhor em debates que o seu interlocutor.  Bons trapaceiros "vendem seu peixe" convencendo as pessoas de que o que parece impossível é, na realidade, possível.  (Eu não estou igualando as Testemunhas a esses criminosos, mas demonstrando o princípio de que "Ser convincente não é o mesmo que ser válido".  O que parece bom demais para ser verdade costuma não ser verdade mesmo.)

Não obstante toda a sua habilidade, as Testemunhas não são debatedores invencíveis.  É possível fazer buracos em sua retórica --especialmente se você conhece a doutrina delas, ou tem um bom embasamento bíblico, científico ou histórico.  Em tais casos, as Testemunhas irão sutilmente se esquivar da questão.  (Esta técnica de debate, e outras, são descritas no artigo Debating with Jehovah's Witnesses)

UMA ESPERANÇA REAL E UM CAMINHO CLARO

A Testemunhas na sua porta não estão "vendendo gato por lebre".  A maioria está verdadeiramente feliz por ser Testemunha e não se perturba por conta da história de sua religião.  Nem se incomoda que esta discorde da ciência ou tenha feito numerosas previsões que não se realizaram.  Como ocorre na maior parte das religiões, elas tiram um maior benefício do intangível espírito de grupo do que de doutrinas específicas.  Como Testemunhas, elas se associam regularmente com boas pessoas que compartilham as mesmas idéias e valores.  Além disso, todas elas antecipam a mesma coisa: um mundo onde a dor e o sofrimento terão sido erradicados.  Quem não se comoveria com um sonho de alegria eterna?

    Você pode ter dúvidas de que as Testemunhas tenham "a verdadeira religião" (o que quer que isso signifique), mas você não deve duvidar de sua sinceridade.  Ao mesmo tempo, não confunda sinceridade com verdade.  Há inúmeras religiões que acreditam com a mesma convicção que são elas que têm a verdade.   

    Se você perguntar a uma Testemunha na porta da sua casa se você tem de se tornar uma Testemunha para ser "salvo" no Dia do Juízo Final (que as Testemunhas chamam de Armagedom), na maioria das vezes ela vai lhe dar uma resposta vaga.  Isso porque as Testemunhas aprendem que é "impróprio" dizer que só elas serão resgatadas, daí preferirem dizer algo como, "Só Deus pode julgar o coração das pessoas".

    Algumas Testemunhas realmente acreditam numa salvação não-exclusiva, já que o contrário nunca lhes foi dito explicitamente.  Na prática, entretanto, as Testemunhas são constantemente ensinadas que a sua religião é a verdadeira religião, e que Deus despreza todo o resto.  A conseqüência desse raciocínio é suficientemente óbvia.

TÃO RAZOÁVEL...

Mesmo que as Testemunhas simpatizem externamente com a idéia de que Deus possa ver com bons olhos algumas não-Testemunhas, sua atitude, no entanto, sugere que Deus favorece somente a elas, Testemunhas.  Mas isso não será perceptível imediatamente. 

    Em geral, as Testemunhas na sua porta lhe dirão o que você quer ouvir.  Elas querem evitar (para usar sua terminologia) "ser pedra de tropeço" para você.  E embora as intenções delas sejam boa, isso pode levá-las a distorcer as coisas.

    Testemunhas de Jeová são cuidadosas quando perguntadas sobre aspectos controversos de sua religião, como transfusões de sangue, desassociação, ou falsas previsões.  A maior parte das perguntas sobre esses assuntos serão descartadas com uma risada e um aceno de mão: "Ah, não, você está mal informado!  Não é assim, não!"

Isso pode acontecer mesmo se você tiver sido precisamente correto no seu comentário.  As Testemunhas são tão cuidadosas em não "ser pedra de tropeço" para as pessoas que elas podem quereratenuar suas próprias crenças (mesmo na presença de outra Testemunha).  Você pode chamar isso de "mentir" ou "fingir".  Para uma Testemunha, contudo, ocorre apenas que você não está pronto para a verdade completa.  Elas lhe dão uma versão mais simples primeiro a fim de salvá-lo das garras de Satã.

    Não vamos ser muito críticos quanto a esse comportamento.  Quantos de nós nunca fizeram algo parecido, distorcendo a verdade para fazer valer nossos pontos de vista?   

MAIS DESGRAÇA E PREOCUPAÇÃO

Enquanto falam sobre o quão mal vai o mundo, as Testemunhas podem lhe perguntar se você tem tipo algum problema pessoal.  Se tiver, elas têm a cura.  Um parente morreu recentemente?  Você o verá após a Ressurreição.  Você se divorciou?  Você pode achar conforto e companhia com gente de bem -- tais como as Testemunhas.

    Mesmo as coisas boas podem ser usadas como base para despertar seu medo.  Você foi abençoado com um bebê?  Você não fica preocupado por vê-lo crescer num mundo desse jeito?

    Portanto, as Testemunhas não expressam seu convite tão asperamente a ponto de dizer, "Você deve se juntar às Testemunhas de Jeová".  O convite é insinuado, não declarado, através da oferta do caminho delas como a solução ideal para qualquer problema, real ou imaginário.

    A fim de criar a necessidade por uma "solução", as Testemunhas são especialistas em deprimir as pessoas.  Elas lamentam um notável crescimento do "mal" e a decadência geral de tudo.  Também enfatizam as falhas dos "governos do mundo" (apesar de tenderem a não criticar governos específicos, já que teoricamente elas não se envolvem nesses assuntos).

    Não importa o quão otimista você é, elas tentarão fazê-lo "admitir" que as coisas estão piores do que antes.  Você pode falar entusiasticamente sobre os maravilhosos avanços na ciência, na medicina, na tolerância e nos direitos humanos, mas elas vão refutá-lo o tempo todo com um "contra-exemplo" de extremo horror.  Nesta parte da exposição, elas não vão querer você muito alegre.

    Outro alvo muito comum são as outras religiões e seus representantes.  Algumas Testemunhas podem discorrer por horas sobre escândalos envolvendo homens do clero.  Por exemplo, elas pegarão a história de um padre que molestava crianças e usá-la como evidência do quanto toda a religião dele deve ser ruim.  Esse tipo de generalização é, claro, um truque retórico barato, mas muita gente não consegue reconhecê-lo imediatamente como tal. 

    As Testemunhas querem que você veja que todas as outras religiões são corruptas, e citarão vários versículos bíblicos para mostrar que elas -- e somente elas -- vivem de acordo com as expectativas de Deus.

    Além disso, você deve ter cuidado para não aceitar à primeira vista as afirmativas que elas fazem .  Por exemplo, elas gostam de nos lembrar que não vão para a guerra, e algumas chegam a dizer (e acreditar) que nenhuma outra religião tem a mesma postura. (Além das Testemunhas de Jeová, os Quacres são conhecidos como zelosos opositores do serviço militar.)

O OBJETIVO INTERMEDIÁRIO

As Testemunhas não têm a esperança de fazer você "ver a luz" com apenas uma única visita.  Caso você se interesse pela mensagem que trouxeram, elas marcarão uma visita sua a elas (ou ao Salão do Reino).

    Se você continuar interessado, elas vão sugerir que as suas perguntas poderão ser melhor respondidas através de um arranjo mais formal -- um estudo bíblico gratuito uma vez por semana.

    Uma vez que elas parecem pessoas agradáveis, você pode concordar com essas visitas regulares.  É bom ter mais companhia, e quase todo o mundo se interessa em saber mais sobre a Bíblia.

O "estudo bíblico" é, na verdade, o estudo de um outro livro.  Você vai ser apresentado a um texto para iniciantes.  Uma Bíblia estará sobre a mesa durante o estudo, mas a maior parte do tempo será gasta com o estudo do outro livro [N. do T.: desde 1995, usa-se o livro Conhecimento que Conduz à Vida Eterna] .  Elas vão explicar que, afinal de contas, a Bíblia é grande e complexa, e esta é uma forma mais organizada de aprender o que a Bíblia "realmente" diz.

RESUMO

Eis algumas coisas para você verificar quando as Testemunhas de Jeová vierem à sua casa...

·        Aumento dos temores naturais

·        Evasivas quanto ao real  propósito da visita (discussão versus conversão)

·        Declarações seletivas e infundadas sobre o estado atual do mundo

·        Uma promessa atraente de paraíso

·        Se tiram vantagem de sua educação e relativa falta de treino

·        Habilidade em se desviar ou passar por cima das objeções

·        Crença genuína no que pregam

·        Insinuação de que o caminho delas é o único caminho

·        Deturpação e atenuação de questões delicadas da sua doutrina

·        Citação de más experiências como razões para se juntar a elas

·        Transformação de boas experiências em razões para se juntar a elas

·        Pessimismo quanto ao futuro da humanidade (a menos que Deus intervenha)

·        Crítica ao governo e ao clero

·        Arranjos para visitas mútuas e (eventualmente) um estudo bíblico

O NEÓFITO

Uma vez que tenha concordado em participar de um estudo bíblico gratuito, você será envolvido num processo com o objetivo de encorajá-lo a assistir às reuniões das Testemunhas e posteriormente se batizar.  De qualquer forma, esse objetivo a longo prazo não é mencionado ainda.  A ênfase está em aprender o que a Bíblia "diz" -- sua "mensagem para a humanidade".

    De fato, se você interrogar sua instrutora acerca de sua motivação (suponhamos que seu estudo seja com uma mulher), ela dirá algo como, "Estou aqui apenas para ajudar você a entender a Bíblia".  Se você perguntar, "Você está tentando me convencer a me juntar à sua religião?", ela provavelmente dará uma resposta diplomática, tal como "Essa decisão é sua, não minha".    

    Por falar nisso, o estudo bíblico gratuito é o único lugar onde uma mulher pode formalmente ensinar a você a doutrina da Torre de Vigia. As Testemunhas de Jeová não permitem que elas falem na tribuna do Salão do Reino (local de reuniões), apesar de ser permitido que as mulheres encenem pequenas peças para ilustrar algum ponto da doutrina.

    A condutora do estudo normalmente vai lhe pedir para ler antecipadamente o material da próxima lição do livro de estudos.  Neste caso, provavelmente ela também vai pedir que você sublinhe as respostas para as perguntas que aparecem no rodapé de cada página. Ela vai explicar que isso é para permitir referências rápidas durante o estudo, ou em caso de um membro da família querer saber o que você aprendeu.  Essa leitura prévia com sublinhamento é uma técnica de estudo eficiente, mas também é um método sutil e poderoso de doutrinação.  Isto será discutido mais adiante, e em maiores detalhes, na seção "Repetição e Ênfase".

A TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO

A menos que você peça o contrário, sua instrutora usará a "Tradução do Novo Mundo" da Bíblia, que é a versão oficial das Escrituras usadas pelas Testemunhas.  É uma tradução razoavelmente acurada (até onde eu sou capacitado para julgar), mas certos versículos que parecem contradizer a doutrina da Torre de Vigia foram traduzidos com esses ensinos em mente.  Se houver duas traduções possíveis, a Tradução do Novo Mundo sempre vai escolher a mais próxima do ensino das Testemunhas de Jeová, mesmo se o raciocínio por trás dessa escolha for um tanto frágil.

    A sua condutora de estudo pode explicar que ela gosta de usar a Tradução do Novo Mundo porque é escrita em um português simples.  Isso é verdade; a TNM é muito fácil de ler.  No entanto, se você usá-la como sua única referência, você nunca saberá quando uma tradução alternativa vai divergir da doutrina das Testemunhas.

    Como um exemplo desse problema, compare as palavras de João 1:1 na TNM com as de qualquer outra Bíblia.  As Testemunhas são não-trinitarianas -- não crêem num Deus "três-em-um".  Portanto, sua Bíblia foi composta com isto em mente.  Há argumentos contra e a favor da versão da TNM para João 1:1, mas poucos tradutores concordam com a escolha feita pelas Testemunhas.

A IMPORTÂNCIA DAS QUESTÕES

As Testemunhas crêem possuir a única "verdadeira" religião, e a condutora do seu estudo levantará vários pontos-chave para demonstrar que só as Testemunhas têm a orientação de Deus.

    Por exemplo, as Testemunhas tentarão lhe provar que elas são as únicas que estão literalmente pregando em "nome de Deus".  Elas dizem que nenhuma outra religião usa o nome de Deus tão freqüentemente, ou com tanta paixão.  Isto aparenta ser um argumento forte, apesar de se poder perguntar o que Deus pensa de ter seu nome mal pronunciado.

    O "uso do nome de Deus" é muito importante para as Testemunhas, e sua instrutora fará disso uma questão de grande importância.  Realmente, à medida que seu estudo progride, você descobrirá que sua ela "prova" a validade da sua própria religião pelo enfoque em temas que parecem insignificantes para a maioria das pessoas.

    Por exemplo, as Testemunhas se preocupam em provar que Cristo foi executado numa estaca de madeira, em vez de uma cruz.  Isto é "importante", é o que elas dizem.  Também vão lhe dizer que é uma ofensa a Deus celebrar o Natal ou o aniversário natalício de pessoas.

O efeito dessas "informações" pode ser profundo.  Se você concordar com sua condutora que estes assuntos têm grande importância, inevitavelmente você notará que só as Testemunhas se importam com essas coisas.  

É por tais meios que elas o convencerão de que representam a única religião que faz a vontade de Deus.

VERSÍCULOS SELECIONADOS

Quase todo livro escrito sobre a Bíblia baseará suas afirmações numa lista de versículos que, espera-se, você vai consultar.  Embora seja difícil imaginar uma alternativa a esse método, ele faz com que cada versículo seja tirado do contexto, de modo que sua relação com o resto do texto se perde.

    Os livros das Testemunhas não são exceção.  Em muitos casos, o versículo é claro o suficiente; "Não matarás" dificilmente poderá dar margem a ambigüidades, e as pessoas já sabem que ele é parte dos Dez Mandamentos.  Todavia, em alguns casos, o contexto pode alterar drasticamente o significado de um versículo.

    Por exemplo, as Testemunhas têm uma doutrina relativa à parábola do "Escravo Fiel e Discreto" contada por Jesus.  Por meio da seleção de determinados versos, elas podem embasar a sua idiossincrática interpretação de que Jesus estava apontando para a existência de sábios especiais, ou seja, a Sociedade Torre de Vigia.  Contudo, se você ler a parábola (que, prestando-se mais atenção, revela-se duas parábolas), verá detalhes que não se adequam à doutrina das Testemunhas. (Se quiser conferir, leia Mateus 24:45 a 25:30)

    Pegando versos aqui e ali, é possível fazer a Bíblia dizer qualquer coisa.  As Testemunhas acusam as outras religiões de fazer isto, e as outras religiões, por sua vez, apontam seus dedos acusadores de volta para as Testemunhas.

    O livro de estudos que você está usando no estudo bíblico citará algumas vezes o versículo de que está tratando.  Isso torna impossível ver a escritura que o acompanha.  Novamente, este é um problema que afeta todos os escritos sobre a Bíblia -- não só os livros das Testemunhas -- mas também faz com que se pergunte se uma coisa chamada "estudo bíblico" não deveria, na verdade, usar a própria Bíblia como sua fonte primária.

    Se você perguntar à sua instrutora por que você está usando um livro e não a própria Bíblia, ela provavelmente repetirá o argumento de que é mais rápido e fácil usar um livro de estudos.  Assim, a Bíblia não consegue falar por si mesma.  Ela não se sustenta ou cai por seus próprios méritos.  Em vez disso, será usada apenas para "provar" as afirmações feitas pelo livro. 

    Naturalmente, pode-se fazer uma pergunta delicada: a Bíblia é um livro "perfeito", com a palavra final em tudo?  As Testemunhas acreditam que a Bíblia deve ser lida ao pé da letra, exceto quando afirma explicitamente que está falando em sentido figurado, ou quando elas pensam que ela está falando por símbolos -- o que é bem freqüente.

    Se você não partilha dessa crença, é improvável que as Testemunhas se ofereçam para estudar com você.  Pois é crença inquestionável delas que a Bíblia não contém quaisquer erros, lendas, tradições orais ou opiniões puramente humanas.

A LITERATURA

Os livros de estudo e as revistas da Torre de Vigia são ferramentas poderosas de doutrinação.  Eles concentram a mente nos ensinos do Corpo Governante (os homens que estabeleceram o corpo doutrinário da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados).  Você não é encorajado a tirar conclusões apenas pela Bíblia.

    Ao passo que esses livros e tratados (chamados pelas Testemunhas de "a literatura") freqüentemente se referem à Bíblia, uma Testemunha típica lerá centenas de palavras de "literatura" para cada palavra de texto bíblico.  Então, muito embora se familiarizem muito com a Bíblia, elas se familiarizam ainda mais com as interpretações do Corpo Governante.

    Isso não é nem óbvio nem evidente para a maioria das Testemunhas, pois a literatura pode abranger os mesmos temas repetidamente, usando palavras diferentes.  Os comentários bíblicos, por outro lado, são "edificados sobre a rocha".  Assim, quando as Testemunhas pensam sobre um tema determinado, elas recordarão uns poucos versículos bíblicos relevantes e, subconscientemente, juntarão a eles mais algumas centenas de páginas contendo a interpretação do Corpo Governante.

REPETIÇÃO E ÊNFASE

Repetição é um método potente usado para fixar as interpretações do Corpo Governante.  Pouca gente nota que as mesmas questões e conceitos são sempre repetidos.  Contudo, esta constante ênfase em certas idéias serve como um tipo de "Catecismo da Testemunha de Jeová".  Vejamos como isto funciona durante o estudo bíblico gratuito.

    Um dia ou dois antes do estudo, cada artigo ou capítulo em estudo é lido primeiro em particular pelo estudante.  Aparecem perguntas no rodapé de cada página, correspondendo a cada parágrafo do texto.  O estudante então sublinha as respostas.  Quase invariavelmente, a resposta de cada questão é apenas uma frase no parágrafo.  Para achá-la é preciso ler o parágrafo uma segunda vez.  Sublinhar a frase significa lê-la uma terceira vez.

    Durante o estudo sua instrutora lerá o parágrafo em voz alta (ou pedir a você que o faça).  Isto já constitui a quarta vez que você terá lido cada uma das sentenças sublinhadas.  Então ela lhe perguntará a resposta, que você lerá no livro.

    Portanto, você lerá a resposta cinco vezes antes de passar para a próxima lição.

    Se você é um leitor mediano, terá memorizado a frase na segunda ou terceira leitura.  Já na quarta ou quinta vez a sua atenção vai se desviar um pouco.  E aqui reside o perigo: você não estará prestando atenção ao que vai ser dito.

    Isso é aprendizagem por rotina, tal como você fazia para decorar as tabuadas de multiplicação.  Repetindo sempre as mesmas respostas, você as imprime profundamente na memória.  Você até se entedia com a resposta e quer passar para alguma outra coisa.  Como resultado, você não questiona a resposta.

    A maioria das ex-TJs (ex-Testemunhas de Jeová) identificam o "tédio" como um dos piores aspectos dessa religião.  A repetição constante é desanimadora e nunca diminui.  Um tópico que você estudou num mês pode reaparecer numa  forma ligeiramente diferente nos meses seguintes, e mais uma vez você está repetindo as mesmas respostas decoradas (talvez com frases um pouco diferentes).

    O efeito é quase hipnótico.  Quando você está num estado semelhante ao transe (provocado pelo tédio ou pela repetição), sua mente entra no "piloto automático" e suas reações são mais instintivas do que racionais.

    Por exemplo, se você dirige um carro por uma estrada longa e indiferenciada, sua mente vai divagar.  Eventualmente você vai chegar ao seu destino e nem lembrar como chegou lá.  Uma possibilidade é que você não teve de tomar decisões ao longo do caminho.  Você estava, como dizem, "no mundo da lua" -- no carro "em corpo", mas não "em espírito".

    Na verdade, a literatura da Torre de Vigia é muito bem escrita, dado o seu propósito de informar um vasto contingente de pessoas dos mais variados níveis de instrução.  Ela usa uma linguagem simples -- raramente você precisará consultar um dicionário.  Mas mesmo essa falta de desafio pode fazer alguém dormir.  Para a maioria, a grande simplicidade do texto tira qualquer emoção da leitura.

    As Testemunhas de Jeová têm sido acusadas de tirar proveito de gente ignorante e sem instrução.  Porém, provavelmente é mais correto (e menos cínico) dizer que a literatura delas pode ser facilmente entendida por qualquer um.  E esta é uma realização admirável, exceto que, uma vez que você tenha dominado o material básico, não há nada "profundo" para você estudar.  O "pensamento pesado" ocorre no quartel-general da Torre de Vigia, ao passo que os membros comuns são enfaticamente desencorajados a explorar interpretações alternativas.  De fato, eles podem ser expulsos da congregação por isso -- o que será discutido em maiores detalhes na seção "Para quem nós iremos?".

PERGUNTADO E RESPONDIDO

Pode-se analisar a literatura da Torre de Vigia de muitas maneiras para mostrar como ela induz a mente de alguém a aceitar o que está escrito sem questionar, mas isto foge ao propósito deste artigo.  Eu me limitarei a descrever uma técnica adicional.

    A literatura da Torre de Vigia tem uma tendência peculiar para fazer uma pergunta e respondê-la logo em seguida.  Ela faz isso o tempo todo, e a combinação de pergunta e reposta não lhe dá tempo para pensar sobre a resposta que lhe foi oferecida, já que na hora em que você tiver lido a resposta, já estará entrando na próxima frase.

    Aqui vai um exemplo, tirado aleatoriamente abrindo ao acaso um exemplar de "A Sentinela" de setembro de 1996.  Na página 14 lê-se:

Qual o propósito desta aliança?  Produzir uma nação de reis e sacerdotes para 
abençoar toda a humanidade. (Êxodo 19:6; 1 Pedro 2:9; Revelação 5:10).  A 
aliança da Lei Mosaica nunca produziu esta nação no sentido pleno... 

    Ignore o texto em si por um momento e note como a pergunta é feita, então respondida, e logo é seguida por uma cadeia de versículos a serem consultados nas escrituras hebraicas e cristãs.  Se você decidir consultar esses versículos, estará procurando provas de que a afirmação feita foi correta.  Mas o mais provável é que você faça o que a maior parte das pessoas faz: "passar os olhos" sobre os versículos, pensando "Eu acho que eles se aplicam, senão eles não os teriam citado", e prosseguir para a próxima frase.

    Em nenhum dos casos você vai parar e dizer, "Espere um pouco, essa declaração foi verdadeira?".  Isso é especialmente verdadeiro se você encontrar a declaração durante um estudo bíblico ou numa reunião; ninguém vai esperar você pesar os prós e os contras.

    Naturalmente, todos os comentários devem fazer afirmações e fundamentá-las.  Mas por que a literatura da Torre de Vigia usa este estilo determinado de pergunta e resposta com tanta freqüência?

    Uma possibilidade é que o Corpo Governante deliberadamente inventou as técnicas de pergunta e resposta (isto é, "sublinhamento" e "respostas imediatas") para hipnotizar as pessoa e submetê-las à sua vontade.  Eu não acredito que Corpo Governante seja cínico a esse ponto.

    Uma razão mais plausível é que estas técnicas refletem um elemento da cultura das Testemunhas.  Elas adquirem a crença de que para cada pergunta há uma resposta "verdadeira".  Se o Corpo Governante (falando através da literatura) propõe uma pergunta, espera-se que ele dê uma resposta.  As Testemunhas não gostam de "áreas cinzentas".  Um dos principais benefícios de ser uma Testemunha de Jeová é que você tem uma resposta pronta para tudo.

    Muitas das respostas podem não ser verdadeiras, mas elas são respostas.  Numa vida cheia de dúvidas e incertezas, uma Testemunha ganha enorme paz de espírito simplesmente acreditando que há homens que "sabem".  Elas podem de vez em quando ter de viver contrariamente à sua natureza, ou ignorar uma dúvida irritante, mas a recompensa é um sentimento de certeza.

  Em outras palavras, o Corpo Governante dá às Testemunhas exatamente aquilo que elas querem ter.

ABANDONANDO A VELHA VIDA

Depois de uns meses de estudo bíblico gratuito, sua instrutora começará a exercer alguma pressão para que você "progrida" para um "nível maior de participação".

     Você pode ser convidado para se juntar a ela na pregação de porta em porta, como um observador.  "Não é tão difícil quanto parece", ela poderá dizer (e, de fato, é bem menos estressante do que a maioria das pessoas pensa).  No entanto, sua primeira aventura de porta em porta é uma espécie de rito de iniciação.  Mesmo se mantendo atrás e não falando nada, você vai estar na rua com as Testemunhas de Jeová.  Sua mera presença é uma afirmação para o mundo e para você mesmo.

    Além disso, à medida que encontrar algumas pessoas hostis à porta, você inevitavelmente formará com seus acompanhantes um laço de sofrimento compartilhado (ou perseguição, para usar o jargão das Testemunhas).  Esse é o começo da mentalidade do "nós e os outros", cuidadosamente cultivada pelas Testemunhas.

    Você pode não se sentir pronto para observar o trabalho de pregação de porta em porta.  Mas há outras maneiras de sua instrutora influenciar suas atitudes, trazendo-as a uma harmonia mais profunda com  as das Testemunhas.

    Se for a época certa do ano, sua instrutora certamente o convidará para assistir ao "Memorial" (descrito no Apêndice 2).  Este é um ritual inofensivo, um tanto seco, que ocorre uma vez por ano no Salão do Reino das Testemunhas (seu local de reuniões).  Sua instrutora fará o convite na esperança de que você será inspirado pelo espírito cristão das pessoas no Salão do Reino.

UMA OLHADA POR TRÁS DA MÁSCARA

Tão logo sua instrutora sinta que você está pronto, ela irá paulatinamente apresentando a você as restrições impostas às Testemunhas.  Ela abordará esse assunto de forma gentil, contudo.  Ela pode explicar que "estes são os princípios que um bom cristão segue enquanto cultiva uma consciência limpa".

    Por exemplo, você será desencorajado (ou "advertido" quanto) a ler material que não seja produzido pela Sociedade Torre de Vigia.  "Essas pessoas não têm a orientação de Jeová", lhe dirão.  A esta altura da doutrinação, você provavelmente levará o conselho a sério.  Sua instrutora pode até lhe ajudar a jogar fora os livros que não sejam "saudáveis" (um código significando "não são da Sociedade Torre de Vigia"), em vez de "edificantes".

Você receberá ainda mais conselhos acerca dos programas de televisão considerados "apropriados" (outra palavra-código, significando "aceitáveis para a Sociedade Torre de Vigia").  Você pode até receber conselhos acerca de seu vestuário, e neste caso o seu guarda-roupa passará a ter uma forte tendência conservadora.  Você não quer dar um mau testemunho para as pessoas através do que você veste, quer?

    Estes pequenos conselhos e dicas aparentemente inofensivos são os primeiros passos rumo à tomada do controle da sua vida.  Pode não parecer um grande sacrifício no começo, mas é a sua apresentação a um novo modo de comportamento, no qual a Sociedade Torre de Vigia expressa suas opiniões sobre os menores detalhes de sua existência: o que você lê, o que você veste, ao que você assiste, o que você come, a quem você ouve, como você conduz sua vida sexual, e mesmo como você deve pensar.

UMA MUDANÇA DE PERSPECTIVA

Seus amigos e sua família certamente notarão essas mudanças em seu estilo de vida e em seu comportamento.  Eles poderão aplaudir as mudanças positivas, incluindo sua atitude mais alegre, caso você sinta que finalmente descobriu a verdadeira religião.  De qualquer forma, as pessoas resistem a mudanças nelas mesmas e em seus amigos.  Mesmo as melhorias podem ser passíveis de crítica (para não mencionar as restrições em sua liberdade e autodeterminação).

    Sua instrutora pode adverti-lo de que essa oposição vem diretamente de Satã, que não quer que você saiba "a verdade".  Tal revelação pode lhe despertar um certo orgulho, já que você repentinamente se vê envolvido na luta suprema entre o bem e o mal.  Você também pode ficar impressionado com o conhecimento aparente que sua instrutora tem dos truques satânicos, além de sua habilidade em prevê-los.   

    Porém, algo sinistro está acontecendo em outro nível.  Você aprende a ver seus amigos e familiares como os meios pelos quais o Diabo pode "pegar você".  Se seus amigos mais queridos lhe sugerem pensar duas vezes antes de se tornar uma Testemunha, você pode questionar seus motivos: eles estão realmente preocupados com meu bem-estar, ou este é só mais um dos truques de Satã?

    Uma vez que você começa a pensar deste modo, o mundo começa a se dividir em dois lados: os bons (i.e. as Testemunhas) e os maus (i.e. as não-Testemunhas).  Esta mudança de atitude é pouco notável a princípio, mas essa mesma sutileza é o que a torna tão perigosa. 

    Isso, infelizmente, é justamente o que as Testemunhas querem.  Elas precisam criar uma trincheira separando o "antigo" você e o "novo" você.  E uma vez que se tenha deixado submergir nesta visão fantasmagórica do universo, você verá motivações ocultas e perigos velados em todo lugar.  Satã o espera na próxima esquina!  Ele espreita pelas paredes!

    Você pode achar difícil imaginar que tamanha mudança seja possível.  No entanto, tão logo as Testemunhas lhe tenham feito duvidar das boas intenções de seus amigos e familiares, você gradualmente se verá no vazio. Os únicos que poderão preencher esse vácuo são as Testemunhas de Jeová.

NO SALÃO DO REINO

Quando você passar do estudo bíblico gratuito à freqüência regular nas reuniões no Salão do Reino, isso naturalmente deixará todos na congregação muito felizes.  Eles lhe darão uma atenção alegre e especial -- quase uma lua de mel!

    Esta pode ser uma experiência comovente.  Se antes você esteve em alguma outra igreja ou organização, você pode já ter se visto como apenas mais um de muitos membros.  Agora, ao contrário, várias pessoas prestimosas e sorridentes estão à sua volta.  Você é o centro das atenções!

    Você também tem uma certa desvantagem.  Esse transbordamento  inicial de afeição pode ser genuíno e sincero, mas também pode ser embaraçoso e desorientador.

    O interesse que lhe demonstram quando você chega pela primeira vez ao Salão do Reino pode fazê-lo pensar que achou -- finalmente! -- um lugar onde há "amor verdadeiro por todos".  Mesmo assim, é fácil confundir um arroubo súbito de entusiasmo com a "coisa real".  Embora as Testemunhas estejam genuinamente alegres em ver um convertido potencial, elas têm uma missão a cumprir: ajudar a "salvar" você convencendo-o a continuar indo às reuniões.

    As Testemunhas irão bater um papo amigável com você em busca de pontos em comum, além de sorrir, cumprimentar, ouvir atenciosamente, sorrir um pouco mais, e dizer virtualmente qualquer coisa para fazer você se sentir bem.  Isto é o que se chama "dar bom testemunho".  Elas querem impressioná-lo com tanta maravilha de modo a ter certeza de que você verá que entrou na Casa de Deus.

    Quase toda religião faz a mesma coisa.

    Durante a lua de mel, os anciãos da congregação lhe darão tapinhas nas costas (literalmente ou em sentido figurado) pelo seu "excelente progresso".  Você poderá receber convites para jantar.  Alguém pode até lembrar que tem um paletó que ficou apertado nele mas que cairia perfeitamente em você.

    Quem não ficaria maravilhado?

    Pena que, como diz o ditado, "nenhuma lua de mel é para sempre".  Como em todos os relacionamentos, você não pode esperar que a paixão dos primeiros tempos siga intacta e na mesma intensidade. 

    Na literatura anticultista, esse excesso de ternura é chamado de "bombardeio de amor" (love bombing).  Eu não acho justo usar tal termo aqui porque eu não creio que as Testemunhas sejam umculto. Contudo, não importa como seja chamada esta tempestade de aprovação elevadora da auto-estima, ela realmente enfraquece suas defesas.  Você quer o amor para continuar vindo, e se verá pronto a sacrificar quase tudo para conservar esse sentimento.  Se isto não é uma amostra do paraíso, o que é?

EDIFICANDO O ENCORAJAMENTO

No jargão das Testemunhas, "edificar" quer dizer "fazer alguém feliz".  "Encorajamento" significa "exortar alguém a crescer como um cristão".

    Ex-Testemunhas vêem essas definições de uma maneira levemente preconceituosa.  Eu já ouvi algumas definirem "edificante" como "algo bom a dizer sobre um material que o está levando a morte".  Na mesma linha, "encorajamento" é redefinido como "levar alguém a trabalhar mais duro para a Sociedade Torre de Vigia".

    Uma questão de perspectiva, talvez?

    Quando você começa a freqüentar as reuniões no Salão do Reino, você recebe uma grande quantidade de "encorajamento edificante".  É perfeitamente natural que as Testemunhas queiram que você veja o lado bom da religião delas, enquanto minimizam as partes menos atraentes (como as restrições e julgamentos).

    De início, as Testemunhas concordarão (embora provisoriamente) com quase tudo que você disser.  Sim, eu posso entender seu ponto de vista.  Esta tolerância aparente às novas idéias, infelizmente, não dura muito; é apenas outro exemplo da razoabilidade dissimulada descrita anteriormente (vide "Tão razoável...").  Como você descobrirá mais tarde, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová não aceita críticas dos membros comuns -- muito menos de visitantes!

TODAS AS RESPOSTAS

A esta altura de sua visita ao Salão do Reino, as Testemunhas podem começar a lhe fazer perguntas sutis sobre a Bíblia.  A menos que você seja um estudioso do assunto, você não poderá respondê-las, mas as Testemunhas sim.  O que quer que se diga sobre as interpretações da Bíblia por parte das Testemunhas, seu conhecimento cru dos textos bíblicos é inegável.

    Demonstrando sua habilidade em discussões bíblicas, as Testemunhas constroem a impressão de que podem responder a qualquer pergunta que você possa fazer.  Esta é uma parte fundamental da doutrinação, apesar de ser tremendamente irônico que as Testemunhas não saibam que foram pegas no mesmo jogo.

    Este "jogo" é bem expresso na página 120 do livro "The Trumpet of Prophecy" (grifos meus):

O que é sociologicamente interessante nas Testemunhas de Jeová é que elas obtêm satisfação psicológica ao perceberem o padrão de coerência em suas crenças a despeito das possíveis inconsistências internas, e que, mesmo quando chegam a notar as inconsistências, elas podem então renunciar à responsabilidade pessoal por suas próprias crenças por meio da convicção de que alguém, em algum lugar da Sociedade Torre de Vigia deve ser capaz de resolver o 

problema.

    Faz sentido: todas as Testemunhas que entraram para a organização depois de adultas têm a impressão de que as respostas estão sempre em algum lugar por ali.  Se não podem achá-las (pensam elas), é porque não estão procurando direito.  Em todo caso, elas podem sempre recair na solução de emergência mencionada em "The Trumpet of Prophecy", na mesma página:    

Uma premissa implícita e comum nesse argumento é a de que, se a inconsistência percebida fosse real, então as crenças não teriam adquirido a grande popularidade que têm.

    Este é o ponto em que a doutrinação sai do terreno das afirmações e provas e entra no da fé.  As respostas que você procurava estão teoricamente ali, mas você pode não ser capaz de achá-las.  Questões mais difíceis podem ser descartadas como "especulação inútil".  Se algum ponto doutrinário o está realmente incomodando, você normalmente será aconselhado pela sua instrutora a "esperar em Jeová" -- uma frase-código que tem um dos significados seguintes:

·        Ela também já se perguntou isso, mas nunca recebeu uma resposta, ou...

·        A Sociedade Torre de Vigia simplesmente ainda não formulou uma resposta para isso.

    Com esta quase imperceptível mudança de ênfase, sua lealdade é transferida da Bíblia para a Sociedade Torre de Vigia.  Este se tornará o novo tema para a sua conversão: a STV é a fonte de todas as respostas, e mesmo se as respostas forem inconsistentes de vez em quando ou até claramente erradas, elas serão corrigidas "no devido tempo". (Vide A doutrina das novas luzes)

PROFETAS VIRTUAIS

À medida que for chegando mais perto de se tornar um membro pleno das Testemunhas de Jeová, você confiará menos na Bíblia e mais nas afirmações feitas pelo Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.  A aura de infalibilidade que cerca a Bíblia começa a lançar um pouco de sua luz sobre os doze homens no Brooklyn que decidem o que as Testemunhas irão considerar "A Verdade".

    Esses homens não se dizem infalíveis explicitamente, é claro.  A história dos seus feitos tornam tal pretensão impossível.  Em vez disso, eles amenizam sua reivindicação de autoridade afirmando serem os representantes espiritualmente inspirados de Deus na Terra.

    Quanto mais tempo você for uma Testemunha, mais você verá esses homens como profetas virtuais (apesar de eles evitarem esse termo "profeta").  Você tenderá a descartar seus erros como "imperfeições humanas", e ao mesmo tempo lhes dará autoridade total sobre sua vida.  Este é um processo gradual, apanhado na maioria das vezes pelo convívio com as outras Testemunhas.  Como mencionado anteriormente, (vide "Perguntado e respondido"), as Testemunhas querem certezas, e vão se agarrar à ilusão de que as acharam, mesmo se a versão de hoje de "A Verdade" for ligeiramente diferente da de ontem.

PARTICIPAÇÃO

Como um visitante regular do Salão do Reino, você será gentilmente estimulado a participar das atividades das Testemunhas, como a pregação de porta em porta [N. do T.: chamada de "trabalho de campo"].  Se tudo correr bem, as coisas serão fáceis e você será aceito como alguém que está "progredindo bem".  Se você recuar, no entanto, a gentileza começará a dar lugar a uma certa  pressão.  Você não sabe que estamos vivendo nos Últimos Dias?  Você não sabe que isto é algo que Jesus profetizou que deveríamos fazer?

    Havendo mais resistência vem mais pressão.  Quando você se apresentar diante de Deus em julgamento, gostaria de descobrir que lhe falta alguma coisa?

    Então suas ternas fantasias de paraíso podem começar a se dissipar um pouco, à medida que você notar que há uma cobrança de desempenho em questão.  Você não foi "perdoado e renascido" (como muitas religiões cristãs acreditam), mas tem de trabalhar todo dia pela sua salvação.  Você nunca saberá se foi "salvo" até que Jeová lhe diga.

    Agora você está numa situação pior do que antes.  Você aparentemente é obrigado a fazer o que a STV diz, do contrário será destruído.

    Algumas pessoas se livram do processo de doutrinação neste momento, mas são deixadas com o sentimento perturbador de que voltaram as costas para Deus.  Você pode escolher seguir a orientação da Torre de Vigia.  Afinal de contas (talvez pense você), eles alguma vez eles já mentiram para você?

BATISMO

A esta altura, sua instrutora mencionará o "próximo passo lógico" -- um que aumentará suas chances de se salvar da destruição.  Ela vai sugerir que é hora de você ser batizado.

    Batismo é uma cerimônia de imersão em água que também envolve uma série de votos -- incluindo o de aceitar a orientação da Sociedade Torre de Vigia.  Os batismos geralmente são feito em grandes grupos ("batismos em massa").  Isso dá grande prazer às Testemunhas, pois demonstra o crescimento de sua religião.  Um efeito colateral (se você ainda mantém algumas dúvidas) é que é muito difícil mudar de idéia no último minuto quando se está cercado por centenas ou milhares de Testemunhas.

    Depois de batizado, você será Testemunha de Jeová e como tal deverá seguir todas as regras e assistir às numerosas reuniões.  Ao mesmo tempo, a "festa de afeição" que o recebeu na sua primeira visita será substancialmente silenciada.  Na verdade, você deverá mostrar pelos recém-chegados o mesmo entusiasmo que achou tão impressionante.  Caso se sinta um pouco hipócrita fazendo isso, há sempre a opção de culpar Satã por isso. 

RESUMO

Aqui vai um sumário do que ocorre à medida que as Testemunhas de Jeová o convencem a ser batizado...

·         Elas evitam falar sobre sua conversão à religião delas.

·         Leitura prévia e sublinhamento do texto de estudo 

·         Uso da Tradução do Novo Mundo da Bíblia

·         Mais tempo gasto com o livro de estudo que com a Bíblia.

·         Não se encoraja a leitura do contexto de uma citação bíblica.

·         Questões exóticas são transformadas em assuntos de grande importância.

·         Insiste-se na inerrância da Bíblia.

·         Dá-se "a" resposta imediatamente após se propor uma questão.

·         Debates são desencorajados ou adiados indefinidamente.

·         Áreas "cinzentas" não são toleradas; as coisas são assim e pronto, sem meios-termos.

·         A sedução da "certeza" -- há uma resposta para tudo.

·         Estímulo à participação em certas atividades das Testemunhas.

·         Apresentação gradual das restrições impostas às Testemunhas: vestuário, leituras, etc.

·         Recepção entusiástica quando você vai ao Salão do Reino.

·         Reforço da impressão de que elas têm todas as respostas.

·         Gradual transferência de lealdade para a Sociedade Torre de Vigia.

  Batismo.

·        Pregação de porta em porta e freqüência regular às reuniões.

PARA QUEM IREMOS?

O processo de doutrinação da Sociedade Torre de Vigia nunca termina.  Há várias reuniões semanais para assistir, livros e revistas para estudar, e também se espera que você gaste no mínimo 10 horas mensais na pregação de porta em porta. 

    À medida que você for se afastando dos "contatos mundanos" (i.e. seus antigos amigos e suas família) e for se aproximando das Testemunhas, você se verá mais e mais exposto à visão de mundo que elas têm.  E como nós somos animais sociais, é inevitável que nossos próprios pontos de vista acabem aos poucos concordando com os do grupo.

    Tudo isto lhe deixa muito pouco tempo para pensar criticamente sobre o que lhe estão ensinando -- mesmo presumindo-se que você queira pensar criticamente sobre tais coisas.

    Ora, a esta altura você fez novos amigos e mudou sua vida.  Você tem lugares para ir, pessoas para ver, e há sempre aquela "maravilhosa esperança para o futuro".  Você pensará duas vezes antes de considerar que algumas coisas em sua nova religião não estejam muito certas.

    Se você realmente perguntar se poderia haver outra religião tão boa quanto ou (Deus nos perdoe) até melhor, elas lhe perguntarão, "Quem lhe ensinou tudo o que você sabe agora?".  Isto é conhecido pelas ex-Testemunhas como o argumento do "Para quem iremos?", em referência a João 6:60-69.

    Nesta passagem específica, Jesus perguntou aos apóstolos se eles o deixariam por causa das controvérsias geradas pela sua pregação.  Simão Pedro, então, replica, "Senhor, a quem iremos?  Tu tens palavras de vida eterna.  E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus."

UMA DISTINÇÃO POUCO NÍTIDA

As novas Testemunhas acabam pensando deste modo acerca da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.  É a única com "palavras de vida eterna", e elas "têm crido" nelas.  Além do mais, elas "sabem" que a Sociedade Torre de Vigia é divinamente inspirada.

    Essa crença se torna tão forte que por vezes as Testemunhas perdem de vista a distinção entre a Sociedade e Deus.  Em sua visão de mundo, sua religião é uma "teocracia" (governada por Deus), com a Sociedade Torre de Vigia no papel de seu representante terreno.  Do mesmo modo como um embaixador fala com autoridade em nome de seu governo, assim também a Sociedade fala do dela.

    É difícil venerar, seja por atos ou pela atitude, algo ou alguém que você não pode ver.  A Sociedade Torre de Vigia, por outro lado, é uma burocracia de nível mundial com uma estrutura bem definida e um centro geográfico conhecido (Brooklyn, Nova York).  Esta sede é uma espécie de "Meca" para as Testemunhas.  Embora eu não queira exagerar na analogia, eu creio que visitar a sede é para elas como um hajj é para um muçulmano.  Algumas Testemunhas até planejam passar suas férias em "Betel" (um termo usado para as filiais em geral, e o Brooklyn em particular).

    Alguns têm comparado isso a "curvar-se perante homens".  Certamente faz parte da natureza humana querer uma representação tangível de algo inefável.  Significativamente, a Sociedade Torre de Vigia é freqüentemente mencionada como "a organização visível de Deus".  Considere esta citação da página 22 na edição de 15 de janeiro de 1983 da revista "A Sentinela":

Como esse pensamento independente se manifesta?  Uma maneira comum é através do questionamento do conselho provido pela organização visível de Deus.

    Em somente duas frases, o artigo descreve o que as Testemunhas vêem como um perigo para o cristão de "pensamentos corretos".  Pensamento independente pode levar alguém a duvidar da Sociedade Torre de Vigia.

    A longo prazo, a resistência à Sociedade passa a ser vista como resistência ao próprio Deus.  Com tão sublime missão, a Sociedade acredita-se autorizada a exercer enorme controle sobre as mentes e corações de seus seguidores.

QUANDO UM PÉ CRUZA A LINHA

Você pode pensar que esse "contato com Deus por procuração" irrita os membros comuns, mas isto raramente acontece.  Eles aceitaram a Sociedade como o canal de sabedoria de Deus, assim como católicos devotos vêem o Papa como seu canal para Deus. Certamente não foram as Testemunhas que inventaram a idéia de se deixar o "trabalho espiritual pesado" para aqueles que, espera-se, são melhor qualificados.

    No entanto, de vez em quando algumas Testemunhas se rebelam contra esse sistema.  A Sociedade Torre de Vigia tem uma forma de impedir que esse tipo de pensamento cresça e se espalhe.  O manual dos anciãos (publicado em português como Prestai Atenção a Vós Mesmos e a Todo o Rebanho) diz o seguinte:    

A apostasia inclui qualquer ação tomada contra a verdadeira adoração de Jeová ou o arranjo estabelecido por ele para seu povo dedicado.  Pessoas que espalhem deliberadamente (guardam teimosamente e falam sobre) ensinos contrários à verdade bíblica tal como ensinada pelas Testemunhas de Jeová são apóstatas.   

    Você deve ter notado como a verdade bíblica é praticamente igualada à que é "ensinada pelas Testemunhas de Jeová".

    Os que persistem no pensamento independente são tratados numa série de procedimentos. Primeiro:

Aqueles com dúvidas sinceras devem ser auxiliados e tratados de forma amorosa.

    Essa é uma tentativa calculada de gentilmente desviar alguém de formar suas próprias opiniões sobre assuntos bíblicos.  Se isto não funciona, os anciãos têm à disposição diversas opções, como comissões judicativas, reprovação pública, "marcar" a pessoa, dissociá-la unilateralmente (i.e. dizendo que ela saiu por conta própria) ou desassociando-a (i.e. excomunhão). 

    Desses métodos listados, a desassociação -- essencialmente expulsar a pessoa da associação mundial das Testemunhas de Jeová -- é o mais devastador golpe pessoal que alguém pode receber.  Contudo, todas essas técnicas servem como lições práticas para todos os que ainda possuam alguma dúvida.  Estes logo aprendem a ficar quietos.  Eles não querem voltar para o mundo exterior, que agora vêem como um lugar maligno e sem amor.

    Essas táticas reforçam o consenso e a unanimidade.  Uma das razões pelas quais as Testemunhas acreditam ter as bênçãos de Deus é que todos em sua organização parecem concordar com as mesmas coisas.  Mas como poderia ser diferente se os que levantam objeções são postos para fora?

    Até mesmo o medo da desassociação empalidece ante a perspectiva de ser destruído no Armagedom e ser privado da vida eterna no paraíso terrestre.

A MAIOR BARREIRA

Existe ainda uma última e mais profunda razão para permanecer uma Testemunha. Depois que você passa a identificar a Sociedade Torre de Vigia como o canal escolhido por Deus para a humanidade, virar suas costas para ela equivale a rejeitar o próprio Deus.

    Este tipo de temor está tão profundamente enraizado em nossas mentes que é impossível expressá-lo em palavras.  Se você realmente abandona as Testemunhas, você se descobre sozinho no sentido mais profundo que se possa imaginar.  Isso é ainda pior se (e geralmente é este o caso) você tem membros da sua família que são Testemunhas e passam a evitá-lo completamente, a fim de não serem infectados com a praga que parece tomou conta de você.  Eles podem até acusá-lo de estar sob influência demoníaca.

RESUMO

Eis alguns dos meios pelos quais você é induzido a permanecer uma Testemunha de Jeová:

·         As reuniões contínuas e o estudo lhe deixam pouco tempo para as outras coisas

·         Você faz novos amigos

·         Você gradualmente adquire os padrões de pensamento de seus novos amigos.

·         Você adquire um grande senso de orgulho de sua nova religião.

·         Você passa a ver o mundo como uma dicotomia de "nós e eles".

·         Você não consegue pensar em quaisquer alternativas às Testemunhas.

·         Você é ativamente desencorajado a investigar tais alternativas.

·         Você se torna convicto de que a Sociedade Torre de Vigia é o canal para Deus.

·         Você começa a prestar muita atenção à obediência às regras.

·         Você pode começar a se preocupar com a disciplina oficial.

·         Você se dá conta da unanimidade de opinião (um efeito colateral da disciplina).

·         Você se preocupa em ser evitado pelos seus amigos e familiares que são Testemunhas.

·         Você se preocupa com ser expulso ou destruído por Deus.

·         Você genuinamente deseja aquilo que as Testemunhas prometeram.

CONCLUSÃO

As Testemunhas se apresentam com um ambiente social elitista, um sentimento de certeza e uma esperança de dias melhores.  Estas são coisas que a maior parte das pessoas deseja encontrar.  E é preciso muita coragem e bravura para desistir de tudo isso.

    Também é extremamente difícil encarar esse desafio sozinho.  Se você decidiu deixar as Testemunhas, sua primeira prioridade deve ser achar o máximo de apoio que puder encontrar, através de livros, artigos, web sites -- e pessoas.  À medida que você se afastar da sua "nova" vida e entra numa mais nova ainda, você descobrirá que o mundo não é tão sombrio quanto as Testemunhas lhe fizeram crer.  O amor está em toda parte, de muitas formas.

    Tome cuidado, porém, para que você não deixe as Testemunhas e acabe entrando em algum outro grupo manipulador.  Vá com calma, e sempre se lembre do ditado: Tout ce qui brille n'est pas or -- nem tudo que reluz é ouro.

    Pense por si mesmo, e continue fazendo perguntas.

 


 APÊNDICES

 Apêndice 1 - O nome de Deus

De certa forma, a Tradução do Novo Mundo da Bíblia é superior à maioria das outras traduções, mas ao mesmo tempo sua força se torna o seu maior problema.  Trata-se da questão do uso do nome "Jeová".

    A maioria das outras traduções substitui o nome de Deus por "Senhor" (normalmente em maiúsculas: SENHOR).  Esta tradição vem da regra judaica que proíbe a pronúncia do nome de Deus (sem dúvida relacionada à preocupação de "não tomar o nome de Deus em vão" -- um dos Dez Mandamentos).

    "Melhor prevenir que remediar" parece ser o lema da maioria dos tradutores.  Tão enraizada é essa omissão do Nome Divino que ninguém consegue achá-lo em quaisquer textos originais com a grafia completa.  Como resultado, a pronúncia original do nome de Deus não é conhecida com exatidão.

    O hebraico original não tinha vogais, de modo que o nome de Deus era grafado como YHVH.  Eventualmente a tradução massorética inseriu símbolos vocálicos especiais.  Mesmo assim, quando se tratava do nome YHVH, os tradutores usavam as vogais da palavra "Adonai" ("Senhor") como um aviso para o leitor dizer "Senhor" em vez do Nome Divino.  Deste modo, YHVH se tornou YaHoVaH.

    Alguns estudiosos alegam que o nome deveria ser pronunciado Yahveh, mas outros preferem Yahweh.  Provavelmente trata-se de uma questão insolúvel de uma maneira ou de outra.

 Apêndice 2 – celebrações

As Testemunhas de Jeová não têm "celebrações" -- ao menos não no sentido em que a maioria das pessoas entende a palavra.

    Todas as celebrações que possuam mesmo a mais tênue conexão com os dias santos pagãos são consideradas corrompidas, mesmo se as porções corrompidas tiverem sido removidas.

    Por exemplo, uma Testemunha nunca teria uma árvore de Natal, porque um dia tais "Tanenbaums" foram usados pelos druidas.  A Testemunha não consegue vê-la "apenas como uma árvore".  O Natal também é ligado à selvagem celebração romana das Saturnálias com o seguinte raciocínio: os primeiros cristãos instituíram o Natal na mesma época do ano que a festa romana para poderem ter algo mais saudável para fazer. (As Testemunhas não acreditam que Jesus tenha nascido em 25 de dezembro, e os estudiosos da Bíblia concordam com elas neste ponto).

    Os aniversários natalícios são condenados porque nunca são apresentados sob uma luz positiva na Bíblia.  João Batista foi decapitado num aniversário -- veja mateus 14:6-11.  As Testemunhas também alegam que os aniversários glorificam uma pessoa, quando toda glória deveria ser dada apenas a Deus.

    A Páscoa também não é comemorada [N. do T.: como é hoje, com ovos e coelhos] porque não se fala dela na Bíblia.  De qualquer modo, nessa época do ano as Testemunhas executam um ritual chamado de "A Ceia Noturna do Senhor", que guarda uma leve semelhança com a comunhão católica.  O ritual também é conhecido como "O Memorial", pois se baseia no pedido de Jesus aos seus discípulos para partilharem pão sem fermento e vinho em memória dele.

    A única celebração observada pelas Testemunhas é o aniversário de casamento.  Ainda que o argumento sobre "honrar seres humanos" aplicado aos aniversários natalícios também pudesse ser usado aqui, as Testemunhas não acham isso necessário.

    Uma Testemunha pode comentar que todo os dias deveriam ser de celebração e que não precisamos de um dia especial para adorar e ser feliz.  E ela pode estar certa neste ponto!

Apêndice 3 - espírito cristão

As Testemunhas de Jeová tem um visão um tanto limitada do que ocorre noutras igrejas, pois são "desencorajadas" (i.e. efetivamente proibidas) de freqüentar outros locais de adoração.

    Muitas Testemunhas -- e eu fui uma delas -- têm a impressão de que um Salão do Reino é um lugar onde o Amor e a Glória de Deus virtualmente emanam das paredes, enquanto as outras igrejas têm um leve odor de influência satânica.

    Algumas igrejas, é verdade, são locais sombrios.  Muitas outras, no entanto, estão repletas de entusiasmo e bons sentimentos.  Estes sentimentos positivos são dirigidos a todos -- não apenas aos recém-chegados.  Ali os freqüentadores estão cheios de alegria.

    A maioria das pessoas, ao visitar um Salão do Reino pela primeira vez, observa que ele é muito limpo e que as crianças ali se comportam maravilhosamente bem.  Esta observação pode ir ainda mais longe que isso, porém os recém-chegados são facilmente identificados pelas Testemunhas e envolvidos num turbilhão de encorajamento antes de sequer terem a chance de olhar o ambiente com mais cuidado.  

    Um observador mais neutro notaria que as Testemunhas exibem uma espécie de "alegria fatalista".  Elas estão felizes por serem Testemunhas, mas há um tipo de melancolia nelas, possivelmente devido às rigorosas doutrinas da Sociedade acerca da salvação.  Esta aparência tristonha é normalmente muito bem mascarada  com sorrisos e jovialidade, mas fica especialmente evidente quando elas cantam suas canções.

    Estou tentando evitar dar a este artigo um tom editorial, mas eu afirmo que (em minha opinião) falta uma coisa no Salão do Reino e esta coisa é uma alegria pura e sem restrições.  Apesar de as Testemunhas serem pessoas agradáveis, sua visão do mundo é afetada pela crença de que bilhões de seres humanos serão massacrados em breve, no Grande Dia do Julgamento (Armagedom).

    Embora aparentemente a maioria das Testemunhas anseie pelo massacre, é difícil imaginar como elas podem ser alegres com tamanho desastre espreitando no fundo de suas mentes.

    Se você visitar um Salão do Reino, ouça-as cantar.  Então ouça os cantores de algumas outras igrejas.  Dá para notar a diferença?

 Apêndice 4 - O discurso das testemunhas

O discurso das Testemunhas possui afirmações contraditórias, palavras-"código", expressões idiomáticas, e uns poucos neologismos.  Seria impossível fingir-se uma Testemunha sem aprender o jargão que elas usam -- seu artifício seria detectado pouco depois de você abrir a boca.

    Isso não tem nada de extraordinário.  Os lingüistas reconhecem a chamada "comunidade discursiva", que abrange um número de pessoas que se expressam de forma similar.  A comunidade não tem necessariamente de habitar um único lugar.

    A estabilidade da comunidade discursiva das Testemunhas é reforçada pela literatura.  Certas expressões "entram em voga", enquanto outras são abandonadas.  Durante a década de 60, por exemplo, as Testemunhas não se referiam ao seu grupo como uma "religião", mas preferiam o termo "nação".  Já o termo "igreja" também era considerado impróprio.  Várias décadas depois, estes termos recuperaram a respeitabilidade.

    Somente alguém ativamente envolvido com as Testemunhas pode se manter atualizado com as últimas tendências nesse discurso.  Através da leitura regular da literatura e da freqüência às reuniões, pode-se inferir quais expressões estão "na moda" e quais já saíram dela.

    Muito se poderia escrever sobre o discurso das Testemunhas, explicando seu uso idiossincrático de palavras como: CRISTANDADE   COMPAIXÃO      CONDUTA         TEOCRÁTICO

ENCORAJAMENTO – IMPERFEIÇÃO – INDEPENDENTE – INSPIRAÇÃO – VERDADE – PERSEGUIÇÃO – SALVAÇÃO – TROPEÇO - O MUNDO - EDIFICANTE

Infelizmente, a análise aprofundada do discurso das Testemunhas foge ao escopo deste artigo.

    Esse discurso e outras formas de jargão não são parte de um plano maquiavélico para controlar as pessoas.  Eles são desenvolvimentos naturais em grupos e sociedades que estabeleceram laços entre seus membros e com os outros grupos e sociedades. 

 Apêndice 5 - cultos

NOTA: Certas palavras usadas a seguir, tais como "culto" e "lavagem cerebral" têm sido adotadas por vários grupos para representar várias opiniões.  Como resultado, os significados exatos das palavras dependem de com quem se está falando.  Eu tentarei tornar o meu próprio uso desses termos o mais claro possível, mas admito que minhas definições podem não coincidir com as suas.  Este é um problema semântico, que eu espero não obscurecer o assunto. 

    Embora as Testemunhas de Jeová preencham muitos dos requisitos para serem consideradas um "culto", acredito que o termo é muito severo para descrever sua religião.  Eu prefiro o termo "grupo de alto controle" (high control group- HCG), já que o principal problema com as Testemunhas (na minha perspectiva) é este:

Os pronunciamentos e missivas de seus líderes (o Corpo Governante) acaba dominando cada faceta da vida e da mente de uma pessoa.

    Em minha opinião, as Testemunhas não merecem o rótulo de "culto" porque:

·        Elas não fazem "lavagem cerebral" em ninguém.

·        Elas não impõem restrições físicas às pessoas.

·        Elas não ameaçam ninguém fisicamente.

·        Elas não enfraquecem ninguém através da privação física.

    As técnicas usadas pelas Testemunhas não são tão pesadas quanto as descritas acima.  No entanto, elas desenvolveram boas substitutas.

Modificação de personalidade

Vamos dar uma olhada numa acusação feita às Testemunhas: a de que elas fazem "lavagem cerebral" nas pessoas.

    "Lavagem cerebral" (segundo uma definição corrente) significa a alteração forçada da personalidade de alguém por meio de privação, restrição da mobilidade e ameaças físicas.  A teoria afirma que quando as pessoas são reduzidas a um estado subumano (ou "de regressão" ou "infantil"), novos pensamentos podem ser inculcados nelas e se fixarem.  Se há ou não qualquer validade neste método, certamente não é o que se faz aos adultos que se juntam às Testemunhas de Jeová. 

    Porém, as Testemunhas utilizam uma forma mais suave de modificação da personalidade, na qual os meios físicos são substituídos por manipulações psicológicas.  A isto eu chamo de "doutrinação".  Algumas pessoas podem sentir que esta palavra não é forte o bastante, mas pelo menos você entende o que eu quero dizer com esse termo.

Em vez de restrições físicas, as Testemunhas usam restrições sociológicas e ideológicas.  Em vez de ameaças físicas, elas usam narrativas aterrorizantes de destruição futura.

    Ainda que estas técnicas possam possam parecer desagradáveis, há uma grande diferença entre lavagem cerebral e doutrinação: uma pessoa que está sendo doutrinada tem uma possibilidade muito maior de escapar.

O desafio da mudança

Dito isso, eu tenho de reconhecer que as Testemunhas afiaram suas ferramentas muito bem.  Este artigo é uma tentativa de mostrar como as pessoas podem ser gradualmente envolvidas pela visão de mundo das Testemunhas.  E uma vez lá dentro, elas descobrem que estão numa prisão circular numa ilha afastada, da qual é difícil fugir.

    Mesmo não sendo fácil sair dessa "armadilha mental", isto é possível desde que a pessoa seja genuinamente honesta, no nível mais profundo, e deseje lutar pela verdade não importa aonde ela a leve.  Isto muitas vezes significa escolher entre o que é verdadeiro e o que é confortável.

Um assunto sério

Pena que não seja sempre tão simples.

    Algumas pessoas, com as melhores intenções, podem deixar as Testemunhas e não achar nenhuma luz no fim do túnel  -- nenhum consolo.  Seu modo de pensar (ou sua "fé", se preferir) foi tão profundamente alterado que elas estarão sempre proibidas de "entrar na Terra Prometida".  E essa seria uma vitória amarga: a verdade venceria, mas a vida acabaria sendo derrotada.

    Em termos de bem-estar pessoal, tais pessoas poderiam estar melhor se continuassem Testemunhas.

    Eu espero que isso ilustre o que está em questão quando alguém tenta desfazer a doutrinação.  Quanto mais tempo se passa nas Testemunhas (formando contatos sociais, criando uma família), mais profundo se torna o dilema.

Surpreendido pela liberação

Em minha experiência como um conselheiro de saída (exit counselor) autonomeado, tenho observado que a maioria das ex-Testemunhas não percebe imediatamente como conseguiram escapar.  Elas podem já "estar fora dos muros da Torre de Vigia" e ainda pensar que estão dentro.  A doutrinação deita fundo suas raízes através da repetição constante.  Em tais casos, o "plano de fuga" deve ser formulado em nível subconsciente, pois a mente consciente está amarrada à doutrina da STV e às várias barreiras psicológicas que foram levantadas.

    Uma complicação adicional é que as Testemunhas são gradualmente treinadas para ignorar suas necessidades subconscientes -- chegando ao ponto de vê-las como idéias malignas implantadas por Satã.  Este processo de autocensura é descrito com clareza impressionante no livro ""The Orwellian World of Jehovah's Witnesses", de Heather and Gary Botting.

    Para outra análise da psicologia de uma Testemunha -- e como ela trabalha para impedir a fuga -queira por favor ler o artigo Debating With Jehovah's Witnesses [N. do T.: a ser traduzido].

As Testemunhas de Jeová são um culto?

Então... as Testemunhas são um "culto", um "grupo de alto controle" ou o quê?  Estas são apenas palavras.  Não importa o rótulo que você lhes dê.  Para muita gente, é a religião ideal.  Para outros, no entanto, é uma experiência traumatizante que pode arruinar suas vidas e trazer grande sofrimento para as pessoas mais próximas.  Em se tratando de indivíduos, eu não creio que as palavras que usamos sejam tão importantes quanto os efeitos que observamos -- e a compaixão que podemos sentir.

Bibliografia

A History of God. Karen Armstrong. Ballantine Books, New York, 1993. ISBN 0-345-38456-3

The Orwellian World of Jehovah's Witnesses. Heather and Gary Botting. University of Toronto Press. Cloth ISBN 0-8020-2537-4 ou brochura ISBN 0-8020-6545-7. Acho que este livro está esgotado, mas normalmente um exemplar pode ser obtido por empréstimos em bibliotecas municipais (nos EUA e Canadá, naturalmente).

Pay Attention to Yourselves and to All the Flock. Watchtower Bible and Tract Society of Pennsylvania, 1991; Livro de circulação restrita ao anciãos de congregação; passagens citadas segundos princípios jornalísticos.

The Trumpet of Prophecy. James A. Beckford; Wiley, New York, 1975; ISBN 0470061383; "A Halsted Press book"

A Sentinela (revista). Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

 

  

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